Ciclismo: Os destaques da primeira semana do Giro

Afonso Eulálio está na frente da corrida
Afonso Eulálio está na frente da corridaReuters

Partindo da Bulgária, o Giro viveu, como é habitual, uma primeira semana muito agitada. Eis o nosso primeiro balanço.

Alto

Afonso Eulálio

O português protagonizou um grande feito e, mesmo sem vencer uma etapa, a sua prestação é digna de destaque. Limitou as perdas no Blockhaus e perdeu parte da vantagem conquistada na fuga da 5.ª etapa. Também com dificuldades no domingo, na subida de Corno alle Scale, o ciclista da Bahrain-Victorious aguentou-se para terminar a apenas 41 segundos de Vingegaard.

Paul Magnier

Duas etapas e a Maglia Rosa: o francês mostrou ser o melhor sprinter desta primeira semana do Giro, à frente de Jonathan Milan, nada menos do que isso. Sem a queda de Dylan Groenewegen no final em Nápoles, o ciclista da Soudal Quick Step poderia até ter conquistado um terceiro triunfo. Capaz de voltar a montar e terminar em terceiro depois de ter parado, Magnier assinou uma exibição tão impressionante como nos seus êxitos búlgaros.

Jonas Vingegaard

Vencedor no Blockhaus com grande classe, vencedor em Crono alle Scale com menos brilho mas igual eficácia: Jonas Vingegaard mantém-se na linha das suas prestações do início da época. Mais ofensivo do que no passado, o dinamarquês ainda não veste rosa, mas deverá voltar a causar estragos à concorrência no contrarrelógio desta terça-feira, em que não se lhe vislumbra qualquer rival à altura.

UAE - Team Emirates XRG

O início do Giro foi marcado por uma autêntica hecatombe, com três abandonos na mesma queda, incluindo o líder Adam Yates. Apesar disso, a formação dos Emirados já venceu por três vezes, com Jhonatan Narvaez (em Cosenza e em Fermo) e Igor Arrieta (em Potenza), no final de uma etapa improvável, com uma queda e uma saída de estrada que não impediram de alcançar Afonso Eulálio, também ele vítima de acidente e já sem forças nos últimos metros. A UAE-Team Emirates XRG já conseguiu salvar amplamente um Giro que parecia comprometido logo à partida.

Baixos

As chegadas na Bulgária e em Nápoles

Fica a dúvida se os organizadores têm noção do perigo ou se simplesmente desligaram o senso de responsabilidade. O triplo desafio na Bulgária expôs falhas de antecipação, com quedas e sustos enormes, em chegadas que já não se viam desde a Volta à Polónia há alguns anos.

Nesta primeira parte do Giro, duas chegadas ao sprint aconteceram em paralelo com pavimento de cidade. Com a humidade e a chuva, por que não juntar um pouco de sabão também? Em Nápoles, o strike era inevitável. A saúde dos ciclistas não está minimamente assegurada e até surpreende não ter havido um protesto coletivo.

Giulio Pellizzari

O italiano tentou seguir Vingegaard no Blockhaus, mas não conseguiu acompanhar o ritmo do dinamarquês e cedeu um quilómetro depois, antes de ser alcançado e ultrapassado por Felix Gall, autor de uma excelente primeira semana. Isso refletiu-se também no domingo, na subida para Corno alle Scale. Logo nas primeiras rampas, Pellizzari deu sinais de fraqueza e perdeu 1'28 na meta. Não foi o pior cenário, mas não inspira confiança quando ainda faltam duas semanas de corrida. Na geral, está a 2'51 de Vingegaard.