Hernán Trimarchi, que testemunhou no julgamento contra sete profissionais de saúde por possíveis negligências fatais, traçou, tal como outros peritos em audiências anteriores, um quadro de cuidados deficientes em torno do ídolo do futebol argentino em novembro de 2020.
Maradona morreu devido a uma paragem cardiorrespiratória e a um edema pulmonar, durante uma hospitalização domiciliária cuja pertinência, condições e acompanhamento estão a ser questionados neste julgamento.
O especialista, que integrou uma comissão médica que analisou a morte de Maradona, explicou que os rins do astro "pesavam muito" e apresentavam lesões associadas a um historial de obesidade, consumo de cocaína e hipertensão.
Nesse contexto, "o fundamental era controlo médico diário, enfermagem diária, um hemograma e a medição dos sinais vitais", afirmou Trimarchi. No entanto, referiu que não encontrou "qualquer colheita de sangue" nos documentos da hospitalização domiciliária.
"Se a tensão arterial começa a subir, o peso começa a subir, então, aqui temos de agir", sublinhou Trimarchi.
O testemunho antecedeu o do toxicologista Carlos Damin, que também fez parte da comissão médica. Na sua declaração, este alertou para a necessidade de monitorizar a função renal, hepática e cardíaca de Maradona devido aos psicofármacos que o antigo futebolista recebia.
Os medicamentos que a antiga estrela tomava "eram metabolizados no fígado e eliminados pelos rins, além de que grande parte desta medicação pode provocar algum tipo de afeção cardíaca".
Damin referiu que é necessário que, para receber estes fármacos, o paciente tenha "uma boa função renal".
Médicos, enfermeiros e um psicólogo estão a ser julgados por homicídio com dolo eventual pela morte de Maradona, uma figura jurídica que implica que tinham consciência de que as suas ações e omissões podiam conduzir à morte do antigo futebolista.
O ídolo morreu a 25 de novembro de 2020 enquanto estava a cumprir uma hospitalização domiciliária após uma neurocirurgia em Tigre, a norte de Buenos Aires.
Todos os arguidos mantêm a sua inocência. Uma oitava arguida, uma enfermeira, será julgada num processo separado. O julgamento, que começou em abril, já contou com mais de 60 testemunhas e deverá prolongar-se pelo menos até setembro.
