Tour: Esperava-se a vitória de Pogacar, mas tetracampeão preferiu dar a etapa a Del Toro

Tadej Pogacar ofereceu vitória na etapa a Isaac del Toro
Tadej Pogacar ofereceu vitória na etapa a Isaac del ToroColin Flockton / Alamy / Profimedia

Tadej Pogacar ofereceu este domingo a segunda etapa da Volta a França a Isaac del Toro, com o estreante ciclista mexicano a mostrar-se incrédulo perante a benesse do seu líder, que encurtou diferenças para a amarela de Jonas Vingegaard.

Confesso fã do seu companheiro, o tetracampeão do Tour cortou a meta, no final dos 168,5 quilómetros entre Tarragona e Barcelona, abraçado ao mexicano de 22 anos, numa inédita dobradinha da UAE Emirates em etapas da prova francesa, concretizada diante de Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe) e do dinamarquês da Visma-Lease a Bike, respetivamente, terceiro e quarto com as mesmas 03:40.01 horas do vencedor.

“Não consigo acreditar no que fiz, é de loucos”, disse um feliz Del Toro, o vice do Giro2025 para quem vencer uma etapa no Tour “significa tudo”, sobretudo depois de ter estado a mais de dois minutos do pelotão devido a uma troca de bicicleta.

Segundo mexicano a ganhar da Grande Boucle em 113 edições, após Raúl Alcalá, que conquistou duas etapas em 1989 e 1990, o ciclista da UAE Emirates não se esqueceu da importância do feito para o seu país, nem de agradecer aos companheiros de equipa, que estiveram demolidores nas subidas a Montjuïc, denunciando um eventual ataque de Pogacar que nunca aconteceu.

Apesar de ter abdicado do triunfo na segunda etapa, o esloveno reduziu para seis segundos a diferença para Vingegaard, que tem agora 15 de vantagem para Evenepoel e 16 para Del Toro, novo quarto classificado e líder da juventude, à frente do espanhol Juan Ayuso (Lidl-Trek).

A jornada começou atribulada, com uma queda ao quilómetro sete a apanhar vários ciclistas, inclusive Biniam Girmay (NSN), vencedor da classificação por pontos no Tour2024, ou Dorian Godon (Netcompany INEOS), cujo companheiro Kévin Vauquelin furou pela segunda vez em dois dias.

Ainda antes destes percalços, já Frank van den Broek (Picnic PostNL), Felix Engelhardt (Jayco AlUla) e Alex Molenaar, da convidada Caja Rural, andavam em fuga, consolidando uma vantagem que rondou os quatro minutos.

Quando a UAE entrou ao trabalho, a margem dos fugitivos caiu abruptamente, nomeadamente na contagem de segunda categoria instalada em Begues, que deixou em dificuldades Bini, mas também Arnaud De Lie, o irregular líder da Lotto Intermarché, cuja presença neste Tour esteve mesmo em dúvida devido a uma alegada virose e que foi último na etapa.

A fuga, reduzida então a Engelhardt e Molenaar, acabou a 32 quilómetros da meta, já depois de Del Toro ser obrigado a parar para trocar de bicicleta e ter de esperar pelo segundo carro da UAE Emirates, já que o primeiro passou pelo mexicano sem o ver e o obrigou a recuperar mais de dois minutos para o pelotão.

Numa jornada de inúmeros furos, Paul Seixas (Decathlon), a maior esperança francesa para vencer o Tour em mais de quatro décadas, foi uma das vítimas, recebendo primeiramente a bicicleta do colega Aurélien Paret-Peintre antes de trocá-la para a sua suplente.

O jovem de 19 anos voltou ao pelotão já dentro do circuito final, que incluía três ascensões à colina de Montjuïc nos derradeiros 30 quilómetros, que a UAE Emirates abordou a ritmo acelerado para gáudio da multidão que aguardava pelos corredores.

O sufocante ritmo imposto por Brandon McNulty deixou vários ciclistas em dificuldade, nomeadamente Vauquelin, o sétimo classificado da passada edição que perdeu quase sete minutos e disse adeus à luta pela geral.

A cerca de quatro quilómetros da meta, o regressado Tiesj Benoot substituiu os corredores da equipa de Pogi, selecionando o grupo, numa tentativa de antecipar o ataque de Seixas.

A iniciativa do belga durou pouco, mas condenou Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier Tech), um dos favoritos à vitória na etapa de hoje.

Tobias Halland Johannessen (Uno-X) foi o primeiro dos homens da geral a atacar, para pronta resposta de Richard Carapaz (EF Education-EasyPost), com a iniciativa do norueguês a provocar um corte no grupo dos candidatos, reforçado por uma aceleração de Mattias Skjelmose (Lidl-Trek), alcançado já dentro do derradeiro quilómetro.

O tão antecipado ataque de Pogacar não chegou, com a etapa a ser decidida num restrito sprint entre os homens mais fortes do pelotão, em que o mexicano procurou a autorização do esloveno para ganhar e recebeu-a, aparentemente incrédulo.

O tetracampeão ofereceu a vitória ao seu estreante colega, abdicando mesmo dos preciosos segundos de bonificação que lhe teriam permitido ficar ainda mais perto de Vingegaard, o seu vice nas edições de 2021, 2024 e 2025.

“Acabou por ser um dia decente, não foi um dia fácil. Este circuito não é um dos meus favoritos. (...) Posso estar feliz por manter a camisola amarela”, reconheceu o líder da Visma-Lease a Bike, que considerou que Del Toro e a UAE mereceram a vitória hoje, por terem feito “um ótimo trabalho”.

A correr em casa, Ayuso perdeu três segundos, tal como Seixas, Johannessen, Lenny Martinez (Bahrain Victorious) ou Thomas Pidcock (Pinarello Q36.5), enquanto o terceiro classificado da passada edição, o alemão Florian Lipowitz (Red Bull-BORA-hansgrohe), cedeu mais 10 segundos e já está a 45 da amarela.

Na segunda-feira, a terceira etapa deverá ligar Granollers, ainda em Espanha, a Les Angles, numa jornada de 195,9 quilómetros que marca a incursão em território francês e que deverá ser encurtada devido a um incêndio de grandes dimensões no percurso.