Infantino e os preços dos bilhetes para o Mundial: "Ofereço cachorro-quente e coca-cola"

Presidente da FIFA, Gianni Infantino
Presidente da FIFA, Gianni InfantinoREUTERS/Jennifer Gauthier

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu esta terça-feira os preços dos bilhetes para o Mundial, sublinhando que o organismo máximo do futebol mundial tem a obrigação de aproveitar as leis dos Estados Unidos, que permitem a revenda de bilhetes por valores muito superiores ao preço original.

A FIFA tem sido alvo de duras críticas devido ao custo dos bilhetes para o Mundial, com a organização de adeptos Football Supporters Europe (FSE) a classificar a estrutura de preços como "extorsiva" e uma "traição monumental".

Em março, a FSE apresentou uma queixa à Comissão Europeia contra a FIFA devido aos "preços excessivos dos bilhetes" para o torneio.

No próprio site de revenda da FIFA, o FIFA Marketplace, foram anunciados na semana passada quatro bilhetes para a final de 19 de julho, em Nova Iorque, a mais de dois milhões de dólares cada um (aproximadamente 1,7 milhões de euros).

Ao intervir na Milken Institute Global Conference, em Beverly Hills, Infantino afirmou que os preços astronómicos refletem a procura para assistir ao Mundial.

"Se algumas pessoas colocam no mercado de revenda bilhetes para a final a dois milhões de dólares, em primeiro lugar isso não significa que os bilhetes custem dois milhões de dólares", disse Infantino.

"E em segundo lugar, não significa que alguém vá comprar esses bilhetes", acrescentou Infantino. "E se alguém comprar um bilhete para a final por dois milhões de dólares, faço questão de lhe levar pessoalmente um cachorro-quente e uma Coca-Cola para garantir que tem uma experiência inesquecível".

Os grupos de adeptos têm comparado a diferença de preços dos bilhetes deste verão com os do Mundial do Catar em 2022.

O bilhete mais caro para a final em 2022 custava cerca de 1.600 dólares (1.350 euros) no valor original, enquanto em 2026 o bilhete mais caro para a final ronda os 11.000 dólares (9.300 euros) no preço base.

Infantino mostrou-se convicto de que o aumento acentuado dos preços de face era justificado.

"Temos de olhar para o mercado – estamos no mercado de entretenimento mais desenvolvido do mundo. Por isso, temos de aplicar preços de mercado", afirmou Infantino.

"Nos Estados Unidos também é permitido revender bilhetes. Portanto, se vendêssemos bilhetes a um preço demasiado baixo, esses bilhetes seriam revendidos por valores muito superiores".

"E, na verdade, mesmo que algumas pessoas digam que os preços dos bilhetes que praticamos são elevados, acabam sempre por aparecer no mercado de revenda a preços ainda mais altos, mais do dobro do nosso valor".

Infantino revelou que a FIFA recebeu mais de 500 milhões de pedidos de bilhetes para 2026, em comparação com menos de 50 milhões no total para os Mundiais de 2018 e 2022.

O líder da FIFA acrescentou que 25 por cento dos bilhetes para a fase de grupos têm um preço inferior a 300 dólares (255 euros).

"Não se consegue ir ver um jogo universitário nos Estados Unidos, quanto mais um jogo profissional de topo, por menos de 300 dólares (255 euros)", afirmou Infantino. "E isto é o Mundial".