Giro: Guillermo Silva fugiu ao caos e tornou-se o novo herói do Uruguai

Guillermo Silva assumiu a liderança da Volta a Itália
Guillermo Silva assumiu a liderança da Volta a ItáliaČTK / AP / Gian Mattia d'Alberto

Guillermo Thomas Silva (XDS Astana) entrou este sábado para a história do ciclismo uruguaio, com uma inédita subida à liderança de uma grande Volta, depois de triunfar na segunda etapa da Volta a Itália.

Se a primeira etapa tinha sido marcada por uma queda nos metros finais, hoje aconteceu a 23 quilómetros da meta, com o uruguaio a ser o mais forte num sprint num grupo mais pequeno, vencendo em 5:39.25 horas no final dos 221 quilómetros, entre Burgas e Veliko Tarnovo, na Bulgária.

Estou encantado. É apenas a minha segunda etapa no meu primeiro Giro e sou vencedor. É um pouco inesperado. Estou sem palavras. Sabia que chegava em boa forma, mas também sabia que é muito difícil vencer uma etapa numa grande Volta. Ter vencido nos primeiros dias vai dar-nos muita serenidade”, disse.

Primeiro uruguaio a vencer no Giro, Silva bateu por escassos centímetros o alemão Florian Stork (Tudor) e o italiano Giulio Ciccone (Lidl-Trek), liderando a 109.ª edição da corsa rosa com quatro segundos sobre o germânico e sobre o colombiano Egan Bernal (Netcompany INEOS), vencedor do Giro em 2021.

Vencedor da primeira etapa no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela em 2025, Guillermo Thomas Silva, de 24 anos, está a ter uma época de sonho, na qual já venceu duas etapas e a geral na Volta a Hainan, na China.

À semelhança do que tinha acontecido na primeira etapa, o espanhol Diego Pablo Sevilla (Polti VisitMalta) lançou-se na fuga, com o objetivo de manter a liderança da classificação da montanha, tendo desta feita, quase desde o arranque da tirada, a companhia do italiano Mirco Maestri, seu colega de equipa.

Os dois ciclistas andaram sozinhos na frente até 27 quilómetros do final e, pouco depois de serem apanhados, aconteceu o momento mais marcante da etapa, com uma queda coletiva no pelotão, aparentemente causada pelo chão molhado e por um ciclista da UAE Emirates e que vitimou mais de 20 corredores.

A equipa dos Emirados foi mesmo a mais penalizada, com a desistência do australiano Jay Vine e do espanhol Marc Soler, que foram transportados para o hospital, e com o britânico Adam Yates, que era a aposta principal para a geral, a perder mais de 13 minutos, terminando a etapa ensanguentado, com o colombiano Santiago Buitrago, líder da Bahrain-Victorius, a também desistir.

O português António Morgado, que tinha na sexta-feira somado segundos de bonificação e era uma das apostas para a tirada de hoje, também ficou afetado na queda, perdendo 7.04 minutos, com o dinamarquês Jan Christen a ser o único ciclista da UAE Emirates a não perder tempo.

Após a queda, o pelotão baixou o ritmo da corrida, à espera dos ciclistas afetados, com a direção da corrida a decidir mesmo neutralizar a etapa durante cerca de dois quilómetros para permitir a reentrada de grande parte dos corredores.

Quase logo no recomeço, Egan Bernal passou na frente do sprint bonificado, com a derradeira contagem de montanha do dia, no mosteiro Lyaskovets, a permitir os primeiros ataques dos candidatos à geral.

A 11,5 quilómetros do final, em plena subida de terceira categoria, o dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) atacou, com o italiano Giulio Pellizzari (Red Bull-BORA-hansgrohe) e o belga Lennert Van Eetvelt (Lotto Intermarché) a serem os únicos a conseguirem seguir o grande candidato ao triunfo final.

À entrada para o último quilómetro, Jan Christen ainda se juntou ao trio, mas a indecisão na frente permitiu que o pequeno pelotão os apanhasse, com Guillermo Silva, lançado pelo italiano Christian Scaroni, a vencer.

Entre os portugueses, Afonso Eulálio (Bahrain-Victorius) terminou na 57.ª posição, a 1.01 minutos de Silva, com Nelson Oliveira a ser 77.º, a 2.05, e António Morgado a concluir no 136.º, a 7.04.

Na geral, Eulálio é 52.º, a 1.11 minutos do topo, com Nelson Oliveira em 73.º, a 2.15, e António Morgado em 106.º, a 7.12.

No domingo, o Giro tem a sua última etapa na Bulgária, com 175 quilómetros entre Plovdiv e Sófia, num percurso com uma contagem de montanha de segunda categoria a cerca de 70 quilómetros da meta.