“Foi uma excelente etapa, de muita inteligência. Não dava para tirar melhor proveito”, disse à Lusa o antigo ciclista, radicado no Luxemburgo.
Almeida, de 24 anos, impôs-se a Thomas no final dos 203 quilómetros entre Sabbio Chiese e Monte Bondone, com os dois a cortarem a meta após 5:53.27 horas. O esloveno Primoz Roglic (Jumbo-Visma) foi o terceiro, a 25 segundos.
Nas contas da geral, o português, que já liderava a juventude, subiu a segundo, a 18 segundos do britânico da INEOS, que recuperou a camisola rosa, enquanto Roglic é terceiro, a 29.
Segundo Acácio da Silva, que venceu cinco etapas no Giro entre 1985 e 1989, Almeida mostrou nos últimos 20 quilómetros que estava “muito, muito forte”.
“Atacou um pouco, depois de a equipa impor ritmo. Fez algumas acelerações e vi-o muito, muito forte, muito convencido dele próprio. É isso que é preciso. A chegar lá em cima, não seria ele a levar tudo, o outro se quer ganhar o Giro, tem de trabalhar”, explica.
O outro, como lhe chamou, é Geraint Thomas, que se juntou ao português e com ele disputou um sprint a dois, perdendo para a superior ponta final do luso, que sucede a Ruben Guerreiro na lista de vencedores de etapas na corsa rosa, após o triunfo do amigo em 2020.
Antes, só Acácio da Silva tinha conseguido vencer em terras transalpinas, com a segunda parte da oitava tirada de 1985, em Matera, e, depois, a 10.ª etapa dessa mesma edição, na chegada a Paola.
No ano seguinte, venceu a nona etapa, em Rieti, e a 21.ª, em Bolzano, e fechou a conta pessoal no Monte Etna, em 1989.
“Depois de tantos anos, o João Almeida abrilhantou o palmarés português. O rapaz merece, estive com ele na Volta ao Luxemburgo (de 2021, que Almeida venceu). É bom para ele e para o ciclismo português. É muito, muito importante”, acrescenta.
Segundo o antigo ciclista, de 62 anos, que também venceu três etapas na Volta a França e é um dos mais consagrados nomes portugueses no panorama velocipédico internacional, falar-se de uma vitória na geral final “ainda está longe”.
“O Geraint Thomas, viu-se, quer ganhar o Giro. O que me surpreendeu um pouco foi o Primoz Roglic, que não respondeu ao ataque do João e depois do Thomas”, analisa.
Se o britânico “mostrou nível” para vencer o Giro, Acácio da Silva não duvida das possibilidades de João Almeida ainda “conseguir mais uma vitória em etapa” e pelo menos alcançar o pódio final, no domingo.
