Análise: Além de Roberto Martínez, as cinco maiores desilusões de Portugal

Portugal empatou na estreia com a RD Congo
Portugal empatou na estreia com a RD CongoIMAGN IMAGES via Reuters/Troy Taormina

Portugal teve uma entrada em falso no Mundial-2026. O empate (1-1) com a RD Congo desiludiu, não só pelo resultado em si, mas pelo pouco que a seleção nacional conseguiu demonstrar na sua estreia em solo americano. As aspirações na prova não está comprometidas, mas Roberto Martínez e os 26 convocados terão de fazer mais e melhor caso seja para levar a sério o sonho de conquistar o primeiro Campeonato do Mundo da história do país.

Recorde as incidências do encontro

O futebol é, primeiro de tudo, um jogo coletivo, pelo que devemos ter consciência que o nível individual dos jogadores também passa muito por aquilo que é ou não trabalhado durante os treinos e as sessões de vídeo com a equipa técnica.

Neste artigo de desilusões, o Flashscore nomeia cinco nomes que ficaram abaixo do esperado frente à RD Congo, especialmente porque podem dar muito mais à equipa de Roberto Martínez, um dos principais responsáveis pelo jogo pouco conseguido de Portugal.

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O onze de Portugal
O onze de PortugalFlashscore

Bernardo Silva

Sim, Bernardo Silva jogou como extremo direito em 2026. A posição não é uma novidade, mas o agora jogador do Real Madrid foi um corpo estranho na partida com a RD Congo, pelo que a saída ao intervalo não teve nada de surpreendente.

O esquerdino ganhou apenas um dos quatro duelos que disputou, não efetuou qualquer remate, nem concretizou sequer um passe decisivo, embora tenha completado 17 ao longo da partida.

As qualidades do antigo jogador do Manchester City são inegáveis e podem ser úteis à seleção, mas não se a ideia passar por jogar junto à linha lateral. Responsabilidade de Roberto Martínez, é certo, mas Bernardo também sabe que precisa de dar mais por Portugal. Afinal, são apenas 14 golos em 110 jogos pela seleção!

Números de Bernardo Silva
Números de Bernardo SilvaČTK / AP / David Buono/Icon Sportswire/ Opta by Stats Perform

Cristiano Ronaldo

O mediatismo e o nível que atingiu merecidamente pelos feitos alcançados ao longo da carreira fazem com que Cristiano Ronaldo esteja sempre no epicentro de qualquer desilusão da seleção portuguesa.

Aos 41 anos, o avançado do Al Nassr não apresenta os atributos que o fizeram atingir o estatuto que ainda tem nesta altura - e lhe é dado por Roberto Martínez - e isso voltou a ficar evidente frente à RD Congo.

O avançado somou o 10.º jogo consecutivo numa fase final de uma grande competição (Mundial ou Euro) sem marcar, mas acima de tudo foi o facto de ser um corpo estranho na equipa, com dois remates ao lado em todo o encontro, que voltou a gerar preocupação. Para o que resta da prova, será CR7 uma benção ou uma maldição? Uma coisa é certa: as publicações das irmãs nas redes sociais não ajudam...

As tentativas de finalização de Cristiano Ronaldo
As tentativas de finalização de Cristiano RonaldoOpta by Stats Perform

Vitinha

A avaliação de Vitinha pode ser considerada injusta, pois parece mais um efeito coletivo do que individual, até porque o médio tem sido um dos melhores jogadores do mundo nos últimos dois anos.

No entanto, esse nível atingido no PSG também exige mais do próprio Vitinha. Não falamos de golos, embora o Mundial-2026 seja um bom momento para se estrear a marcar por Portugal, mas na influência do jogo.

Segundo dados da Opta, o médio fez 128 passes em todo o jogo (melhor registo português), mas apenas 22 foram para a frente. Será culpa do estilo de jogo, que não consegue tirar o melhor partido de um trio de médios de elite? 

Mapa de passes de Vitinha
Mapa de passes de VitinhaREUTERS/Pedro Nunes/ Opta by Stats Perform

Rafael Leão

A poucos dias do arranque do Mundial-2026, Rafael Leão manifestou o seu desejo de deixar o AC Milan. O antigo avançado do Sporting falou em final de ciclo e assumiu que pretende experimentar outros desafios.

Essa ambição podia até funcionar a favor de Portugal. O avançado veio de uma época difícil em Itália e podia aproveitar a prova para se valorizar, mas quando saiu do banco teve uma postura semelhante à que levou os adeptos rossoneri a assobiá-lo em pleno San Siro.

19 minutos, um toque na área do adversário, zero dribles concretizados e zero duelos ganhos. São estes os números de um extremo que era candidato ao onze, mas que depois da entrada frente à RD Congo deverá partir atrás de nomes como João Félix e Gonçalo Guedes, além de Pedro Neto, que alinhou de início.

Mapa de toques de Rafael Leão
Mapa de toques de Rafael LeãoOpta by Stats Perform

Bruno Fernandes

Havia outros candidatos para fechar a lista, mas o fator expectativa acabou por pesar na decisão de incluir Bruno Fernandes entre as cinco desilusões da estreia de Portugal no Mundial.

O médio do Manchester United até teve, a par de Renato Veiga, a segunda melhor nota da partida para o Flashscore, com 7,8, muito por culpa dos registos defensivos (sete duelos ganhos, dois desarmes e uma recuperação), mas, ao contrário do que acontece em Inglaterra, não conseguiu ter influência no jogo ofensivo de Portugal.

Saiu do encontro com apenas um remate perigoso, já perto do apito final, e sem conseguir mostrar a ligação necessária com Cristiano Ronaldo. 

Culpa de quem? Cabe a Roberto Martínez encontrar a resposta. 

O mapa de calor de Bruno Fernandes
O mapa de calor de Bruno FernandesREUTERS/Pedro Nunes/Opta by Stats Perform