Destaques do Mundial (dia 7): Desilusão portuguesa, ilusão inglesa e festejos africanos

Cristiano Ronaldo ficou em branco
Cristiano Ronaldo ficou em brancoREUTERS/Annegret Hilse

O sétimo dia do Mundial chegou ao fim, com vitórias expressivas para Inglaterra e Colômbia, enquanto Portugal vacilou num empate frente à RD Congo e o Gana marcou um golo ao cair do pano para derrotar o Panamá.

O Flashscore traz-lhe diariamente o melhor do torneio com os destaques do Mundial, para que não perca nenhum dos momentos-chave.

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Momentos-chave

Depois de ver o seu rival durante anos, Lionel Messi, apontar um hat-trick na madrugada anterior, Cristiano Ronaldo não terá pregado olho durante a noite. Isso ajudaria a explicar a exibição desinspirada do capitão da seleção nacional, que até bateu mais um recorde, ao tornar-se o jogador de campo mais velho de sempre a participar num Campeonato do Mundo. No entanto, a sua presença foi mais um estado de espírito.

As bancadas gritaram o nome do lendário avançado português, mas Cristiano Ronaldo terminou sem golos pela 10.ª partida consecutiva numa fase final de uma grande competição e não conseguiu evitar o empate (1-1) frente à RD Congo.

No entanto, aos 41 anos, é óbvio que Cristiano Ronaldo não pode ser apontado como o principal responsável pela pouca ou mesmo nula produção ofensiva da equipa de Roberto Martínez.

O técnico espanhol herdou mais uma grande geração, depois de ter comandado os destinos da Bélgica, mas continua a mostrar não ter mãos para conduzir um Ferrari. Os 0,00 xGOT depois do golo de João Neves, naquele que foi o único remate de Portugal à baliza em toda a partida, dizem tudo.

Portugal fez apenas um remate à baliza
Portugal fez apenas um remate à balizaOpta by Stats Perform

A RD Congo, no seu primeiro Mundial em 52 anos, quando ainda se chamava Zaire, teve mérito na forma como anulou os pontos fortes da seleção portuguesa e aproveitou para arrancar um empate que pode ser decisivo para o apuramento para a fase a eliminar.

Apesar dos avassaladores (75%) de posse de bola e da diferença no número de passes concretizados (724 para Portugal contra 195 da RD Congo), a seleção africana teve boas ocasiões de golo e Cedric Bakambu podia mesmo ter causado uma surpresa ainda maior, caso tivesse tido um dia mais inspirado na finalização.

A equipa das Quinas tem muito a corrigir se quiser evitar sair como uma das grandes desilusões da prova. Para um país que aponta à conquista inédita do Mundial, há muita coisa a mudar e Cristiano Ronaldo, apesar da importância que ainda lhe é dada, mais fora do que dentro das quatro linhas, não pode ser o bode expiatório.

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Se Portugal acabou por ser uma verdadeira ilusão, então temos de dar mérito a Inglaterra. Em todas as grandes competições, os Três Leões são alvo de sátira por todos os outros países com a sua música "It's coming home", mas a verdade é que o jogo inaugural frente à Croácia (4-2) acabou por servir como um verdadeiro statement do conjunto de Thomas Tuchel.

Elliot Anderson esteve em grande plano
Elliot Anderson esteve em grande planoREUTERS/Hannah Mckay/Opta by Stats Perform

A convocatória inglesa foi polémica e ainda pode ser alvo de escrutínio caso as coisas corram mal daqui para a frente, mas os ingleses foram superiores num dos melhores jogos desta fase de grupos e mostraram à concorrência que são mesmo uma força a ter em conta, 60 anos depois do último título Mundial.

A dependência de Harry Kane pode ser um problema, caso os adversários consigam travar o jogador do Bayern Munique, mas não tem sido assim tão comum parar "o melhor avançado do mundo".

Do lado croata, voltou a ficar evidente que o nível do conjunto de Zlatko Dalic já está distante daquele que chegou às meias-finais em 2022.

