A FIFA e a Confederação Africana de Futebol (CAF) contribuem de forma essencial para o orçamento da FDF, transferindo mais de um milhão de dólares todos os anos para a pequena federação. A CAF, com 54 países membros, é um importante apoio de Gianni Infantino, presidente da FIFA, cujo projeto falhado de abertura a investidores privados provocou uma tempestade no futebol mundial.
"A FIFA confirmou-nos oficialmente que, até à data, os seus mecanismos de controlo não detetaram qualquer indício de ato reprovável relacionado com os fundos que transferiu" para a federação, garantiu à AFP o seu presidente Souleiman Hassan Waberi.
Defensor assumido de Gianni Infantino, é também membro do conselho da FIFA enquanto vice-presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF).
Num relatório confidencial de junho de 2024, ao qual a AFP teve acesso, a Inspeção-Geral do Estado (IGE), dependente da presidência do Djibuti e responsável pelas auditorias em instituições públicas ou privadas, apontou "lacunas significativas (que) persistem na gestão das finanças" dentro da federação.
O relatório, com cerca de sessenta páginas, abrange o período entre 2019 e 2023. A auditoria incidiu nomeadamente sobre a nova sede da federação, financiada pela... federação saudita de futebol, no valor de 400.000 dólares (342.000 euros).
Ameaça de boicote
Foi lançado um concurso público e feita uma classificação, mas a IGE notou que a empresa selecionada "apenas ficou classificada em segundo lugar" e era cerca de 17.000 euros mais cara do que a proposta melhor classificada, concluindo que a federação, neste caso, "demonstrou favoritismo". Segundo o relatório, "a maioria dos serviços está sobrevalorizada".
Souleiman Hassan Waberi reconhece que, "em certas operações", houve "insuficiências ao nível da concorrência", afirmando, contudo, que o mercado do Djibuti é "relativamente limitado". O Sr. Waberi garante que, desde esse relatório, a federação "reforçou consideravelmente o seu dispositivo".
Os inspetores também assinalaram "os hábitos de utilização de transações em numerário" da FDF, afirmando que isso pode "criar oportunidades de fraude e de desvio de fundos". "Alguns beneficiários não têm conta bancária", defende-se o dirigente.
Questionadas pela AFP sobre as acusações de favoritismo e ausência de concursos públicos, as autoridades do Djibuti não responderam. O país, governado desde 1999 por Ismaël Omar Guelleh, ocupa a 124.ª posição entre 182 no ranking de perceção da corrupção elaborado pela ONG Transparency International.
Um dirigente de clube, que pediu anonimato, lamentou à AFP que "os recursos da FDF não estejam a ser utilizados para o desenvolvimento do futebol", ameaçando boicotar o regresso do campeonato em setembro caso o Sr. Waberi se mantenha no cargo.
"Quando vejo o que Cabo Verde é capaz de fazer (em referência à seleção do pequeno Estado insular africano que chegou aos 16 avos de final do último Mundial na sua primeira participação), as infraestruturas do Maláui ou da Mauritânia, penso que existe um problema de funcionamento dentro da nossa federação", lamentou ainda.
