Giro: Apesar de já ser recordista, Nelson Oliveira ainda tem algo para aprender nas grandes

Nelson Oliveira vai participar no Giro
Nelson Oliveira vai participar no GiroJASPER JACOBS / BELGA MAG / BELGA VIA AFP

Nelson Oliveira vai concretizar o desejo antigo de regressar à Volta a Itália, com o ciclista da Movistar a garantir ainda ficar entusiasmado por alinhar em grandes Voltas apesar de já ser o recordista português.

“Fico sempre entusiasmado, é uma grande Volta, há sempre coisas novas, as etapas são sempre diferentes todos os anos. Acho que, mesmo sendo a 23.ª, há sempre algo a aprender e acho que aqui não vai ser exceção. Fico sempre com o bichinho de querer fazer mais e melhor”, confessou, em declarações à agência Lusa.

Aos 37 anos, o experiente corredor de Vilarinho do Bairro (Anadia) vai alinhar, a partir de sexta-feira, na sua 23.ª grande, regressando à Volta a Itália cinco anos depois para a sua quarta participação (também esteve na prova em 2012 e 2013).

“Este ano, o nosso líder, o Enric Mas, vai ao Giro e também foi um bocadinho opção da equipa ter-me lá. Também por gosto pessoal: a verdade é que nos últimos anos tenho querido fazer o Giro e a equipa estava sempre voltada para Tour e Vuelta. Este ano, deram-me essa oportunidade”, detalhou.

Nelsinho, como é conhecido no pelotão, fraturou a clavícula no final de fevereiro - caiu num treino e teve de ser operado – e esteve seis semanas parado, antes de regressar a bom nível n’O Gran Camiño, onde foi 11.º da geral.

“Sabia que a condição era boa, mas ao final as coisas até acabaram por correr bem e acho que me deu o ritmo indicado para estar nas melhores condições agora no Giro. Este ano, optei por não fazer estágio de altitude também para ter melhor qualidade de treino em casa. Depois da queda, também não fazia muito sentido, pois não ia recuperar da melhor maneira”, explicou.

Oliveira acredita estar “num bom momento de forma” para enfrentar “um Giro não tão duro como se tem visto em outros anos” e em que o contrarrelógio, com mais de “40 quilómetros totalmente planos ao lado do mar”, será a etapa na qual “haverá mais diferenças”.

O primeiro objetivo do veterano da Movistar para a edição que começa na sexta-feira, em Nessebar, na Bulgária, é “chegar a Roma”, onde a corsa rosa termina em 31 de maio.

“E, depois, lá está, ajudar sempre a equipa naquilo que eles me pedirem. Sabem que podem contar sempre comigo e que vou estar ali ao lado deles para dar o meu melhor pela equipa. E, quem sabe, gostava de levantar os braços, mas isso todos sabemos que é difícil. Mas também não é impossível, estou lá. Vou fazer com que seja possível. São 21 etapas para tentar e chegar a Roma são e salvo”, avançou.

Apesar de ter corrido pouco com Enric Mas este ano, o quatro vezes campeão nacional de contrarrelógio acredita que o seu companheiro pode estar na discussão pelo top 3 na sua estreia na prova italiana, até porque “já demonstrou anteriormente que tem capacidade para estar num pódio numa grande Volta” ao ser três vezes vice-campeão da Vuelta (2018, 2021 e 2022).

“É um dos favoritos a estar no pódio. Pelo que ele me disse, tem treinado bem, está com boas sensações. É certo que tem corrido pouco, mas fez uma boa preparação em altitude e acho que está motivado e nós também o vamos ajudar para que isso aconteça”, disse, notando, contudo, que o crono irá custar “um bocadinho” ao espanhol.

Com nove presenças no Tour e 10 na Vuelta no currículo, Oliveira não tem dúvida sobre quem será o vencedor da 109.ª Volta a Itália.

“Será muito difícil, acho eu, (alguém) estar ali lado a lado com (Jonas) Vingegaard. Sabemos que é o principal favorito, sem dúvida, e neste caso vamos ver quem está para fazer segundo e terceiro. Acho que este é o vencedor do Giro ainda sem começar. Mas, claro, são 21 etapas e muitas coisas acontecem no Giro, como se viu noutros anos”, destacou.

O duas vezes diplomado olímpico lamentou a ausência do compatriota João Almeida, “um corredor que certamente iria fazer falta no pelotão” e que “ia lutar pela geral”, mas congratulou-se por ter a companhia do estreante António Morgado (UAE Emirates) e do repetente Afonso Eulálio (Bahrain Victorious).

“É sempre bom quando vamos para uma grande Volta e temos a presença de corredores portugueses e, neste caso, jovens que acho que podem dar alguma alegria neste Giro”, rematou.