Luis Enrique elogia Arsenal e analisa grupo: "Os jogadores são mais novos do que o meu filho"

Luis Enrique na conferência de imprensa antes do PSG-Bayern.
Luis Enrique na conferência de imprensa antes do PSG-Bayern.MATTHIEU MIRVILLE / MATTHIEU MIRVILLE / DPPI VIA AFP

No Media Day do Paris Saint-Germain, realizado esta quarta-feira antes da final da Liga dos Campeões, Luis Enrique apresentou-se perante a imprensa no Campus PSG.

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Saber adaptar-se ao adversário na Liga dos Campeões: "O mais importante para nós é sabermos olhar para nós próprios, mais do que analisar os adversários. Mas na Liga dos Campeões enfrentamos as melhores equipas, e adaptar-nos é inevitável. Contra o Bayern esta época, e contra o Arsenal no ano passado, os adversários tiveram a posse de bola e tivemos de defender e ajustar-nos. Penso que ainda podemos evoluir nesse aspeto. Mas estamos felizes por chegar a esta final".

Rafel Pol e Joaquin Valdés: "O Rafel é uma pessoa brilhante no que toca ao jogo. Conheço-o há muito tempo — começou a sua carreira comigo no departamento de performance. A nossa relação evoluiu e, hoje, é o meu braço direito, alguém notável em todos os aspetos. O Joaquín, por sua vez, é a única pessoa que ficou comigo desde o primeiro dia. E o mais curioso é que ele nasceu em Oviedo e eu em Gijón — é um pouco como Paris-Marselha. Dá para perceber a sua inteligência. É alguém muito importante para mim, a nível humano. É em grande parte responsável pelo meu carácter e pela forma como gestiono o meu tempo enquanto treinador".

Dembélé e o esforço: "É a sua mentalidade. Muitas vezes destaca-se o que os avançados fazem com a bola, mas nunca o que fazem sem ela. Ora, quando não temos a bola, é preciso defender — e isso não é de todo negativo, é até essencial. É como no basquetebol. O Ousmane mostra constantemente a sua qualidade individual com a bola, mas também o seu valor sem ela".

Números de Dembélé
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Relação com a direção: "Temos a sorte de disputar mais uma final. Lembro-me que, mesmo antes do jogo com o Bayern, disse à minha equipa técnica: 'Vamos ter a sorte de jogar mais uma final.' Com a direção, sinto um apoio total — algo raro no futebol profissional. Mesmo na derrota, o Luis Campos está presente, e isso é fundamental. Também tem a capacidade de escolher os perfis certos em sintonia com o meu projeto de jogo. Estamos num bom momento e queremos continuar neste caminho".

Arsenal campeão de Inglaterra: "É difícil saber se o título na Premier League terá influência até à final. O que é certo é que o merecem. Já os defrontámos, conhecemos a sua capacidade de jogar com e sem bola. Sem bola, são uma das melhores equipas do mundo. Com bola, conseguem marcar muitos golos. É uma combinação temível, e faz todo o sentido encontrá-los na final. Penso que vamos assistir a um grande jogo".

Bolas paradas do Arsenal: "Nenhum pesadelo com isso. Vamos defender como habitualmente. Temos os nossos hábitos defensivos e ofensivos, e mantemo-nos fiéis a eles. Tirar-lhes a bola é difícil — é uma equipa muito bem construída, com um treinador que motiva e quer jogar futebol. É um bom momento para o Mikel (Arteta), e esperamos uma grande final".

O ADN ofensivo do PSG: "O futuro deve ser sempre melhor do que o passado. Estas estatísticas refletem o nosso nível. E se analisarmos o Arsenal, encontramos aspetos semelhantes. Estamos satisfeitos porque o nosso objetivo é marcar e vencer. Não será fácil. Esperamos estar do lado certo da história".

Últimos resultados do PSG
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Sobre o seu controlo da equipa: "A cada ano, controlo cada vez menos o futebol — e é intencional. Porque as coisas mudam constantemente, há aspetos que deixo mais a cargo dos jogadores. No futebol, é preciso evoluir sempre. E penso que o futuro do futebol passa por aí: menos controlo para surpreender o adversário".

Vencer a Liga dos Campeões duas vezes seguidas ou ser reconhecido como um grande treinador: "Acho que o futebol deu-me mais do que eu lhe dei. Nunca procurei estar entre os melhores treinadores. O que me importa é ser competitivo todos os dias: fazer um melhor treino, uma melhor palestra, encontrar a melhor forma de me adaptar aos jogadores, de lhes falar. Os jogadores são mais novos do que o meu filho, e todos os anos é preciso reinventar coisas. Essa imprevisibilidade dá-me um verdadeiro prazer".

A vida do grupo fora do relvado antes da final: "Fazemos muitas vezes as coisas de forma diferente da maioria das equipas. O que quero transmitir aos meus jogadores no final da época é descanso. Saber onde queremos estar — com os nossos entes queridos, amigos, família — é importante para que os jogadores cheguem felizes ao Campus. Esta semana, ainda mais. Além disso, a situação é diferente da do ano passado porque também disputámos a final da Taça de França. Agora, não há Taça. Vamos ter tempo — o que é pouco habitual. Vamos trabalhar os pequenos detalhes para atacar melhor o Arsenal e aproveitar o ambiente de uma final da Liga dos Campeões em Budapeste".

Arteta e o Arsenal: "Quando se olha para as estatísticas do Arsenal, percebe-se claramente que o Arteta é um treinador líder. Mudou a mentalidade vencedora da equipa. Evolui e faz os seus jogadores evoluírem de ano para ano — bom com a bola, e sabe como jogar. Nunca conseguimos ter a posse contra eles. Sem bola, são a melhor equipa do mundo. No ano passado, não chegaram à final porque tivemos o mérito de os vencer. É um grande treinador, que aprendeu a profissão com o Guardiola. O que o Arteta transmite é competitividade. A sua equipa está no topo. Ele também".

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