Convencido de que a maior homenagem a prestar ao ciclista britânico Finlay Tarling, que morreu na sexta-feira, aos 19 anos, após colisão com um veículo ligeiro de mercadorias, em Ponte de Lima, é a realização da etapa entre Paredes e a Senhora da Graça, conforme expressou num comunicado publicado hoje, o ex-corredor de 42 anos sugeriu que o traçado vai ter impacto no futuro da prova.
“A mistura de sterrato, de componentes técnicos e duros, de sítios novos, para mim, é uma mais-valia para a corrida. Há ciclistas que não gostam, outros que gostam. Isso foi sempre assim. Tudo o que seja um extra para o espetáculo e desperte curiosidade dos que já seguem ciclismo e de outros que não seguem é bem-vindo e deve ser implementado”, disse à Lusa, em declarações proferidas antes da ocorrência que vitimou o galês da NSN Development Team.
A penúltima etapa da Volta de 2026 inclui terra batida no último quilómetro da ascensão ao Alto de Carvalhais e uma transição sem regresso ao asfalto até às imediações do santuário de Nossa Senhora da Graça, antes de os corredores descerem o Monte Farinha para o subirem mais tarde, nos derradeiros quilómetros do dia.
Vitorioso na Senhora da Graça numa etapa em que se envolveu numa fuga e aproveitou as suas qualidades técnicas para ganhar tempo nas descidas e conter as perdas nas subidas, Filipe Cardoso crê que o público em Mondim de Basto saberá homenagear Finlay Tarling, como aconteceu em Guimarães e em Fafe, já após a etapa ter sido neutralizada, ficando sem efeito para a classificação geral.
Aficionado do gravel, variante competitiva do ciclismo que congrega etapas em terra batida superiores a 100 quilómetros, mas que também é popular como modo de lazer, o antigo corredor, natural de Santa Maria da Feira, disse que já fez o reconhecimento do novo troço da Volta a Portugal.
“Aquilo está muito certinho. A terra está muito compacta. Está tudo muito lisinho, mas, mesmo com um bom piso, como é o caso, vão passar carros, vai andar público. A superfície é sempre mais escorregadia do que o alcatrão. Há uma parte do sterrato em subida e, depois, a ligação dessa montanha à Senhora da Graça continua a ser em terra”, descreve.
O troço onde Filipe Cardoso julga que é preciso a organização ter mais cuidado a nível de segurança estará um pouco mais à frente, quando os corredores descerem a encosta do Monte Farinha, já em asfalto.
“Como todos sabemos, é uma zona em que está sempre muita gente. Sei que a organização está a tratar disso. Vai ser preciso conter essas pessoas na descida, porque os ciclistas vão passar muito rapidamente nessa zona. É mais um extra de stress”, alerta.
O antigo corredor disse ainda esperar uma etapa “com stress” à mistura e perspetivou que, em condições normais, a classificação geral da Volta será decidida hoje, provavelmente entre os três primeiros: o camisola amarela, o francês Alexis Guérin (Anicolor-Campicarn), o russo Artem Nych (Anicolor-Campicarn), vencedor das edições de 2024 e 2025, e o espanhol Adrià Pericas (UAE Emirates).
Filipe Cardoso referiu também que “o ‘gravel é uma tendência recente em Portugal”, mas com “muitos adeptos” fora do país, que tem margem para crescer em solo luso.
“O gravel tem etapas como a Volta a Portugal, mas em terra batida. São etapas grandes, de 100 e tal quilómetros, 200 quilómetros, até 300 quilómetros em terra. Essa vertente competitiva de grandes eventos de gravel está a acontecer em todo o lado. Não tenho dúvidas de que Portugal está na calha. Temos zonas do país que têm tudo para acolher dos maiores eventos de gravel da Europa”, salientou.
Agora com 89 corredores, após a morte de Finlay Tarling e o abandono dos cinco homens que restavam na NSN Development Team, a 87.ª edição da Volta cumpre hoje o penúltimo dia, antes de terminar com a etapa entre Maia e Porto, de 136,9 quilómetros, no domingo.
