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Volta: As declarações dos protagonistas da terceira etapa

Rui Oliveira
Rui OliveiraNUNO VEIGA/LUSA

Declarações no final da terceira etapa da 87.ª Volta a Portugal em bicicleta, que decorreu hoje entre Beja e Elvas, ao longo de 182,2 quilómetros:

Leangel Linarez (vencedor da etapa):

“Foi um final mais que perfeito. No último quilómetro, houve um contratempo com a queda, mas sabia que o Matias ia à frente. Nos últimos metros, vi que tinha pernas e decidi arrancar para cruzar a meta no primeiro lugar.

Quero agradecer ao padre Camilo (das Neves), que veio ter connosco ao hotel. Recebemos a sua bênção. Agora temos este prémio. Estivemos todo o ano a fazer vários segundos lugares. O meu companheiro, (João) Matias, foi segundo. Agradeço o imenso trabalho da equipa.

Toda a equipa carregava este amuleto (prateado ao peito, em forma de cruz). Estivemos à procura da vitória por toda a época. Tivemos vários azares. A Volta a Portugal começou com azar. Eu furei (o pneu) numa subida da primeira etapa”.

João Matias (segundo na etapa):

“Acredito que sim (crucial para a vitória de Leangel Linarez). Além do trabalho de hoje, é o trabalho de vários anos consecutivos, é o trabalho de bastidores que ontem (sexta-feira) fiz, com o Leangel no quarto. Sabemos que somos uma dupla que, nos sprints, tem muita conexão. Somos uma dupla que temos conseguido várias vitórias na Volta a Portugal.

Estudámos esta chegada quase ao milímetro: eu, o Gustavo (Veloso, diretor desportivo) e toda a equipa. Transmitimos a todos o melhor que podíamos fazer e não poderia ter saído mais perfeito.

Há a aproximação em que o César Martingil faz uns metros. Esperei pelo Rui Oliveira e apanhei a roda dele. Tenho pena de o Rui não ter vencido ainda, mas hoje a vitória tinha de cair para nós. Notei nos últimos metros que vinha um ciclista para me passar. Quando dei conta que era o Leangel, saiu-me um peso enorme de cima. Fazer primeiro e segundo (na etapa) é algo muito especial. 

Felizmente, o padre Camilo esteve connosco há dois dias. Tenho um carinho enorme pelo padre Camilo. Foi o padre que me casou, foi o padre que batizou o meu filho e é o padre que vai batizar a minha filha, em setembro. Tenho uma ligação muito especial com ele.

Há dois anos, apanhei covid-19 na Volta. Tive de abandonar. No ano passado, tive uma queda onde fraturei vértebras, mas consegui terminar. Desde que fui pai, não consigo cumprir uma semana de treino a 100%. Tenho 35 anos. Não sei quando vai terminar a minha carreira, mas, se terminasse hoje, estaria satisfeito”.

Rui Oliveira (quinto na etapa e líder da classificação geral):

“Tento todos os dias. Hoje foi mais um. Foi uma chegada muito caótica. Aquela queda complicou um bocadinho as coisas. Depois, o (César) Martingil e o João (Matias) estavam na frente. Taticamente, estiveram perfeitos, porque o João deixou que eu fizesse o trabalho todo para fechar o César. Faltavam 500 metros e tinha de continuar a arriscar. Nos últimos 100, o João passa-me e o Linarez (ganha). Só tenho de lhes dar os parabéns, porque foram mais fortes.

Amanhã (domingo) vai ser um dia especial. Vai ser o último dia em que vou envergar esta camisola. Vou tentar desfrutar ao máximo, porque já é um 'sonho' estar com ela vestida. Então chegar ao ponto mais alto de Portugal, à primeira etapa mítica da Volta, vai ser muito especial. Sou muito afortunado por ter o apoio que tenho tido nesta Volta.

Amanhã, é dia de deixar para outras equipas a responsabilidade. Não sei muito bem qual vai ser a dinâmica. Vamos quilómetro a quilómetro, a tentar salvar um bocadinho as pernas até ao início da Covilhã. Vou dar o máximo pelo Adrià (Pericas), que assim o merece, e desfrutar ao máximo do público até à Torre”.

Oscar Rota (líder da classificação da montanha):

“Amanhã é a etapa rainha, diria. O meu objetivo será manter a camisola azul. Daremos tudo para ajudar a equipa. Tinha a camisola assegurada e decidimos guardar forças para amanhã. 

O objetivo é estar na fuga. Não será fácil, porque há muita gente perto do líder (da classificação geral). Se a fuga não chegar ao fim, vou tentar ajudar os meus companheiros”.

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