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Análise: Os dados que explicam o adeus precoce do Brasil ao Mundial-2026

A geração de Ney fracassou novamente
A geração de Ney fracassou novamenteReuters

Quase uma semana após a eliminação para a Noruega, os brasileiros seguem procurando explicações lógicas para a queda precoce da seleção treinada por Carlo Ancelotti. Os números gerais do Brasil no Mundial-2026 justificam o mau desempenho.

Segundo os dados da Opta, até o fim dos oitavos de final, o Brasil ainda era a equipa do Mundial que mais tinha criado oportnidade na competição (9), seguido de Inglaterra, França, México e Noruega, que criaram oito boas oportunidades de marcar.

Mas a boa estatística é anulada por outros dados que reafirmam a falta de qualidade em alguns setores da seleção.

Ataque previsível

Mapa de calor do Brasil contra a Noruega
Mapa de calor do Brasil contra a NoruegaOpta

Durante toda o Mundial, apenas dois jogadores do Brasil conseguiram acertar na baliza adversária mais de duas vezes: Vinícius Júnior (11) e Matheus Cunha (5). Casemiro, Bruno Guimarães, Raphinha e Rayan conseguiram atingir o alvo em duas oportunidades.

A pouca presença na área adversária também pode ser vista no mapa de calor do jogo contra a Noruega. Em toda a competição, o Brasil só conseguiu acertar um remate de cabeça quatro vezes, e nenhuma delas foi dada por um avançado - Casemiro (2), Bruno Guimarães (1) e Vini Jr (1).

Rede de passes do Brasil contra a Noruega
Rede de passes do Brasil contra a NoruegaFlashscore

Uma alternativa para enfrentar a dificuldade de permanecer na área adversária é tentar finalizar à distância, mas nesse quesito o Brasil também pecou. Dos 21 remates desferidos pelo Brasil de fora da área, apenas 3 acertaram o alvo, totalizando um aproveitamento de apenas 14,28%. Os 10 golos brasileiros foram marcados de dentro da área - e nenhum deles foi de bola parada.

Nenhum jogador brasileiro conseguiu uma taxa de conversão das finalizações em gols superior a 50%. Apenas Gabriel Martinelli e Casemiro transformaram metade das finalizações em golos.

O Brasil fez 16 passes que quebraram as linhas adversárias. Casemiro (4) e Paquetá (4) foram os líderes, seguidos de Endrick, Vinicius Jr e Matheus Cunha, com dois cada, e Marquinhos e Douglas Santos, com um.

A sequência até ao golo de Vinícius Júnior contra o Haiti
A sequência até ao golo de Vinícius Júnior contra o HaitiFlashscore

O Brasil puxou, ao todo, nove contra-ataques na Copa, mas apenas dois jogadores foram responsáveis pelo feito. Vinícius Jr (5) e Matheus Cunha (4).

Retirando os penáltis, apenas dois jogadores brasileiros conseguiram um valor de golos esperados (xG) superior a 1: Vinícius Jr (4,04) e Matheus Cunha (1,43). As finalizações dos outros jogadores não chegaram a gerar expectativa de um golo sequer.

Pouca criatividade e ousadia

O equilíbrio no ataque brasileiro
O equilíbrio no ataque brasileiroFlashscore/Reuters

O jogador brasileiro que mais conseguiu completar dribles foi Vinícius Jr, que concluiu 16 dos 42 tentados. Com tantos erros de dribles, a consequência direta foi a perda de bola para o adversário. Ao longo da competição, a bola mudou de dono 74 vezes a partir de uma ação direta do atacante brasileiro

Rayan completou seis dribles em sete tentativas, e Paquetá acertou cinco das oito vezes que tentou. 

O jogador brasileiro que mais sofreu faltas no terço final do campo não foi um atacante, e sim o médio Casemiro com duas faltas sofridas.

O problema dos duelos

Mapa de calor de Gabriel Magalhães no jogo contra a Noruega
Mapa de calor de Gabriel Magalhães no jogo contra a NoruegaFlashscore/Reuters

Gabriel Magalhães foi o líder na estatística de duelos aéreos, com 22 disputas pelo alto, mas ele perdeu 17, obtendo apenas 22% de aproveitamento nas bolas aéreas. O central brasileiro também foi o jogador que mais deu passes (430). Destes, apenas 95 foram progressivos.

Em relação aos desarmes, o aproveitamento brasileiro também foi baixo: Casemiro ganhou apenas 4 dos 14 tentados, Bruno Guimarães arriscou 11 e só obteve sucesso em seis. O melhor índice foi o de Douglas Santos, que ganhou 11 dos 18 desarmes tentados em todo o Mundial. Já Danilo só conseguiu levar a melhor em duas oportunidades de sete.

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.

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