Giro: Só um azar poderá impedir a anunciada vitória de Jonas Vingegaard

Ciclista Jonas Vingegaard
Ciclista Jonas VingegaardJOSEP LAGO / AFP

A baixa de João Almeida deixou Jonas Vingegaard sem adversários à altura no Giro, com o ciclista dinamarquês a preparar-se para completar a trilogia de grandes Voltas numa edição sem candidatos claros aos restantes lugares do pódio.

Incontestável favorito desde que revelou que iria estrear-se na corsa rosa, o corredor da Visma-Lease a Bike perdeu no espaço de horas três importantes adversários, sendo o principal João Almeida, o português da UAE Emirates que derrotou na última Volta a Espanha e que vai falhar o seu principal objetivo da temporada por não estar a 100%.

Após as anunciadas baixas do melhor voltista nacional da atualidade e dos clássicos Richard Carapaz (EF Education-EasyPost), vencedor em 2019 e terceiro classificado no ano passado, e Mikel Landa (Soudal Quick-Step), terceiro em 2015 e 2022, Vingegaard viu o seu estatuto ainda mais reforçado, com a sua vitória na 109.ª Volta a Itália a ser quase uma certeza.

Apenas um azar poderá impedir o dinamarquês de 29 anos, campeão do Tour em 2022 e 2023, de tornar-se no oitavo ciclista da história a conquistar as três grandes, juntando-se a Jacques Anquetil, Felice Gimondi, Eddy Merckx, Bernard Hinault, Alberto Contador, Vincenzo Nibali e Chris Froome.

O principal motivo de interesse deste Giro, que arranca na sexta-feira, em Nessebar, na Bulgária, será, portanto, a luta pela presença nos degraus mais baixos do pódio final de Roma, em 31 de maio.

Candidatos não faltam, a começar pelos antigos vencedores Jai Hindley (2022) e Egan Bernal (2021), com o primeiro a comandar uma Red Bull-BORA-hansgrohe em que o promissor Giulio Pellizzari também poderá ter uma palavra a dizer.

Sexto na passada edição da corsa rosa, uma posição que repetiu na Vuelta, o italiano de 22 anos dividirá a liderança com Hindley, tal como Bernal fará com Thymen Arensman na rebatizada Netcompany INEOS.

Ainda sem conseguir regressar ao nível que o levou a conquistar também o Tour 2019, num percurso interrompido por um terrível acidente que o afastou sete meses da estrada, o colombiano de 29 anos procurará melhorar o sétimo lugar em 2025, enquanto o neerlandês tentará superar os sextos postos de 2023 e 2024.

Também forte é o bloco da Lidl-Trek, no qual pontificam Derek Gee, o canadiano que foi quarto no ano passado, e o sempre combativo Giulio Ciccone, o rei da montanha da edição de 2019 – um título que conquistou igualmente no Tour 2023.

Contra si a equipa alemã poderá ter, no entanto, o facto de estar em duas frentes de batalha, já que no seu oito está Jonathan Milan, vencedor da classificação por pontos do Giro em 2023 e 2024, anos em que ganhou quatro etapas.

Camisola verde do último Tour, o italiano é provavelmente o melhor sprinter do pelotão mundial, um estatuto que terá de comprovar frente a Paul Magnier (Soudal Quick-Step), Kaden Groves (Alpecin-Premier Tech), Arnaud de Lie (Lotto Intermarché) ou Dylan Groenewegen (Unibet Rose Rockets).

Sem Isaac del Toro, o vice de 2025, entre os seus eleitos, a UAE Emirates deverá lutar por etapas, nomeadamente com o estreante português António Morgado, mas também pelo pódio com o experiente Adam Yates, recente vencedor d’O Gran Camiño e irmão do ainda vigente campeão, o já retirado Simon Yates.

Tão favorito ao top 3 como o terceiro classificado do Tour 2023 é o australiano Ben O’Connor (Jayco AlUla), segundo na Vuelta em 2024, o mesmo ano em que foi quarto na prova italiana.

Entre os candidatos estão também, embora num segundo plano, o espanhol Enric Mas (Movistar), o três vezes vice-campeão da Vuelta que conta com o apoio do experiente Nelson Oliveira, o austríaco Felix Gall (Decathlon), quinto no Tour 2025, ou o duo da Bahrain Victorious.

Apesar de ser o colombiano Santiago Buitrago o líder designado da equipa do luso Afonso Eulálio, que repete presença no Giro, não se pode descartar o italiano Damiano Caruso, o vice-campeão em 2021 e quinto no ano passado que se despede da corsa rosa nesta edição.