"Eu também quase adormeci", brincou o brasileiro Gabriel Bortoleto (Audi), quando um jornalista lhe disse em tom de piada que vários colegas tinham adormecido durante o Grande Prémio.
O recém-inaugurado Madring, na capital espanhola, proporcionou, de facto, uma corrida sonolenta cujo único momento de emoção foi um carro de segurança virtual (VSC) que apanhou de surpresa o britânico Lando Norris (McLaren), então na liderança, facilitando a vitória ao italiano Kimi Antonelli (Mercedes).
O circuito, que se estreou este ano no calendário da F1, oferece muito pouco espaço para ultrapassagens e, consequentemente, limita o espetáculo.
"Se tentares ultrapassar, há 80% de probabilidade de entrares em contacto com o teu adversário, por isso isso não incentiva a tentar nada. Acho que é preciso modificar algumas curvas para criar mais oportunidades de ultrapassagem", afirmou o italiano Antonelli.
Uma opinião partilhada pelo britânico Oliver Bearman (Haas): "É divertido conduzir neste circuito numa volta lançada, mas não é um traçado para lutar numa corrida".
O francês Pierre Gasly (Alpine), por sua vez, defendeu a alteração da chicane na curva número cinco, tal como o tailandês Alex Albon (Williams).
"Não é um grande traçado"
"Bastariam duas ou três alterações para resolver o problema, porque não é um mau circuito; é agradável conduzir aqui, mas como vimos, em corrida é bastante aborrecido", concluiu.
Norris foi mais crítico: "Não é um grande traçado. Serve para a qualificação, mas deviam eliminar as curvas 18 e 19, que são inúteis, para criar uma reta mais longa que proporcionasse oportunidades de ultrapassagem e tornasse a corrida mais interessante".
O Grande Prémio foi, no entanto, um sucesso de público, com a presença de 353.000 espectadores ao longo do fim de semana, entre os quais várias celebridades como muitos futebolistas, o ex-tenista Rafael Nadal ou o ator Patrick Dempsey.
O rei Filipe VI de Espanha também assistiu à corrida antes de entregar o troféu de vencedor a Kimi.
Os promotores de Madring, circuito semiurbano que serpenteia em redor da Ifema, o recinto de feiras da capital espanhola, e situa-se perto do centro de treinos do Real Madrid e do aeroporto de Madrid, assinaram um contrato de 10 anos com a F1, garantindo um lugar no calendário até 2035.