O conjunto dos balcãs mostrou argumentos ofensivos para assegurar, pelo menos, o 2.º lugar do grupo, mas a vitória (1-0) do Gana, na quinta fase final do português Carlos Queiroz, nos descontos frente ao Panamá coloca em risco o conjunto de Luka Modric em companhia.

A classificação do grupo L
A classificação do grupo LFlashscore

No último jogo da madrugada, a Colômbia derrotou (3-1) o estreante Uzbequistão, com Luis Díaz a desempenhar um papel de destaque, levando o seu país ao topo do Grupo K.

Golo do dia

A Croácia saiu derrotada frente à Inglaterra, mas deu boa réplica aos seus rivais do Grupo L e marcou dois golos de qualidade.

Petar Musa concluiu uma excelente jogada para o segundo golo, mas o melhor remate da partida pertenceu ao médio Martin Baturina. A jogada começou quando Luka Vuskovic roubou a bola a Bellingham no meio-campo e os Vatreni avançaram rapidamente no relvado. Petar Sucic deixou John Stones sentado com um belo pormenor técnico e assistiu Baturina, que rematou para o ângulo superior.

O guarda-redes Jordan Pickford ainda tocou na bola, mas o remate foi demasiado forte e a Inglaterra sofreu o seu primeiro golo no torneio.

Baturina marcou um dos golos do torneio
Baturina marcou um dos golos do torneioREUTERS/Issei Kato/Opta by Stats Perform

Jogador do dia

Grande figura da Colômbia, Luis Díaz, antigo extremo do FC Porto, esteve em grande forma na vitória frente ao Uzbequistão, marcando um golo e fazendo uma assistência numa vitória convincente para o seu país.

A influência do jogador de 29 anos foi além dos seus contributos diretos para golo, com Luis Díaz a divertir-se enquanto a Colômbia dominava o encontro com 61 por cento de posse de bola.

Além do golo e da assistência, o extremo fez dois passes chave, dois dribles, 11 passes para o último terço e completou seis progressões com bola, alcançando uma classificação Flashscore de 8.9 – a mais alta de todos os jogadores nos jogos do Mundial do sétimo dia.

Os números de Luis Díaz
Os números de Luis DíazREUTERS/Eloisa Sanchez/Opta by Stats Perform

Adeptos do dia

Os adeptos do Gana encheram as ruas de Toronto antes do duelo com o Panamá e festejaram até tarde após o golo dramático aos 90+5 minutos.

Os Black Stars passaram por um período difícil no ano passado ao falharem o apuramento para a Taça das Nações Africanas, mas estão a aproveitar ao máximo os bons momentos na América do Norte neste Mundial-2026.

O melhor das redes sociais

O Mundial-2026 esteve, e ainda está, envolvido em muitos momentos polémicos, parte deles motivados por conflitos provocados por líderes mundiais dispostos a utilizar as diferenças entre países e culturas para seu proveito. No entanto, no meio de tudo isso, o futebol continua a ser um bom exemplo.

Dentro das quatro linhas, o Campeonato do Mundo tem tido bons momentos de fair play, mas fora dos estádios também temos assistido a belas imagens. Algumas até distantes da América do Norte. 

Nesse sentido, viajamos até Lisboa, capital portuguesa, mais propriamente até ao Terreiro do Paço, que recebe, em todas as fases finais, milhares de portugueses para assistir aos jogos da seleção. 2026 não é exceção, mas desta vez houve uma pequena percentagem de adeptos congoleses entre os fãs da equipa das Quinas.

As imagens mostram-nos o lado mais bonito do futebol e o porquê da criação do Campeonato do Mundo: entre milhares de portugueses, as celebrações após o golo da RD Congo ficam para a história da competição e servem como mais um exemplo de união entre povos. 

É, de facto, digno de colocar numa tela.

Noutro ponto, a TNT Sports Brasil publicou uma entrevista com o médio da RD Congo Ngal’ayel Mukau, que partilhou algumas ideias interessantes sobre como lidar com Cristiano Ronaldo.