Análise: Equipas da CONMEBOL entre luzes e sombras no arranque do Mundial

Raphinha perante Bono, guarda-redes de Marrocos
Raphinha perante Bono, guarda-redes de MarrocosProfimedia

Colômbia e Argentina realizaram boas exibições. Uruguai e Brasil desiludiram com jogos de pouco ritmo.

A primeira jornada do Mundial deixou um balanço irregular para os representantes da CONMEBOL. Das seis seleções sul-americanas que entraram em campo, apenas Argentina e Colômbia conseguiram somar os três pontos, enquanto Brasil e Uruguai tiveram de se contentar com empates, e tanto Equador como Paraguai começaram o seu percurso com derrotas. O saldo final reflete uma jornada com mais dúvidas do que certezas para o futebol sul-americano.

Colômbia entusiasma com Luis Díaz em destaque

Se houve uma equipa que deixou realmente boas sensações foi a Colômbia. O conjunto cafetero impôs-se com autoridade ao Uzbequistão por 3-1, mostrando intensidade, dinamismo e uma proposta ofensiva que lhe permitiu controlar grande parte do encontro. A grande figura foi Luis Díaz, que voltou a demonstrar porque é um dos futebolistas mais decisivos do continente. O extremo marcou um golo, fez uma assistência e foi uma ameaça constante para a defesa adversária. Além dos seus números, destacou-se pelo seu espírito de liderança, entrega defensiva e capacidade de desequilibrar nos momentos-chave. A Colômbia não só venceu, como também transmitiu a sensação de ser uma equipa preparada para competir contra qualquer adversário

Argentina e Messi, uma sociedade que continua a fazer a diferença

A outra grande notícia para a CONMEBOL foi a vitória convincente da Argentina sobre a Argélia por 3-0. A Albiceleste apresentou uma exibição sólida, dominou o jogo desde o início e encontrou em Lionel Messi o seu habitual maestro. O capitão argentino assinou os três golos do encontro, confirmando que continua a ser o jogador capaz de mudar o rumo de qualquer partida com uma única intervenção. Além da goleada, a Argentina mostrou organização tática, autoridade e uma notável capacidade para gerir os ritmos do jogo, aspetos que a colocam novamente entre as seleções mais convincentes do torneio.

O mapa de calor de Messi frente à Argélia
O mapa de calor de Messi frente à ArgéliaOpta by Stats Perform/ Reuters

Brasil e Uruguai aquém das expectativas

A imagem deixada por Brasil e Uruguai foi bem diferente. Ambos conseguiram empates 1-1 frente a Marrocos e Arábia Saudita, respetivamente, mas o desempenho ficou muito aquém do esperado. O Brasil apresentou uma versão pouco fluida, com pouca criatividade na construção e dificuldades em impor o seu tradicional poder ofensivo. A igualdade acabou por ser um resultado que espelhou um coletivo ainda em fase de construção. Até no seio brasileiro se reconheceu que a equipa esteve longe do seu melhor nível no arranque.

O Uruguai também não conseguiu convencer. O conjunto celeste teve dificuldades em criar perigo de forma consistente e mostrou-se demasiado cauteloso durante longos períodos do encontro. Apesar de ter evitado a derrota, ficou a sensação de ser uma equipa demasiado conservadora para o potencial do seu plantel. O ponto permite manter-se na luta, mas o rendimento obriga a uma melhoria significativa nas próximas jornadas.

Equador ficou sem prémio

O Equador perdeu pela margem mínima diante da Costa do Marfim, num jogo equilibrado. A El Tri teve momentos de domínio e criou oportunidades para evitar a derrota, mas voltou a evidenciar dificuldades na finalização. O resultado complica as suas aspirações iniciais e obriga-a a reagir rapidamente para não comprometer as suas hipóteses de qualificação.

Paraguai, a grande desilusão

A exibição mais preocupante da jornada pertenceu ao Paraguai. A derrota por 4-1 frente aos Estados Unidos não foi apenas expressiva no marcador, mas também no desenrolar do jogo. A equipa guarani mostrou-se inferior física e futebolisticamente, cometeu erros defensivos recorrentes e apenas conseguiu competir em alguns períodos do encontro. Longe da imagem combativa que historicamente caracterizou a Albirroja, o arranque deixou uma sensação de fragilidade e falta de respostas perante a adversidade. Se quiser manter-se viva no torneio, precisará de uma reação imediata e de uma mudança radical no seu desempenho.

Em suma, a primeira jornada deixou Argentina e Colômbia como os grandes estandartes da CONMEBOL, com exibições convincentes e figuras desequilibradoras como Messi e Luis Díaz. No extremo oposto, o Paraguai protagonizou a desilusão da jornada, enquanto Brasil, Uruguai e Equador ficaram aquém e vão encarar a segunda jornada com a obrigação de elevar consideravelmente o seu nível.