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Vuelta: Enric Mas afasta rótulo de perdedor com “melhores pernas” da carreira

Enric Mas venceu a primeira grande Volta da carreira, em Espanha
Enric Mas venceu a primeira grande Volta da carreira, em EspanhaLex CáMara / Zuma Press / Profimedia

Enric Mas encontrou as “melhores pernas” da carreira na fase final de uma temporada que parecia discreta para vencer a primeira grande Volta da carreira, em Espanha, e afastar o rótulo de perdedor na alta roda do ciclismo.

Após os modestos 24.º lugar na Volta a Catalunha, 32.º na Volta a Itália, 12.º na Volta a Suíça e quinto na Volta a Burgos, o espanhol, de 31 anos, regressou este ano à Vuelta com probabilidades baixas de se sagrar vencedor, atendendo à presença do melhor ciclista da atualidade, o esloveno Tadej Pogacar (UAE Emirates).

Ultimamente afastado dos desempenhos prometedores de 2018 a 2022, o corredor da ilha de Maiorca nem sequer partia para a corrida iniciada em 22 de agosto como principal candidato ao segundo lugar, pela maior cotação de Primoz Roglic (Red Bull-BORA-hansgrohe), tetracampeão da Vuelta, ou de Félix Gall (Decathlon), segundo na Volta a Itália deste ano.

Vencedor de cinco edições da Volta a França, de um Giro, e de 13 edições de Monumentos do ciclismo, Pogacar demonstrou cedo que estava à parte do restante pelotão, ao vencer três das seis primeiras etapas e ao elevar a vantagem para a restante concorrência para cima de três minutos.

Na terceira dessas etapas, com meta em Castelló de la Plana, Enric Mas conseguiu o feito inimaginável de recuperar cerca de 45 segundos para o bicampeão mundial na última subida desse dia, até ao alto de El Bartolo, com ambos a seguirem juntos até à meta, onde Pogacar se impôs ao sprint.

Apelidado várias vezes de corredor defensivo e de perdedor, com um currículo que incluía apenas uma vitória em etapas de grandes voltas, precisamente na Vuelta de 2018, Enric Mas deu a entender, nesse dia, que era o segundo melhor corredor em prova.

Dois dias depois, em 29 de agosto, o corredor da Movistar ascendeu, de forma inédita na carreira, à liderança da prova, após uma queda numa etapa plana deixar Pogacar com fraturas na clavícula esquerda e na vértebra cervical C7, frustrando-lhe a ambição de se tornar o nono ciclista a vencer Giro, Tour e Vuelta.

Após os 03.50 minutos de desvantagem para o esloveno se esfumarem, Mas recusou envergar a camisola vermelha em sinal de respeito para com o adversário e salientou a intenção de provar que a merecia vestir, algo que fez no dia seguinte, ao vencer uma das etapas mais duras da corrida, no alto de Aitana.

Após ganhar tempo para Roglic e Gall, os concorrentes mais diretos, o maiorquino nascido em 07 de janeiro de 1995 disse que se sentia com “as melhores pernas da carreira” e mostrou ser o melhor ciclista da Vuelta pós-Pogacar e acentuou a vantagem para os rivais em quase todas as etapas de montanha da Andaluzia, perdendo apenas tempo para Roglic no contrarrelógio e para Gall na penúltima tirada.

Quando cruzou o topo de Collado del Alguacil, no sábado, Mas colocou as mãos no capacete, como se não acreditasse no que lhe estava acontecer, e confessou que era “a primeira vez na vida que se estava a sentir assim”, “realmente feliz”, num trajeto marcado por fracassos e infortúnios.

Formado no Club Ciclista Sepelaco – Castillo de Onda, na Comunidade Valenciana, e na Specialized – Fundación Alberto Contador, o trepador rumou, em 2016, à Klein Constantia, equipa de desenvolvimento da Quick-Step, e conquistou as primeiras vitórias como profissional nesse ano, na Volta ao Alentejo e na Volta a Sabóia-Monte Branco, em França.

O ano de 2018, ao serviço da Quick-Step, marca a sua afirmação no WorldTour, com o inédito segundo lugar na Vuelta, que repetiria em 2021 e em 2022, e a conquista de três classificações da juventude, que o deixaram na calha para ser um dos melhores voltistas da década seguinte e para suceder a Alejandro Valverde e a Alberto Contador como figura de proa do ciclismo espanhol.

Mas continuou a prometer com a vitória no Tour de Guangxi, na China, em 2019, e com o quinto lugar no Tour de 2020, o primeiro ganho por Pogacar, mas esse trajeto ascendente estagnou a partir de 2023, salvando-se, como exceção, o terceiro lugar na Vuelta de 2024.

Afetado por uma tromboflebite na segunda metade de 2025, o maiorquino iniciou a presente temporada com a ambição de regressar ao pódio de uma grande volta, algo que logrou no seu país, de forma categórica, pese a desistência do principal favorito.

Além de quebrar um hiato em grandes Voltas com que a Espanha se deparava há 11 anos, desde que Contador venceu o Giro de 2015, a ascensão de Mas à liderança deu também uma nova vida à Movistar, equipa há muito tempo arredada da discussão das principais corridas do pelotão internacional, que apresentou um desempenho tático exemplar desde que o seu líder passou a envergar a camisola vermelha.

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