Volta a França: Vingegaard reencontrou-se com a amarela após vencer Pogacar no primeiro round

Vingegaard cumpriu o crono em 21.47 minutos e deixou o seu eterno rival Pogacar a 12 segundos
Vingegaard cumpriu o crono em 21.47 minutos e deixou o seu eterno rival Pogacar a 12 segundosČTK / imago sportfotodienst / Tomas Sisk

Jonas Vingegaard derrotou este sábado Tadej Pogacar, no round inaugural do Tour2026, com o ciclista dinamarquês a vestir a amarela pela primeira vez desde 2023 após garantir o triunfo no crono por equipas à Visma-Lease a Bike.

Enquanto outras equipas foram perdendo peças ao longo dos 19,6 quilómetros de exercício coletivo nas ruas de Barcelona, a formação neerlandesa manteve-se unida tanto quanto pôde, permitindo ao vencedor em título do Giro e da Vuelta concluir apenas o trabalho dos seus companheiros.

Campeão da Grande Boucle em 2022 e 2023, Vingegaard reencontrou-se hoje com a amarela “da maior corrida do mundo”, que não envergava desde que subiu ao pódio final como vencedor há três anos, depois de ter superado o tempo do especialista Filippo Ganna, que garantiu o segundo lugar na tirada para a Netcompany INEOS, a oito segundos.

Diria que é o início perfeito. O Tour ainda é longo, mas (...) os meus colegas fizeram um trabalho incrível hoje, estiveram muito fortes. Para ser honesto, não tive de fazer quase nada”, reconheceu o sempre humilde dinamarquês, que cumpriu o crono em 21.47 minutos e deixou o seu eterno rival Pogacar a 12 segundos.

O esloveno, o bicampeão em título que procura igualar os recordistas de triunfos (cinco) no Tour, teve a ajuda do estreante Isaac del Toro até ao quilómetro final, mas não conseguiu melhor do que o terceiro lugar para a sua UAE Emirates.

A organização da Volta a França decidiu inovar e converteu o contrarrelógio por equipas num exercício individual: hoje, era o primeiro ciclista a cortar a meta a ditar a vitória coletiva, ao contrário do foi habitual durante décadas, em que o registo dos vencedores era estabelecido quando três corredores da mesma formação terminassem a etapa.

A inovação desta edição desvirtuou esta especialidade, que não abria o Tour desde 1971, e resultou em diferenças, em alguns casos significativas, entre os candidatos à geral logo na etapa inaugural: Vingegaard tem Ganna e Pogacar, respetivamente, a oito e 12 segundos, com Juan Ayuso (Lidl-Trek) a ser quarto, a 16, e Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe) a ocupar a quinta posição, a 19.

Pior fizeram o colega do belga Florian Lipowitz, terceiro na passada edição, que foi oitavo a 35 segundos, e o prodígio francês Paul Seixas (Decathlon), o ciclista mais jovem a participar no Tour desde 1937, aos 19 anos e 283 dias, que perdeu 39.

O que se constatou na estrada foi que as novas regras pareceram confundir as equipas, com a Movistar a hesitar quando o líder Cian Uijtdebroeks descolou a três quilómetros da meta, já depois de Nelson Oliveira, o único ciclista português presente na 113.ª Grande Boucle, ter ficado para trás.

O recordista luso de presenças em grandes Voltas (24) perdeu 02.23 minutos, enquanto o seu jovem chefe de fila belga cedeu 01.53, mesmo tem sido auxiliado posteriormente por Pablo Castrillo e Jefferson Cepeda.

O novo modelo condenou logo à partida Ben O’Connor, o vice da Vuelta2024 que perdeu o contacto com os seus companheiros da Jayco AlUla a seis quilómetros da meta e ficou a distantes 04.33 minutos do vencedor.

Antes da exibição de Vingegaard e da sua Visma, quem mais impressionou foi a Netcompany INEOS, absolutamente impiedosa na missão de tentar levar Ganna à amarela, mostrando-se mesmo indiferente perante as dificuldades de Thymen Arensman, o quarto classificado do Giro2026.

O voador italiano, vigente campeão nacional de crono, título que conquistou pela sétima vez, estabeleceu um meteórico tempo na meta, que talvez tenha impressionado o sempre impulsivo Evenepoel.

Ao contrário dos restantes candidatos à geral, o belga assumiu desde o início a tarefa de impor o ritmo na Red Bull-BORA-hansgrohe, colocando em dificuldades, na fase final, Lipowitz.

Apesar do esforço do atual tricampeão mundial e campeão olímpico da especialidade foi a Lidl-Trek a aproximar-se mais do tempo de Ganna antes da chegada da Vingegaard, com a formação alemã a decidir mesmo não esperar por Mattias Skjelmose, o seu plano B para a geral.

Ayuso, que é já o melhor jovem na sua estreia no Tour, foi rebocado por Mathias Vacek nos quilómetros finais, mas falhou por apenas sete segundos a demanda de vestir, na sua cidade natal, a camisola amarela, irrepreensivelmente conquistada por Vingegaard, a uma média de 53,986 km/h.

Após uma jornada em que os três antigos campeões presentes na 113.ª edição subiram ao pódio para vestir camisolas – Pogacar é o rei da montanha e Egan Bernal, da INEOS, o líder por pontos -, Vingegaard irá defender a liderança da geral no domingo, na segunda etapa, que percorre 168,5 quilómetros entre Tarragona e Barcelona, ainda em território espanhol, e inclui três subidas a Montjuïc, num circuito popularizado pela Volta à Catalunha.

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