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Nesta cidade texana banhada pelo sol, os jogadores dos San Antonio Spurs cruzam-se frequentemente com adeptos no supermercado, convivendo facilmente com uma comunidade que acolheu a sua jovem equipa, que levou novamente a franquia às Finais da NBA.
Os Spurs estão por todo o lado nesta cidade de 1,5 milhões de habitantes, onde os latinos constituem a maioria da população.
O nome da equipa está presente nas montras de restaurantes, cafés e bares.
Pendões pretos e prateados esvoaçam nas varandas enquanto os residentes exibem orgulhosamente camisolas com o icónico logótipo do esporão.
No lado sul da cidade ergue-se uma figura gigante de 5,5 metros de Victor Wembanyama, inaugurada em 2023 – o ano em que o prodígio francês de 2,24m chegou ao Texas e transformou o destino da franquia.
Por toda a cidade de San Antonio, reina a confiança de que o sexto título da NBA está ao alcance, com os Spurs a prepararem-se para defrontar os New York Knicks esta madrugada, no primeiro jogo das Finais da NBA, 27 anos depois de terem vencido o mesmo adversário para conquistar o seu primeiro campeonato em 1999.
"Novos tempos"
"São novos tempos", afirma o músico Bobby Rivas, de 32 anos. "Sempre estivemos aqui, por isso vivemos a era do (Tim) Duncan, do (Manu) Ginobili e tudo isso. E agora estamos de volta. Sabe mesmo bem".
Bridgette Sanchez, 38 anos, membro da banda HoneyBunny juntamente com Rivas, concorda.
"É um novo capítulo", disse Sanchez. "Voltámos. É uma onda completamente nova. Adoramos o Wemby", acrescenta, referindo-se a Wembanyama pelo seu apelido mais usado.
Ricky Alvarado e Luis Ramos – dois empreiteiros e adeptos ferrenhos dos Spurs – fizeram parte do grupo familiar que construiu e instalou a figura gigante de "Wemby" à entrada da oficina da família.
Construída em madeira, reforçada com metal e repintada de tempos a tempos, a estátua é um testemunho da sua paixão pelo clube.
"Estou mesmo entusiasmado com isto", diz Alvarado. "Quero ver o que vão fazer. Temos uma boa equipa. Acho que estão a jogar com força".
A construção da estátua gigante de Wembanyama nasceu do "amor pelos Spurs".
"Só nos deu vontade de construir isto", afirmou.
Alvarado contou que, apesar de nunca ter conhecido Wembanyama pessoalmente, o francês é considerado parte da comunidade, tendo até visitado a estátua para a autografar – uma assinatura que acabou por ser apagada pela chuva.
"É bom vê-lo a interagir porque muitas estrelas querem afastar-se das pessoas", disse Alvarado. "Mas é bom vê-lo envolver-se na comunidade, a servir ativamente e, sabe, a querer estar aqui. Parece ser um bom homem. Tem bom coração".
Com o primeiro jogo das finais a pouco mais de 24 horas, a loja de recordações do Frost Bank Center – casa dos Spurs – estava cheia de adeptos à procura de camisolas.
O entusiasmo dos adeptos contagiou até as freiras salesianas da cidade, que passaram a usar camisolas dos Spurs por cima dos seus hábitos.
As freiras tornaram-se virais depois de publicarem vídeos a lançar ao cesto nos terrenos do convento.
Velas com fotografias de Wemby – retratando-o como uma figura quase santificada – também estão à venda em bares locais e lojas de recordações.
"Todos contribuem"
A chegada de Wembanyama, de 22 anos, projetou os Spurs para o palco mundial, mantendo o espírito simples da cidade e da sua equipa.
É esse espírito que figuras de referência como Duncan e Gregg Popovich – antigo treinador principal do clube e agora presidente – mantiveram ao longo de 29 épocas.
Os adeptos de longa data dos Spurs, Jim e Elsie Fellows, decoraram a entrada da sua casa com pendões e frases de apoio aos Spurs.
"É uma grande equipa. No topo está o Wemby; quando ele está em campo, tudo funciona melhor. Todos contribuem", diz Jim, de 55 anos.
Elsie, por sua vez, recorda ter assistido ao desfile da vitória após o título de 1999 e nunca duvidou de que Wembanyama se integraria perfeitamente em San Antonio.
"Achámos, depois de lermos sobre ele, que seria perfeito porque é mesmo humilde, e muitos jogadores dos Spurs continuam a ser locais", disse. "São muito humildes, vemo-los no HEB (supermercado), no centro comercial e é só um 'olá' e seguimos caminho, não os incomodamos. Ele é como parte da comunidade, é como um tipo normal. Mas no campo de basquetebol é fantástico".
