"Não há certezas absolutas. Mas penso que tenho capacidade para fazer coisas bonitas", afirmou o ciclista de 19 anos, o mais jovem a alinhar à partida desde 1937, numa conferência de imprensa com alguns meios de comunicação, incluindo a AFP, no centro de performance da sua equipa Decathlon CMA CGM em La Motte-Servolex, perto de Chambéry.
- O vídeo em que anunciou na segunda-feira a sua participação no Tour de France aos seus avós foi muito partilhado, como surgiu a ideia desta comunicação?
- Foi preparado com a equipa. Tencionava anunciar aos meus avós e era realmente uma bela oportunidade. Ficaram muito felizes, como se pôde ver. Era um sonho de criança poder fazer o Tour e contar-lhes. A cada ano que passa, eles envelhecem um pouco mais. Estou muito contente por poderem testemunhar isto.
- Este anúncio foi também um alívio depois de semanas de especulação?
- Sim, porque era uma pergunta que surgia constantemente e para a qual não tinha resposta. Não era confortável. Tomar uma decisão e anunciá-la permite avançar, no fundo. Já tínhamos pensado nisso há bastante tempo. Via que estava a evoluir. Mas a prioridade era perceber como as minhas capacidades de recuperação estavam a desenvolver-se. No Dauphiné do ano passado, senti muitas dificuldades no final. Agora, senti que dei um passo em frente nesse aspeto. No Tour do País Basco, consegui terminar relativamente fresco, apesar de ter sido muito duro todos os dias. A partir desse momento, considerámos que todas as etapas estavam validadas. A decisão já estava tomada antes das Ardenas. Mas decidimos anunciar só depois.
- Diz que não vai ao Tour apenas para conhecer. Quais são os seus objetivos?
- Não estabeleci um objetivo concreto além de dar realmente o meu melhor. Na primeira semana, ainda estarei num esforço que conheço. Depois, vai ser uma espécie de descoberta. Portanto, veremos como corre. Espero brilhar. Não há certezas. Mas penso que tenho capacidade para fazer coisas bonitas.
- Vai apontar para a classificação geral ou para vitórias em etapas?
- Para já, a ideia é conseguir a melhor classificação geral possível. Portanto, não haverá estratégia de perder tempo nas primeiras etapas.
- A pressão mediática promete ser intensa, isso assusta-o?
- Gerimos bem isso com a equipa, não é um problema, mesmo sabendo que no Tour será inevitavelmente maior. Quanto aos protocolos (de entrega de camisola), se houver, já estamos bastante habituados desde o início da época. Fiz o protocolo em todas as corridas, exceto no primeiro dia (do Tour) do Algarve. Portanto, estamos bem preparados.
- No fundo, sente algum nervosismo?
- Não, penso que não tenho pressão. Estou contente por poder fazer o Tour. É um sonho de criança. Vou aproveitar o momento. É certo que vai ser duro. Isso faz parte do Tour. Mas não tenho medo disso.
- Como gere a sua nova fama?
- Gero isso sem problema. A equipa protege-me bem. Estou na minha bolha. Não me deixo levar. É verdade que há muitas coisas. Mas não ligo muito. Preparo-me mais para o que aí vem e não tanto para o que está à volta.
- Quais são as suas primeiras recordações do Tour de France?
- Os meses de julho em que víamos o Tour (com o meu avô). Ia pedalar de manhã e via o Tour à tarde. Era mesmo o melhor mês das férias. E poder passar para o outro lado do ecrã é realmente especial. Todos sabemos que o Tour é outra dimensão. Vai haver pessoas à beira da estrada para apoiar os franceses, para me apoiar. Vai ser algo excecional de viver e é preciso aproveitar ao máximo.
