Após o quinto lugar na chegada a Bragança e o segundo em Viseu na edição de 2025, o corredor de Medellín estreou-se a vencer em solo luso em 26 de março, na chegada a Montemor-o-Novo, para a Volta ao Alentejo de 2026 e deu continuidade a esse êxito no Algarve, ao superar a concorrência na etapa que ligou Sines e Albufeira, ao longo de 180,4 quilómetros.
Após uma ligeira subida a anteceder o derradeiro quilómetro, o pelotão lançou-se para a descida que antecedeu a reta da meta, na Avenida dos Descobrimentos, e o sprinter de 28 anos pedalou no limite os últimos 300 metros, ultrapassando Tomas Connte (Aviludo-Louletano-Loulé) e contendo o esforço final do espanhol de 24 anos, que já fora segundo em Queluz.
“Achei, sim, que tinha ganhado, mas o ciclista da Burgos-Burpellet-BH lançou os braços e fiquei um bocado na dúvida. Por dentro, já sabia que tinha ganhado”, confessou aos jornalistas o ciclista que representa equipas lusas desde 2023, após vencer a segunda etapa da 87.ª edição da Volta.
A observação do foto-finish mostrou que a roda dianteira da bicicleta de Mesa estava ligeiramente à frente da de Cavia, numa chegada em que Connte foi terceiro, Xabier Isasa (Euskaltel-Euskadi) quarto, o vencedor de quinta-feira, Francisco Campos (Tavira-Crédito Agrícola), foi quinto e o camisola amarela, Rui Oliveira (UAE Emirates), sexto.
Face à regularidade exibida nas duas chegadas ao sprint, Daniel Cavia ascendeu à liderança da classificação por pontos, com 40, circunstância que, ainda assim, não apaga a frustração de ter ficado a milímetros da vitória.
“É complicado gerir isto. São dois dias muito perto da vitória. Esperemos que amanhã (sábado) estejamos perto da vitória, mas a ganhar. Vamos continuar a tentar”, assumiu o espanhol de 24 anos, trajado com a camisola laranja.
A segunda mais longa tirada da corrida terminou como se esperava, numa tarde soalheira cujos principais animadores foram o líder da classificação da montanha, Oscar Rota (Feira dos Sofás-Boavista), Adam Lewis (APS Pro Cycling by Team Cadence Cyclery), Jose Gutiérrez (Óbidos Cycling Team) e Bernardo Campaner (Meridian Racing p/b de La Uz).
O quarteto iniciou a fuga do dia ainda em Sines e criou diferença para o resto do pelotão que chegou a atingir os 03.40 minutos, sensivelmente a meio da tirada, antes de o pelotão encurtar distâncias.
Essa margem permitiu aos corredores da frente discutirem as três metas volantes do dia, com o espanhol da Meridian Racing p/b de La Uz a impor-se em Almograve, na Zambujeira do Mar e em Lagos, e a única montanha do dia, uma contagem de terceira categoria em Odeceixe, que Oscar Rota aproveitou para consolidar a posse da camisola azul, agora com 10 pontos.
Após as descolagens de Gutierrez e de Campaner, o espanhol da Feira dos Sofás-Boavista e o inglês da APS Pro Cycling by Team Cadence Cyclery colaboraram para levar a fuga a bom porto, mas sem sucesso, face ao trabalho das equipas com a chegada ao sprint na mira.
A UAE Emirates, a Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua, a Aviludo-Louletano-Loulé sucederam-se na frente do pelotão para diminuir o atraso para os fugitivos, algo que aconteceu de forma acentuada nos derradeiros 25 quilómetros, até Rota e Lewis serem alcançados a seis quilómetros da meta.
Pelo meio, a cerca de 65 quilómetros do final, deu-se uma queda no pelotão, que envolveu os portugueses Francisco Campos, vencedor de quinta-feira, Tiago Antunes (Efapel), sétimo da classificação geral, e Emanuel Duarte (Credibom-LA Alumínios-MarcosCar).
No final de etapa, o líder da classificação geral e campeão olímpico em Paris-2024 prometeu tentar de novo concretizar o sonho de vencer uma etapa da Volta no sábado, dia em que os 117 corredores do pelotão cumprem a distância diária mais longa (182,2 quilómetros), entre Beja e Elvas.
