“Foi apenas uma consequência de todo o trabalho feito e, sem dúvida, foi recompensador. Ser o mais medalhado não é todos os dias, não é? É uma concretização de um trabalho diário feito e que acabou da melhor forma”, recorda, em entrevista à agência Lusa.
Há oito anos, na terceira edição dos Jogos Olímpicos da Juventude e na última disputada antes de Dakar-2026, Montez integrou a equipa Europa 1 que conquistou o ouro na estafeta mista, constituída ainda pelo italiano Alessio Crociani, a suíça Anja Weber e a dinamarquesa Sif Bendix Madsen, após ter iniciado a competição com a prata na prova individual.
“Eu ter calhado logo nesse ano já era um privilégio. É uma oportunidade única na vida. Se eu tivesse nascido um ano antes ou um ano depois, provavelmente já não tinha apanhado essa altura, portanto ainda mais único é por causa disso”, nota.
Os Jogos Olímpicos da Juventude são um evento multidesportivo criado pelo Comité Olímpico Internacional para jovens atletas até aos 17 anos, pelo que são poucos os desportistas que se podem congratular com a coincidência entre a sua idade e a data em que estes são organizados.
“Eu nunca fui a uns Jogos Olímpicos mesmo a sério, mas acredito que seja o mais aproximado que estive disso, em termos de experiência. De estar em contacto com outros atletas famosos também de outras modalidades, de todos os cantos do mundo”, começa por descrever.
Agora com 24 anos e dedicado ao ciclismo, lembra coisas da sua estadia de três semanas na Argentina, como as passagens pelo refeitório da Aldeia Olímpica, onde se cruzou com personalidades do desporto até mais velhas que integravam as comitivas, ou a visita às imediações do La Bombonera, estádio do Boca Juniors.
“A minha prova foi logo na primeira semana, salvo erro, e, depois, tive mais duas semanas para desfrutar realmente da experiência, até ver outras modalidades. O futsal feminino, que também conquistou a medalha de ouro, se não me engano. Assistir a isso ao vivo também foi único. Também me estou a recordar agora do andebol de praia, que também foi medalhado de prata”, enumera.
Para Alexandre Montez, Buenos Aires-2018 é “uma recordação que fica para sempre” e algo que só “se vive uma vez na vida e tem que se desfrutar enquanto se está lá”, com o ciclista que esta temporada representou a Feirense-Beeceler a apontar as subidas ao pódio como os melhores momentos.
“É o descarregar de muita emoção e o acumular de muito trabalho, e ter conseguido finalizar da melhor forma possível foi um alívio, sem dúvida. Conseguir subir ao pódio foi um dos melhores momentos que podia ter. Também recordo que, na altura, fui o porta-estandarte na Cerimónia de Encerramento e também foi um momento único ter-me sido dado esse privilégio”, afirma.
As duas medalhas não o mudaram enquanto pessoa, mas Montez admite que passou a ser mais conhecido do público.
“Sentia que as pessoas olhavam para mim de outra forma, com outros olhos, porque o que eu consegui alcançar naquela edição foi excecional. (É) uma coisa que não acontece todos os dias e sentia que havia uma forma diferente das pessoas olharem para mim”, completa.
Contudo, e apesar do percurso bem-sucedido no triatlo, Montez acabou por decidir centrar-se em apenas um dos três segmentos da modalidade.
“Senti que precisava de mudar qualquer coisa e depois surgiu essa oportunidade de entrar no mundo do ciclismo profissionalmente. E agarrei-a com unhas e dentes, como se costuma dizer. E foi uma transição natural. Também o ciclismo sempre foi uma coisa que eu sempre gostei mais, mesmo quando fazia triatlo”, justificou à Lusa.
Após cinco temporadas (e uns meses) como ciclista profissional, o duplo medalhado em Buenos Aires-2018 garante que não se arrepende da troca.
“São coisas ponderadas, não são coisas assim de um dia para o outro. E, portanto, se teve que ser é porque tinha que ser e não me arrependo nada disso. Acho que foi uma boa escolha para a minha carreira e para a minha vida pessoal também”, sustentou.
