Camisola amarela em 2024, com 01.23 minutos de vantagem sobre o suíço Colin Stüssi (Vorarlberg), o vencedor de 2023, e no ano transato, com uma diferença de 01.15 para Alexis Guérin, colega de equipa, o russo, de 31 anos, salienta que o percurso de 1.430 quilómetros, que, a partir de quarta-feira e 16 de agosto, vão ligar Lisboa a Porto, está “muito diferente”, podendo criar-lhe mais dificuldades.
“O percurso está muito diferente dos anos anteriores. Estou habituado a ter o contrarrelógio no final e, este ano, temos um a meio da corrida. Mas estamos prontos para os desafios. As duas passagens na Senhora da Graça também vão ser muito exigentes e desafiantes, e a etapa da Torre vai ser mais dura, com mais acumulado. Sinto que vai ser a Volta mais difícil que fiz nos últimos anos”, afirmou Nych, em resposta a questões enviadas pela Agência Lusa.
A ascensão à Torre, através das Penhas da Saúde, ao longo de 21,8 quilómetros, é a quinta e última contagem de montanha da quarta etapa, no domingo, com uma altimetria de 4.040 metros, acima dos 3.381 metros de 2025, e antecede o contrarrelógio individual, na segunda-feira, que liga Anadia e Águeda, num traçado de 17,4 quilómetros.
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Vencedor do crono que encerrou a Volta de 2024, em Viseu, e segundo no do ano seguinte, em Lisboa, onde cimentou a liderança da Volta, o bicampeão vai deparar-se, neste ano, com uma etapa em linha no último dia, entre Maia e Porto, logo após a tirada da Senhora da Graça, marcada pela inédita ascensão dupla do Monte Farinha, em Mondim de Basto, que pode mudar as contas da corrida.
“Há muitos outros momentos importantes antes, mas vai ser uma etapa muito desafiante, que pode trazer complicações mecânicas e furos. A Senhora da Graça pode mudar por completo ‘o jogo’, mas a Volta tem 11 dias de corrida, e, por isso, tudo pode acontecer”, salienta.
Agradado com o seu momento físico, numa época em que estagiou com a Anicolor-Campicarn na Sierra Nevada, na região espanhola da Andaluzia, Nych promete apenas dar “o melhor”, recusando pensar na hipótese de se tornar o terceiro ciclista a triunfar na Volta em três edições consecutivas, após o português Joaquim Agostinho (1970 a 1972) e o espanhol David Blanco (2010 a 2012).
“Não gosto de criar expectativas. Prefiro pensar que tenho de dar o meu melhor em cada etapa. Já estou habituado a ter bastante pressão sobre mim. Se, no final, a junção de tudo resultar em vitória, então o objetivo principal foi cumprido”, esclarece.
O corredor siberiano, nascido em Kemerovo, realça, no entanto, que a equipa dirigida por Rúben Pereira está preparada para “dar tudo” e “voltar a ganhar”, num pelotão com “muitos bons atletas” que podem disputar a vitória na classificação geral, embora tenha recusado apontar os nomes dos principais concorrentes.
Com um palmarés que inclui um título de campeão de fundo na Rússia, em 2021, quando ainda corria ao serviço da Gazprom-RusVelo, antes da extinção da equipa no ano seguinte, após a invasão em larga escala da Ucrânia, Nych congratula-se ainda com a presença da UAE Emirates, única formação do escalão WorldTeams na Volta.
“É muito bom ter uma das melhores equipas do mundo a correr a Volta. Ter adversários assim vai ajudar-me a testar-me e a dar tudo em cada etapa. Competir com os melhores do mundo é muito bom”, enaltece.
A 87.ª edição da Volta a Portugal começa na quarta-feira, em Lisboa, com um prólogo de 6,5 quilómetros, e reúne um pelotão de 119 ciclistas na lista de pré-inscritos, distribuídos por 17 equipas, 10 portuguesas e sete estrangeiras.
