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Exclusivo Flashscore: O pedido de um argentino a Vozinha para alcançar um recorde do Guinness

Nicolás Abot, durante a entrevista, com o seu inseparável mate
Nicolás Abot, durante a entrevista, com o seu inseparável mateFlashscore

Numa entrevista exclusiva ao Flashscore, Nicolás Abot contou a sua história: tem 41 anos, passou por 43 clubes de 14 países e já marcou golos em quatro continentes. Para completar o seu desafio, precisa de jogar em África e marcar aí. Por isso, fez um pedido especial ao guarda-redes Vozinha: que o ajude a contactar a sua ex-equipa em Cabo Verde.

"Vozinha, preciso que envies uma mensagem à tua ex-equipa em Cabo Verde para cumprir o meu sonho". O pedido de Nicolás Abot, conhecido como O Mochileiro do Futebol, resume o próximo objetivo de uma carreira fora do comum. O avançado argentino leva quase duas décadas a percorrer o mundo através da bola e persegue uma meta que poderá torná-lo protagonista de um feito histórico: marcar pelo menos um golo em cada continente.

Numa entrevista exclusiva ao Flashscore, Abot recordou as experiências que marcaram o seu percurso, as dificuldades de jogar longe de casa e o desafio que ainda lhe falta cumprir. Depois de passar por 43 clubes de 14 países, África é o único continente em que ainda não marcou.

África, o último destino

Abot tem Cabo Verde na mira. Para dar esse passo, precisa de encontrar uma equipa que lhe permita juntar-se a uma liga africana e ter a oportunidade de marcar. Por isso, decidiu recorrer a Vozinha, o guarda-redes cabo-verdiano, na esperança de que este o possa aproximar de um dos seus antigos clubes.

O objetivo vai muito além de acrescentar outro país ao seu percurso. Abot quer completar o desafio de marcar nos cinco continentes e espera que esse feito possa ser reconhecido pelo Guinness World Records. A eventual inscrição no livro dos recordes, ainda assim, requer verificação e reconhecimento oficial.

Segundo contou, investigou os antecedentes de outros futebolistas e encontrou o caso do alemão Lutz Pfannenstiel, conhecido por ter jogado em todos os continentes, embora, por ser guarda-redes, não tenha tido a possibilidade de marcar em todos eles. Abot acredita que marcar um golo em cada um seria um feito singular e quer perceber até onde pode levar a sua própria história.

Nicolás Abot a rematar a bola
Nicolás Abot a rematar a bolaColección personal Nicolás Abot

Uma carreira fora do caminho tradicional

A aventura de Abot começou em 2007, quando deixou o Olimpo, na Argentina, para jogar na Costa Rica. Desde então, a sua carreira levou-o a destinos muito diferentes, com culturas, idiomas e condições de trabalho que mudavam de país para país.

Nunca passou pelas camadas jovens da AFA nem jogou na Primeira Divisão argentina, mas disputou a Copa Sul-Americana e construiu um percurso internacional que poucos futebolistas podem apresentar.

Ao longo desse caminho, também atravessou momentos difíceis. Recorda especialmente a passagem pela Letónia, onde chegou a suportar temperaturas de até 20 graus negativos. Além disso, relatou problemas contratuais e uma situação relacionada com um jogo de pré-época e as apostas que, segundo a sua versão, acabou por levá-lo a uma lista que o impedia de jogar.

Sem empresário e à força de insistência

Ao contrário de outros futebolistas, Abot não tem um empresário que lhe consiga clubes. É ele próprio que trata de contactar as equipas, investigar as condições dos contratos e procurar oportunidades.

Essa tarefa exige persistência: ligar a muitas equipas, avaliar propostas e aprender a movimentar-se em mercados muito diferentes. Em quase 20 anos de carreira, calcula que tenha havido cerca de 10 ocasiões em que não recebeu o que lhe era devido.

Também aprendeu a adaptar-se fora do relvado. Fala espanhol, italiano e inglês e reconhece que, quando um argentino chega a outro país, encontrar alguém com quem partilhar um mate, um churrasco ou uma conversa na sua língua pode fazer a diferença.

Do mate ao balneário: o que nunca falta na mochila

Entre os objetos que costuma levar nas suas viagens estão a erva-mate, as botas e os acessórios para treinar. O hábito de beber mate acompanhou-o até em lugares tão distantes como a Tailândia, onde uma vez teve de secar a erva ao sol para poder reutilizá-la.

Ao longo do seu percurso, também guarda memórias desportivas especiais. Destaca a passagem pela Venezuela, onde jogou na Primeira Divisão e disputou a Copa Sul-Americana; a experiência de o fazer no Estádio Centenário do Uruguai; e um clássico na Bolívia com o Blooming, perante cerca de 45.000 espectadores. Nem tudo foi ideal: nesse último destino também teve problemas relacionados com pagamentos.

Loco Abreu e uma forma diferente de medir o sucesso

Quando lhe perguntam por Sebastián Loco Abreu, Abot encara o assunto com humor. "Com o Loco temos de comer um churrasco e beber um mate". Reconhece que a carreira do antigo avançado uruguaio está noutro nível, mas também quer demonstrar que não é preciso alcançar essa dimensão para viver do futebol e perseguir aquilo de que se gosta.

Para Abot, a sua história não se mede apenas pelos clubes onde jogou ou pelos títulos que conseguiu conquistar. Trata-se, sobretudo, de manter uma paixão apesar dos obstáculos e de ter a coragem de procurar novos destinos quando surge uma oportunidade. "Eu olho para as que ganhei, porque as que perdemos... Se tivermos medo de perder coisas, nunca vamos procurar um pouco mais", refletiu.

E definiu o futebol como algo muito maior do que uma profissão. "O futebol é um estilo de vida para mim. Abriu-me muitas portas, mas, acima de tudo, deu-me amor para lutar por aquilo que quero".

A mochila continua pronta. Agora, Abot espera que a mensagem para Vozinha lhe abra uma porta em Cabo Verde. Do outro lado desse possível contrato não o espera apenas um novo destino: está o golo que lhe falta para completar a sua volta ao mundo e perseguir um recorde com que sonha fazer história.

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