Giro: Sete chegadas em alto mas menos dureza num percurso em que crono será decisivo

A apresentação do Giro d'Itália
A apresentação do Giro d'ItáliaMASSIMO VALICCHIA / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Sete chegadas em alto e um desnível acumulado de 49 mil metros prometem desafiar os ciclistas na 109.ª Volta a Itália em bicicleta, que, apesar das polémicas, partirá da Bulgária e terá o Blockhaus como subida mais emblemática.

Embora privada das suas montanhas mais icónicas, como o Zoncolan, o Mortirolo ou o Stelvio, à edição da corsa rosa que arranca na sexta-feira em Nessebar, na Bulgária, não faltarão dificuldades, distribuídas por cinco etapas de alta montanha e seis de média, além de um contrarrelógio de longos 42 quilómetros.

Pelo segundo ano consecutivo e pela 16.ª vez na sua história, o Giro partirá do estrangeiro, no caso da Bulgária, palco das três primeiras etapas, reservadas essencialmente a sprinters – à exceção da segunda, em que há uma contagem de montanha de terceira categoria a uma dezena de quilómetros da meta.

Grande Partenza búlgara chegou, contudo, a estar em risco, devido à instabilidade política no país, à insatisfação das equipas, apreensivas com os elevados custos da deslocação e o desnecessário desgaste para os ciclistas, e aos problemas logísticos e de infraestruturas, nomeadamente os atrasos na construção de estradas.

Mas, na sexta-feira, o pelotão vai mesmo partir daquele país para 3.469 quilómetros até Roma, onde em 31 de maio será coroado o sucessor do já retirado Simon Yates.

Será já em Itália, onde a caravana chega apenas à quarta etapa, após usufruir do primeiro de três dias de descanso em 11 de maio, que os ciclistas enfrentarão as primeiras grandes dificuldades, mais concretamente na sétima tirada, que termina no alto do Blockhaus após inexplicáveis 244 quilómetros, uma distância inusual em etapas de montanha de grandes Voltas.

Esta será a primeira de sete chegadas em alto deste Giro, com a meta a coincidir com uma contagem de montanha de primeira categoria, a que os corredores vão chegar após 13,6 quilómetros de subida com uma pendente média de inclinação de 8,4%.

Dois dias depois, os candidatos à vitória final terão novo teste na chegada a Corno alle Scale, também de primeira categoria, antes de uma nova jornada de descanso que antecede o crono entre Viareggio e Massa.

Os 42 quilómetros de luta individual contra o cronómetro prometem marcar diferenças vincadas na classificação geral, tal como a 14.ª etapa, que promove o regresso de Pila ao traçado da corsa rosa após três décadas de ausência.

Em 133 quilómetros de permanente sobe e desce e 4.350 metros de desnível acumulado, o pelotão enfrenta três contagens de montanha de primeira categoria, a última das quais a coincidir com a meta instalada naquela subida clássica dos anos 80 e início dos 90.

Após a quarta de cinco etapas vocacionadas para sprinters e do derradeiro dia de descanso, há nova chegada em alto em Carì, de primeira categoria, antes de um novo respiro que antecede dupla jornada montanhosa nas vésperas da coroação do vencedor em Roma.

A 19.ª etapa toca o teto deste Giro, no Passo Giau, uma categoria especial situada a 2.305 metros de altitude, ao longo dos seus 151 quilómetros nos Dolomitas, que incluem seis contagens de montanha, quatro delas de segunda categoria, estando a última instalada na meta em Piani di Pezzè.

Na penúltima jornada, os últimos acertos na classificação geral serão feitos em Piancavallo, onde Tao Geoghegan Hart venceu em 2020 rumo ao seu triunfo na prova italiana. Este ano, a montanha de primeira categoria que coincide com a meta será escalada duas vezes em pouco mais de 60 quilómetros.

Em 31 de maio, Roma acolherá os resistentes da 109.ª edição, para a qual partem três portugueses: o recordista Nelson Oliveira (Movistar), o repetente Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) e o estreante António Morgado (UAE Emirates).