Giro: Afonso Eulálio regressa para ajustar contas e lutar por uma etapa

Afonso Eulálio vai participar no Giro
Afonso Eulálio vai participar no GiroSILVIA COLOMBO / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Afonso Eulálio regressa à Volta a Itália para ajustar contas, com o ciclista português da Bahrain Victorious a assumir que quer lutar por uma etapa numa edição a que chega com a “preparação perfeita”.

“É um ajuste de contas. É ver se fecho algo que deixei aberto o ano passado”, confirmou à agência Lusa o jovem figueirense, ainda em trânsito para Nessebar, na Bulgária, onde na sexta-feira arranca a 109.ª edição do Giro.

Afonso Eulálio estreou-se na corsa rosa no ano passado e até deu nas vistas, ao coroar em solitário o Mortirolo, uma das mais icónicas e difíceis subidas da Volta a Itália, mas dois dias depois do seu feito, durante a 19.ª etapa, desistiu.

“Tínhamos decidido com a equipa já no início do ano fazer esta grande Volta, também um pouco por isso, para voltar e ver se este ano, pelo menos, termino. (...) Como (a desistência) foi já perto do fim, era quase só mais uma etapa dura e depois a etapa de Roma para festejar… acabou por não ser o ideal não acabar, sendo tão perto do fim”, reconheceu.

A dois dias de alinhar pela segunda vez numa corrida de três semanas, o ciclista de 24 anos garante não estar ansioso, dizendo estar “até relaxado demais”.

“Este ano acabámos por fazer as coisas totalmente diferentes, acabámos por nos focar bastante no Giro, por fazer uma preparação perfeita: treinar, correr quando tínhamos que correr. O ano passado foi um bocado, digamos, como o Totoloto ou um sorteio: era ir ali, depois ir acolá, acabei por não fazer altitude”, comparou.

O corredor da Bahrain Victorious sabe que “as coisas foram todas preparadas”, pelo que confia que vai “estar bem, a um bom nível”, embora confesse que os seus objetivos “ainda não estão totalmente delineados”.

“Mas, para mim, vai ser desligar completamente da corrida e ir por uma etapa. Decidi não escolher nenhuma etapa mesmo. Vamos ver sempre como é que está a corrida, ler como é que está a corrida e ler também como é que eu vou evoluindo ao longo do Giro e basicamente decidir na manhã antes ou no dia antes”, explicou.

Ao contrário de ciclistas que gostam “de escolher etapas e dizer ‘esta é para ti, esta é para o outro’", Eulálio prefere avaliar as suas hipóteses com o desenrolar da corrida, até porque as oportunidades não dependem só de si.

“Dependem das outras equipas, dependem das minhas pernas, como se está e como não está”, enumerou.

O figueirense sabe, contudo, que “às vezes” terá de estar ao lado de Santiago Buitrago, o líder da Bahrain Victorious, nomeadamente “quando não for para a fuga ou não tentar fazer algo”, definindo essa missão como “normal dentro da equipa”.

Embora o colombiano aspire à geral, Eulálio considera que não haverá ninguém capaz de impedir Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) de subir ao lugar mais alto do pódio em 31 de maio, em Roma.

“Foi pena o João Almeida ter ficado de fora”, lamentou, revelando qual seria o seu “pódio perfeito”: Vingegaard, Buitrago e Giulio Pellizzari (Red Bull-BORA-hansgrohe).

O antigo campeão nacional de fundo no escalão sub-23 (2022) ainda não estudou “bastante” o percurso da 109.ª edição da ‘corsa rosa’, mas acredita que o contrarrelógio da 10.ª etapa será “muito decisivo” por ser “muito longo” – são 42 quilómetros planos.

Após ter sido o único representante luso na sua estreia em grandes Voltas, Eulálio mostrou-se contente por ter a companhia de António Morgado (UAE Emirates) e do “incrível” Nelson Oliveira (Movistar).

“O Morgado é jovem como eu e também um pouco ofensivo, pode ser que seja engraçado estarmos os dois um dia numa fuga. E, depois, ter o experiente Nelson, o capitão… Vai ser bom ter os dois aqui comigo”, concluiu.