"O Clube Desportivo Nacional manifesta o seu profundo agradecimento ao Mister Tiago Margarido pelo profissionalismo, dedicação e compromisso demonstrados ao longo dos três anos em que liderou a equipa técnica do plantel de futebol profissional do clube", pode ler-se no comunicado do clube.
A decisão foi tomada esta quarta-feira, após reunião com o presidente do Nacional da Madeira, Rui Alves. No final da mesma, o próprio Tiago Margarido explicou os motivos que o levaram a abandonar o cargo.
"Decidimos o fim da ligação muito bonita. Foram 3 anos de sucesso, em que conseguimos a subida e duas permanências muito importantes para a estabilidade do clube. Agora procuro um passo diferente na minha carreira, que deverá passar pelo estrangeiro", disse.
O técnico enalteceu ainda o trajeto na Choupana, que começou na Liga 2, com o objetivo de garantir a manutenção, e terminou com a segunda permanência consecutiva do clube na Liga Portugal.
"A ligação ficará para sempre. Os objetivos foram cumpridos, com muita amizade e quero deixar um agradecimento muito especial à estrutura do Nacional, na pessoa do presidente, pela aposta numa equipa técnica vinda da Liga 3 e pela paciência quando estivemos muitos jogos sem ganhar", afirmou o técnico, que assumiu ainda deixar o Nacional "com uma estima enorme pelo presidente".

Tiago Margarido explicou ainda que não aguardou por uma proposta de renovação de Rui Alves e que o seu objetivo passa por deixar o futebol português.
"Houve uma conversa de pessoas que se conhecem há muito tempo e que têm apenas uma palavra. Nem foi preciso proposta pois disse logo que a minha opção era terminar a ligação", contou.
"Percebemos que o melhor passo a dar é procurar outros desafios. Há algumas hipóteses em Portugal, mas a nossa visão passa por ir para o estrangeiro. Não sei ainda para onde, provavelmente será na Europa", esclareceu.

Rui Alves antecipa outro adeus e fala em... Camacho
O próprio Rui Alves reconheceu que o seu objetivo passava pela continuidade de Tiago Margarido, mas entendeu a decisão do técnico e espera apresentar novidades aos adeptos em breve.
"Havia a intenção de manter o Tiago Margarido, mas temos de pensar que há momentos em que os objetivos de carreira já não cabem nos limites que o nosso clube tem. Quando assim é, só temos de nos sentir extremamente felizes por fazermos parte de uma carreira que se pretende que seja em crescendo", declarou.
"Seria mau se já tivesse pensado em alguém antes de reunir com o míster. Não é uma coisa que me preocupe muito, sabendo que talvez ainda esta semana se possa encontrar o seu sucessor”, acrescentou.
Questionado sobre a possibilidade Custódio Castro, Rui Alves foi irónico na resposta: "Todos os treinadores que estão livres podem enquadrar-se, até o José António Camacho".
Além de Tiago Margarido, o próprio "Chuchu" Ramírez, melhor marcador dos insulares, também deverá deixar o Nacional no final da temporada.

"O Chucho Ramírez enquadra-se na mesma lógica do nosso treinador. São etapas de uma carreira em que ficamos muito felizes por fazer parte e eles marcam de algum modo a história e grandeza no Nacional enquanto instituição desportiva e, neste caso, da Liga Portugal. Temos de encarar isso com naturalidade, esperando que o valor que se encontre para essa transferência corresponda aos equilíbrios de carreira do atleta e da posição do Nacional na parte económica", reconheceu.
"Em janeiro recebemos uma proposta da MLS para a saída do Chucho. Mas isso é pouco relevante, o que interessa é que o jogador revelou ter condições para jogar num outro patamar e num clube que lhe proporcione outro tipo de objetivos. Quando assim é faz parte do processo”, admitiu, por fim.
