De camisola negra, em vez da habitual amarela, face à morte de Finlay Tarling, corredor britânico de 19 anos, que morreu na sexta-feira, na etapa entre Melgaço e Fafe, após a colisão com um veículo alheio à corrida em Ponte de Lima, o corredor, de 34 anos, impôs-se a José Neves (GI Group Holding-Simoldes-UDO) e ao colega Artem Nych no último quilómetro da subida ao cume do Monte Farinha e conquistou a nona etapa.
Ao repetir o feito dos espanhóis David Arroyo, em 2004, e Eladio Jiménez, em 2007, o experiente ciclista bateu com a mão esquerda no peito e ergueu a outra para o céu, assim que cortou a meta, antes de abraçar Nych, vencedor das edições de 2024 e de 2025.
Em princípio, o ciclista natural de Libourne, localidade nos arredores de Bordéus, vai suceder ao russo, de 31 anos, como vencedor da Volta, ao alargar a diferença para o colega para 1.02 minutos, na antecâmara da 10.ª e última etapa, entre Maia e Porto, que não tem o perfil típico de uma tirada de consagração, mas que dificilmente causará alterações na classificação geral.
“Não sou o vencedor da Volta a Portugal. Serei o vencedor quando terminar amanhã, como vencedor da classificação geral. Falta uma etapa. Ganhei na Senhora da Graça, mas, ontem um jovem perdeu a vida. Correr com a camisola negra é uma homenagem. Ganhei com a camisola negra. Esta vitória é para a família do Finlay”, frisou aos jornalistas, após a contida cerimónia do pódio.
Guérin confidenciou ainda que pediu ao diretor desportivo da sua equipa para se colocar algo negro na camisola negra, mas Rúben Pereira informou-o de que a organização queria que corresse com uma camisola negra, sugestão que aceitou.
“Disse que era um dia especial e que ia prender gelo e água à camisola para fazer a corrida com a camisola negra”, esclareceu.
Alexis Guérin apareceu, portanto, de negro na frente do pelotão de 89 corredores que se juntou no Mosteiro de Vilela, em Paredes, para a partida simbólica, acompanhado pelo colega Artem Nych, camisola azul, por Rui Oliveira (UAE Emirates), camisola laranja, e Adrià Pericas (UAE Emirates), camisola branca.
O ambiente na partida diferiu profundamente dos dias anteriores, com o ritmo e o volume das conversas a diminuir e o silêncio a impor-se no local reservado para a comitiva da NSN Development Team.
No lugar do autocarro, dos ciclistas e dos elementos de apoio, encontrava-se uma coroa de flores e as camisolas de quase todas as equipas presentes na Volta em homenagem ao malogrado ciclista galês, que ainda seria lembrado com um minuto de silêncio a anteceder o início da etapa.
Sem qualquer impacto nos dois primeiros lugares da classificação geral, a tirada de 142,3 quilómetros, com quatro contagens de montanha, ditou uma ‘cambalhota’ no que respeita à batalha pelo último lugar do pódio da classificação geral.
O primeiro momento decisivo ocorreu após o grupo com os principais corredores da classificação geral superar a inédita ascensão ao alto de Carvalhais, com a terra batida a aparecer no último quilómetro da contagem de montanha e na posterior ligação ao Monte Farinha, palco da subida final à Senhora da Graça.
Nessa fase, Adrià Pericas sofreu um furo, teve de trocar de bicicleta e perdeu, de imediato, meio minuto para os concorrentes diretos, diferença que se alargou para 03.31 minutos até à meta e que lhe custou a descida do terceiro para o quinto lugar.
A circunstância desencadeou a hipótese de Pedro Silva (Feira dos Sofás-Boavista), quarto no início da tirada, a 03.21 minutos de Guérin, e de José Neves, quinto, a 04.29 minutos, garantirem o lugar no pódio.
José Neves manteve-se na dianteira quando os homens da Anicolor-Campicarn atacaram a cerca de cinco quilómetros da meta a ganhou progressivamente tempo a Pedro Silva, mas o corredor de Barcelos limitou as perdas para o concorrente direto a 01.02 minutos, o suficiente para garantir, em princípio, o terceiro lugar final, por escassos seis segundos.
