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Exclusivo com César Delgado: "Lionel Messi é inigualável, é realmente admirável"

César 'Chelito' Delgado
César 'Chelito' DelgadoČTK / AP / Arturo Rodriguez

O craque argentino falou com o Flashscore sobre a final do Mundial-2026 entre a Espanha e a Argentina, sobre o enorme nível de Lionel Messi aos 39 anos e sobre o papel de liderança de Lionel Scaloni, com quem partilhou balneário na albiceleste.

Siga a final do Mundial-2026 no Flashscore

É dia de final do Mundial-2026 e o mundo está dividido: há quem destaque a mestria de Espanha a gerir a posse de bola a seu bel-prazer e quem não deixa de se render a Lionel Messi e à vontade de lhe entregar a quarta estrela a Argentina

Para César Delgado (44), ou simplesmente 'Chelito', seria interminável tudo o que se poderia dizer sobre o '10', sobre a entrega da albiceleste e sobre Scaloni: sabe o que é defender essa camisola, conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos (2004) e conhece o segredo para a grande união entre o plantel e a equipa técnica.

"Partilhei balneário com ele, Ayala, Walter Samuel, Pablito Aimar. São pessoas extraordinárias", afirmou em exclusivo ao Flashscore.

- Que balanço faz do Mundial?

- À medida que o torneio foi avançando, fui vendo jogos de grande qualidade. O que ainda não me convence é o VAR. Não estou muito seguro das decisões que são tomadas, de quando é penálti, se foi ou não mão, se foi ou não falta. Sinto que as decisões deviam ser dadas pelo árbitro no momento. Não sou grande fã do VAR. Mas, em relação ao futebol, depois dos primeiros jogos, vi partidas de alto nível.

- A Argentina volta a disputar uma final do Mundial. O que distingue esta seleção das restantes e porque é tão competitiva? Como vê a resiliência da equipa?

- Em primeiro lugar, a hierarquia da equipa. A maioria dos seus jogadores atua em grandes equipas. Depois, há a fome de glória e isso torna-a diferente das outras. A vontade de conquistar mais, de querer ganhar outro Mundial e de não desistir mesmo a faltar 10 minutos. Não dão nenhuma bola como perdida. O argentino joga sempre com a faca nos dentes, o argentino está sempre determinado a vencer e esta seleção tem isso. Depois, existe uma enorme união como grupo, e não só ao nível da equipa, mas também com a equipa técnica. Podem existir trocas de ideias durante um jogo. É um pouco de tudo o que esta seleção tem, por isso está numa final. E, obviamente, temos o melhor do mundo, que se chama Lionel Messi. Toda a equipa está com ele e isso nota-se.

- Jogou com um génio como o Lionel Messi quando ele dava os primeiros passos no futebol. Acredita que no futuro voltaremos a ver um jogador como Messi?

- Oxalá apareça outro futebolista desse nível, como Maradona, como Messi, que são únicos. E que bom que foram argentinos. Estamos a desfrutar do Messi aos 39 anos e não tenho dúvidas de que vai surgir outro. Não sei se será igual ao Messi ou melhor que o Maradona, ou muito mais do que o Messi. Vejo isso muito difícil, mas vai aparecer outro. A Argentina consegue sempre tirar um coelho da cartola, por isso espero que surja outro. O que Messi faz é inigualável, é realmente admirável. No domingo, há que aproveitá-lo ao máximo porque, ao rever a carreira do Messi, ao ver os golos, ao rever as jogadas, é ‘louco’… não há palavras. É único. Não se acredita no que fez em toda a sua carreira. Golos, assistências, finalizações. Independentemente do que ganhou. Olhas para o que fez e é algo impressionante. Muito raro de ver. Isso acontece-nos quando revemos os vídeos do Maradona, mas o deste 'miúdo' é único.

- Também há a questão de Lionel Scaloni e da sua equipa técnica. Independentemente do que acontecer no domingo, qual acha que será o seu futuro na seleção?

- Tive a oportunidade de partilhar balneário na seleção com o Scaloni, Roberto Ayala, Walter Samuel, Pablito Aimar e são pessoas extraordinárias. São simples e essa forma de ser acabou por passar para o grupo. Agora, independentemente do que acontecer, sinto que deviam continuar. O que conseguiram até agora, e se se confirmar o de domingo, será único e irrepetível. Por isso, podem ficar na seleção toda a vida. Vai chegar o dia em que vai sair, mas se ele mantiver a vontade, a força, seria ótimo porque vem aí uma nova geração de jogadores que ele pode orientar e fazer crescer, como fez com esta seleção e com estes grandes futebolistas.

- Partilhou balneário com Scaloni enquanto jogador. Já tinha essas qualidades de liderança que hoje mostra como treinador?

