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Ciclismo: Morte de Finlay Tarling marca o pior dia na história da Volta a Portugal

Finlay Tarling morreu aos 19 anos
Finlay Tarling morreu aos 19 anosNSN

A morte de Finlay Tarling, ciclista britânico de 19 anos, na sequência de um acidente ocorrido esta sexta-feira, tornou a oitava etapa da 87.ª Volta a Portugal em bicicleta no pior dia da quase centenária história da competição.

Sensivelmente a meio da tirada entre Melgaço e Fafe, de 166,8 quilómetros, o corredor da NSN Development Team seguia na retaguarda do pelotão, em Arcozelo, no concelho de Ponte de Lima, quando colidiu com uma viatura ligeira de mercadorias alheia à caravana da corrida.

O alerta para o acidente foi dado às 15:30 e a confirmação da morte às 17:00, já após a etapa ter sido suspensa nos derradeiros 20 quilómetros, entre Guimarães e Fafe.

O entusiasmo que brindara os corredores ao longo da tirada, repleta de incerteza quanto ao sucesso da fuga do dia, deu lugar aos aplausos respeitosos das muitas centenas de pessoas que se posicionaram no centro de Guimarães, no alto da Penha e na chegada a Fafe para aplaudirem os ciclistas, à medida que ficavam a par da tragédia que se acometera do jovem corredor oriundo do País de Gales.

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O pelotão seguiu compacto até cruzar a meta na Praça 25 de Abril, encabeçado pelos cinco corredores da equipa suíça ainda em prova: o espanhol Alvaro García, o australiano Zac Marriage, o canadiano Bem Morin, o dinamarquês Emil Nielsen e o australiano Alex Hewes.

Qualquer que fosse a camisola que envergavam, os ciclistas ostentavam semblantes carregados, com alguns a mostrarem uma expressão visivelmente emocionada, como o português Diogo Barbosa (Tavira-Crédito Agrícola).

Muito aplaudida pelas pessoas que se aglomeravam junto à meta, a caravana prestava assim uma singela homenagem a um corredor com um breve currículo, que ambicionava seguir as pisadas do irmão Josh, um dos principais contrarrelogistas do mundo, que, aos 22 anos, já alcançou um quarto lugar na prova olímpica de crono, em Paris-2024.

Nascido em Ffos-y-ffin, no oeste do País de Gales, Finlay cumpriu formação na Bélgica, ao serviço da Flanders Colorgalloo, e nos Países Baixos, pela Willebrord Wil Vooruit, antes de assinar pela Israel Premier Tech Academy, em 2025, a antecessora da suíça NSN Development Team.

O contrarrelógio é a especialidade onde tendia a notabilizar-se, com um terceiro lugar no campeonato britânico sub-23, realizado em 25 de junho, e aos resultados alcançados nesta Volta a Portugal, a primeira ocasião em que correu em solo luso.

O galês foi 11.º classificado no prólogo de Lisboa, em 05 de agosto, e 15.º no contrarrelógio individual entre Anadia e Águeda, na segunda-feira, antes do trágico acidente que lhe retirou precocemente a vida.

Até à confirmação da morte de Tarling, a etapa desenrolou-se como esperado, com um ataque de sete corredores em Paredes de Coura, a constituir a base da principal fuga do dia, que incluiu depois mais dois corredores.

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Essa fuga incluía José Neves (GI Group Holding-Simoldes-UDO), quinto classificado da geral, pelo que o pelotão, liderado ora pela Anicolor-Campicarn, ora pela Aviludo-Louletano-Loulé, nunca permitiu uma diferença superior a 1.30 minutos.

Em Braga, Afonso Silva (Tavira-Crédito Agrícola) e Hugo Nunes (Credibom-LA Alumínios-MarcosCar) adiantaram-se aos restantes elementos da frente em busca da vitória na etapa, até se aperceberem que algo ensombrava o dia e abrandarem na passagem por Guimarães.

Confrontado com a morte de um dos seus membros e com os riscos que o desporto encerra, o pelotão seguiu a um ritmo fúnebre até à meta, enquanto retempera as forças para os dias dias que restam, com final na Senhora da Graça e no Porto.