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Europeus de Atletismo: “Valeu a pena” regressar pela prata, disse Pedro Pichardo

Andy Díaz relegou Pichardo para a medalha de prata do triplo salto nos Europeus de atletismo
Andy Díaz relegou Pichardo para a medalha de prata do triplo salto nos Europeus de atletismoBen STANSALL / AFP / AFP / Profimedia

Pedro Pichardo assegurou este sábado que “valeu a pena” competir em 2026, incentivado pelos triunfos e declarações do italiano Andy Díaz, que hoje relegou o português para a medalha de prata do triplo salto nos Europeus de atletismo.

O português procurava em Birmingham juntar o cetro continental ao mundial e demonstrou-o com a melhor marca da época, no primeiro salto, a 17,76 metros, mas a liderança da final durou pouco, até Andy Díaz, bicampeão mundial indoor, empreender o quarto maior voo da história, no segundo ensaio, depois de um nulo.

O também italiano Andrea Dallavalle, vice-campeão mundial em Tóquio-2025, segurou o terceiro lugar, também com os 17,37 da primeira tentativa.

A competição ficou cedo arrumada com Díaz a prosseguir com 17,78 e dois nulos, depois de ter abdicado do quarto ensaio, enquanto Pichardo tentou responder, mas não foi além de 17,50 e 16,99, antes de abdicar dos restantes saltos.

Não foi pelo salto dele que eu abdiquei. Abdiquei porque os tornozelos não se comportaram bem hoje. Do nada, comecei a sentir umas dores no tornozelo, logo depois logo do primeiro salto. Se conseguiram reparar, o segundo, tecnicamente, também não foi muito bom. Não sei o que aconteceu, se me apoiei mal no primeiro, e o meu treinador mandou-me parar a partir do quarto salto”, justificou.

Pichardo, campeão europeu em Munique-2022, voltou a ter de se contentar com o estatuto de vice-campeão continental, atrás do quarto maior salto da história, depois de, em Roma-2024, ter sido batido pelo terceiro, pelo espanhol Jordan Díaz, com 18,18 – maiores só o recorde do mundo do britânico Jonathan Edwards (18,29, desde 1995) e os 18,21 do norte-americano Christian Taylor (em 2015).

Acho que foi uma boa competição. Pronto, o Andy fez um bom salto, historicamente um dos melhores no triplo. Os últimos dois Europeus têm tido grandes saltos e eu fico feliz e contente por ter contribuído para esses feitos. Para mim, é sempre um orgulho estar a saltar com bons saltadores”, reconheceu.

O campeão olímpico em Tóquio-2020 e vice em Paris-2024 insistiu que “estava feliz”, assegurando que a rivalidade com Andy Díaz se resume à competição

É uma rivalidade que já vem há muitos anos. Como todos sabem, nós todos nascemos em Cuba e conhecemo-nos desde lá, embora eles sejam de Havana e eu de Santiago de Cuba, é uma rivalidade dentro do estádio, depois, é tranquilo, na boa”, sublinhou.

O duas vezes medalhado olímpico, que tem 18,08 como recorde pessoal desde 2015, ainda como cubano, e os 18,04 com que conquistou a prata em Roma2024 como recorde nacional, partilhou o desejo de voltar a subir ao pódio, em Los Angeles-2028.

Estamos a tentar fazer de tudo para chegar bem aos Jogos Olímpicos Los Angeles-2028 e, pelo menos, lutar por uma medalha. É isso que queremos. Por isso, vamos escolher as competições, vamos tentar fazer menos competições possíveis, para poupar o corpo e chegar bem nos Jogos Olímpicos”, vincou.

O português admitiu que a sua presença em competições internacionais cria sempre a expectativa quando entra em competição: “Eu sei, mas também não se podem esquecer que o Pichardo está quase a aposentar-se, do triplo pelo menos”.

Embora tenha 33 anos e pareça jovem, já tenho mais de 25 anos a fazer atletismo e corpo não tem reagido muito bem nos últimos tempos, acho que precisa de descanso e que surjam outros atletas jovens também”, avisou.

Depois de na qualificação ter dito que tinha decidido competir devido às declarações de Andy Díaz, após a conquista do segundo título seguido de campeão mundial indoor, autoproclamando-se como o melhor, Pichardo assegurou que valeu a pena regressar.

Não ganhei, mas valeu a pena. Saio daqui com uma medalha, mais uma no meu currículo. E, eh, pá, estou feliz. Obviamente, eu sempre quero ganhar, como todos sabem, sempre digo que eu sempre quero ganhar. Mas também sou consciente que nem sempre se ganha. Hoje não foi o meu dia de vencer, mas estou contente. Já lhe dei os parabéns, porque foi uma boa prova”, concluiu.

Portugal soma agora seis medalhas em Europeus no triplo salto, tantas quantas na maratona, num registo apenas superado pelos 10.000 metros, com sete.

Além das duas pratas e do ouro de Pichardo, sagraram-se também campeões europeus Nelson Évora, em Berlim-2018, e Patrícia Mamona, em Amesterdão-2016, já depois de ter sido vice em Helsínquia-2012.