Maryam Abdollahi revelou na terça-feira, na sua conta de Instagram, que o seu marido, Mohammad Rashid Mazaheri, estava detido "em condições de isolamento muito difíceis" em Ourmia (noroeste).
"O Rashid sempre defendeu aquilo que considerava justo e, hoje, paga o preço dessa coragem com uma estadia em isolamento na prisão", comentou ela.
A agência noticiosa do poder judicial iraniano, Mizan, confirmou na quarta-feira que Mohammad Rashid Mazaheri tinha sido detido, mas justificou a detenção com uma alegada tentativa de atravessar ilegalmente a fronteira.
O ex-jogador, de 37 anos, que também foi guarda-redes de grandes equipas do seu país, publicou em fevereiro uma mensagem no Instagram, entretanto apagada, na qual descrevia o líder supremo Ali Khamenei como "um simples capítulo sombrio e efémero" da história do Irão.
A mensagem foi escrita após as grandes manifestações anti-regime de janeiro, mas antes do início da guerra americano-israelita contra o Irão, a 28 de fevereiro, durante a qual Ali Khamenei foi morto logo no primeiro dia.
O site de informação em persa IranWire, sediado no estrangeiro, precisou que a casa de Mazaheri foi alvo de uma busca a 25 de fevereiro. Por sua vez, a Mizan indicou que o desportista estava detido numa "ala prisional geral", sem especificar o local.
De acordo com a mesma fonte, Mazaheri foi detido "após tentar sair ilegalmente do país pelas fronteiras ocidentais do Irão, alterando a sua aparência e subornando agentes dos serviços fronteiriços".
A seleção iraniana masculina de futebol deverá participar no Mundial em junho, nos Estados Unidos, uma deslocação sob forte vigilância devido ao contexto de guerra no Médio Oriente. As autoridades iranianas anunciaram recentemente a apreensão de seis propriedades ligadas ao antigo futebolista internacional iraniano Ali Karimi, exilado no estrangeiro desde 2022 e crítico feroz da República Islâmica.
As autoridades judiciais bloquearam os bens de uma lista de pessoas qualificadas como "traidoras", após o início desta guerra. Os bens de Zahra Ghanbari, capitã da seleção nacional feminina de futebol, foram igualmente apreendidos após o pedido de asilo na Austrália. Posteriormente, retirou o pedido e recuperou os seus bens.
