Aos 27 anos, Pogi igualou os cinco triunfos dos franceses Jacques Anquetil e Bernard Hinault, do belga Eddy Merckx e do espanhol Miguel Induráin, deixando definitivamente para trás o britânico Chris Froome, novamente único tetracampeão da história do Tour.
O ciclista da UAE Emirates foi absolutamente arrasador na edição que terminou este domingo em Paris, ganhando cinco etapas e deixando o segundo classificado, o belga Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe) a distantes 06.26 minutos.
Muito mudou na carreira de Pogacar desde que, em 2020, se tornou no segundo ciclista mais jovem de sempre a vencer a Volta a França; um dia antes de cumprir 22 anos, o esloveno subiu pela primeira vez ao degrau mais alto do pódio em Paris, depois de ter roubado o triunfo final ao compatriota Primoz Roglic no contrarrelógio da véspera.
Essa seria a vitória mais curta – apenas 59 segundos - das cinco do líder da UAE Emirates, que viu o seu reinado ameaçado por um discreto dinamarquês, capaz de ser segundo logo na estreia no Tour, embora a cinco minutos.
Bicampeão em título, Pogacar era o incontestável favorito para o Tour2022, mas Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) simplesmente destruiu-o no Col du Granon, onde o esloveno naufragou como aconteceria no ano seguinte no Col de la Loze.
Depois dessa estrondosa derrota, marcada pelo famoso "I’m gone, I'm dead", o esloveno soube que tinha de reinventar-se e mudou o treino para tornar-se imbatível.
Em 2024, já depois de conquistar o Giro, chegou ao Tour igualmente insaciável, consumando a dobradinha e ganhando seis etapas como tinha feito na corsa rosa.
No ano passado, voltaria a derrotar facilmente Vingegaard na luta pela amarela final, com a desistência do dinamarquês, devido a uma queda, a tornar ainda mais simples o triunfo nesta edição.
Agora, o também recordista de vitórias na classificação da juventude, com quatro, integra a galeria de ilustres onde estão Anquetil (1957, 1961, 1962, 1963 e 1964), Merckx (1969, 1970, 1971, 1972 e 1974), Hinault (1978, 1979, 1981, 1982 e 1985) e Induráin, o único com cinco vitórias consecutivas (1991 a 1995).
Ambicioso como poucos, embora reiteradamente negue estar atento a recordes, Pogacar quererá conquistar, pelo menos, mais uma Volta a França, para ganhar pontos na discussão sobre quem é o melhor ciclista de sempre, ele ou Merckx, que ainda se mantém um distante recordista de dias de amarelo (111).
No entanto, há outro recorde não oficial que o esloveno poderá querer alcançar: o de sete triunfos de Lance Armstrong, apagados do palmarés do Tour devido ao recurso do norte-americano àquele que foi descrito como “o programa de doping mais sofisticado, profissionalizado e bem-sucedido da história do desporto".
“Ele sabe qual é o recorde”, lançou Armstrong no seu podcast durante esta edição da Grande Boucle.
Com apenas 27 anos, não seria de estranhar que o absolutamente dominador Pogacar apontasse efetivamente aos sete triunfos do banido norte-americano, que se impôs na estrada entre 1999 e 2006.
Outro recorde a que o popular Pogi pode aspirar é o de vitórias em etapas no Tour, pertença de Mark Cavendish, que quando chegou às 35 antecipou mesmo que o esloveno, que tem agora 26 triunfos, iria bater a sua marca.
