“Após conversas com diversas partes interessadas no futebol, a UEFA sabe que existe uma oposição significativa e crescente ao plano da FIFA”, pode ler-se numa declaração publicada no sítio oficial da confederação europeia na Internet.
A UEFA, presidida pelo esloveno Aleksander Ceferin, reagiu pela segunda vez ao tema, um dia depois de avisado que o futebol “não está à venda”, ao reagir à intenção da FIFA de angariar até 4,2 mil milhões de dólares com a venda de participações dos Campeonatos do Mundo a privados.
“A FIFA não pode continuar a usar o nosso desporto para enriquecer a si mesma e aos seus amigos. Podemos desenvolver o futebol de forma correta. É hora de priorizar as federações, os clubes, as ligas, os jogadores e os adeptos”, acrescentou a UEFA.
A FIFA quer aumentar nos próximos anos o financiamento destinado ao desenvolvimento do futebol para mais de 10 mil milhões de dólares, através de uma nova estrutura comercial, cuja criação depende da aprovação da maioria do Conselho e das 211 federações-membro.
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A proposta passa pela criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária integralmente detida pela FIFA e que reunirá os direitos comerciais da entidade liderada pelo ítalo-suíço Gianni Infantino.
A FIFA pretende captar até 4,2 mil milhões de dólares, ao vencer participações minoritárias a investidores privados, que não terão papel operacional na FFE, avaliada inicialmente em 20 mil milhões de dólares.
A operação permitirá reforçar o programa FIFA Forward e vai aumentar o financiamento de desenvolvimento por federação dos atuais oito para 20 milhões de dólares no ciclo 2027-2030, de 22 milhões entre 2031 e 2034 e para 24 milhões de 2035 a 2038.
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A FIFA assegura que vai manter o controlo exclusivo sobre a governação do futebol, as competições, o calendário internacional e todas as decisões regulamentares e desportivas, num plano revelado depois do Mundial-2026, que foi coorganizado por Estados Unidos, México e Canadá e atingiu recordes de público e audiência na história do principal torneio de seleções.
O jornal britânico The Times avançou esta quinta-feira que o presidente da FIFA deu um prazo de 53 dias às 211 federações-membro, entre as quais a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), para aceitarem o modelo, a troco de alguns milhões de euros.
“Hoje ficámos a saber do prazo estipulado pela FIFA para que as federações apoiem as suas propostas, sob pena de a oferta de pagamento único ser retirada. Isso diz tudo o que precisamos de saber sobre esse plano”, concluiu a UEFA.
A Associação de Ligas Europeias (EL) também contestou o plano da FIFA, ao admitir que os investidores privados ficariam com “um direito permanente” sobre o futebol, pondo “em risco” os alicerces da modalidade.
“Os líderes responsáveis do futebol têm o dever de se unirem para se oporem a esta proposta, não só pelo futebol de hoje, mas também pelas futuras gerações de jogadores e adeptos, garantindo que deixamos um desporto saudável, sustentável e fiel aos valores que o transformaram no mais popular do mundo”, transmitiu a entidade encabeçada pelo suíço Claudius Schäfer, após uma reunião da EL.
Para operacionalizar o projeto, a FIFA está a trabalhar com o banco J.P. Morgan, surgindo entre os potenciais investidores a Thrive Capital, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, que é genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A administração norte-americana já terá sido consultada sobre o plano da FIFA, que tem originado preocupações e críticas no futebol, mas não só.
A UEFA defendeu que ninguém é proprietário da modalidade e que não compete à FIFA vendê-la, enquanto a CONCACAF (América do Norte, Central e Caraíbas) disse estar preocupada e a AFC (Ásia) pediu transparência, apesar de reconhecer a necessidade de novas abordagens.
Presidida pelo qatari Nasser Al-Khelaifi, líder do bicampeão europeu Paris Saint-Germain e membro do Comité Executivo da UEFA, a organização dos Clubes Europeus de Futebol (EFC) garantiu que não foi ouvida pela FIFA e indicou ter sido informada sem aviso prévio e através da imprensa.
No quadrante político, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, referiu que “o futebol não pertence aos investidores”, o comissário europeu Glenn Micaleff lembrou que as propostas “levantam questões sobre a lei da concorrência” e os membros democratas da Câmara dos Representantes nos Estados Unidos visaram a promiscuidade entre Infantino e Trump.