- Como treinador não o imaginava, mas já tinha um grande controlo do grupo. Tem o mesmo carisma dentro do balneário, esse carisma de se dar bem com os colegas. Fala bem com o jogador de futebol. Na altura em que partilhei com ele, estava sempre bem-disposto, a fazer piadas, a brincar com os colegas. Procurava sempre alegria no balneário. E por isso tem uma boa relação com todos. Depois acrescentou a parte tática, de treinador; mas a parte mais importante é essa, a de ser humano. A de perguntar ao jogador como está, como está a família, se precisa de alguma coisa ou não. Para mim, essa é a parte mais importante.

- Como imagina a final frente a Espanha?

- Acho que será um jogo muito parecido com a primeira parte contra a Inglaterra. Ambas as equipas vão estudar-se muito e, taticamente, darão muito poucas vantagens. A Argentina pode fazer a diferença graças a jogadores desequilibradores como o Messi. A Espanha também, com o Lamine Yamal nas alas. Depois, a Espanha também tem um grande controlo da bola e sabe gerir os jogos. Não é tão vertical nem tão rápida, mas tem boa posse e movimenta-se bem. O Messi vai estudar o jogo, quando não consegue pelo meio, desce pelas alas. Isso é o Messi. Por isso, será um jogo muito tático. A Argentina encontra sempre aquele momento para marcar primeiro e pode conseguir desbloquear o jogo.

O ‘caso Marcelo Bielsa’ e o que ficou do México com Javier Aguirre

- A campanha de Marcelo Bielsa com o Uruguai... Considera que as críticas foram injustas?

- O Bielsa influenciou imensos treinadores, mas é assim o mundo. Se não ganhas, não serves. E isso está muito errado. E sabemos que todos te acompanham quando és campeão, mas quando não és campeão ninguém te acompanha. Mas como disse o Marcelo Bielsa, ‘o mais bonito é o caminho percorrido com as tuas armas nobres, quando trabalhaste para um bem, mas não aconteceu’. Mas há quem não entenda isso. É um grande treinador, mas o resultado ainda não apareceu. Tive a sorte de ser treinado por ele e conquistámos uma medalha de ouro. Foi super importante a nível pessoal. Aprendi imenso, tanto na parte tática como na humana. É uma pessoa frontal, nobre e completamente dedicada ao futebol. O Marcelo Bielsa está sempre a pensar em futebol, na tática, no adversário, mas obviamente é injusto. Isto também é resultado e ele sabe disso.

- Pergunto-lhe pelo México, um país que conhece muito bem. Mais uma vez ficou perto. O que falta para dar o próximo passo?

- O México fez um grande Mundial, mas ficou sempre à beira. Parece que lhe falta aquele passo para dar o salto… não sei se lhe chame de qualidade ou de hierarquia porque têm grandes futebolistas. Acho que devem investir mais nas camadas jovens. A partir daí podem formar mais jogadores, porque têm a infraestrutura. Para mim, falta gente capacitada nas camadas jovens, onde se procuram os ‘miúdos’, porque muitos não têm oportunidade de se testar num Cruz Azul, num América, num Monterrey, num Toluca. Não têm dinheiro para apanhar um autocarro. E o México é grande, já formou grandes futebolistas como o Rafa Márquez, (Jorge) Campos, Cuauhtémoc Blanco, Hugo Sánchez, ‘Chicharito’ Hernández. É preciso formar esse tipo de jogadores. E depois que o jogador mexicano vá para a Europa, porque a Europa dá-te outra dimensão mental e futebolística. É isso, não há grande mistério.

- Acredita que os clubes mexicanos deviam regressar à Taça Libertadores?

- Sem dúvida alguma, nem que seja como convidados. A Libertadores dá outra dimensão e já ficou provado que as equipas mexicanas podem competir de igual para igual. E foi difícil para muitas equipas, como o River e o Boca. 

- Como embaixador da Ligue 1, que jogadores mexicanos vê com condições para jogar em França?

- A mim levou-me seis, sete meses a adaptar-me, porque é uma liga muito competitiva, muito forte. Taticamente também. Falo sempre do Charly Rodríguez, mesmo não tendo ido ao Mundial, e também do Santiago Giménez, que agora está em Itália. Mas acredito realmente que todos poderiam jogar em França. Há bons jogadores no México. Podia dar-te mil nomes. O mais importante é ter a mentalidade para se adaptar ao idioma, ao clima, ao ritmo físico e tático dessa liga.

- Como imagina o seu futuro dentro do futebol?

- Comecei o curso de treinador, mas acabei por decidir focar-me na direção desportiva, que me chama a atenção e me agrada. Neste momento estou na intermediação de futebolistas com a empresa que me acompanhou durante a minha carreira. O meu objetivo para o futuro é integrar um clube como diretor desportivo. Gostava de continuar ligado ao futebol a partir desse papel.

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 decorreu de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio contou com 48 seleções nacionais e foi disputado em 16 estádios.

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