Liga Conferência: Estrasburgo aponta à final no meio da turbulência da BlueCo

Gary O'Neil (R), treinador do Estrasburgo
Gary O'Neil (R), treinador do EstrasburgoREUTERS/Isabel Infantes

O Estrasburgo poderá chegar esta semana à primeira final europeia da sua história, no final de uma época turbulenta para o clube que pertence ao mesmo consórcio BlueCo que detém o Chelsea.

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A equipa treinada pelo inglês Gary O'Neil recebe o Rayo Vallecano no Stade de la Meinau, na quinta-feira, na segunda mão das meias-finais da Liga da Conferência, procurando ultrapassar a desvantagem de 1-0 do primeiro encontro.

Nenhuma das duas equipas chegou antes aos quartos de final de uma competição europeia, e o vencedor passará à final na cidade alemã de Leipzig, a 27 de maio, contra o Crystal Palace ou o Shakhtar Donetsk.

Ainda não há muito tempo, a perspetiva de levantar um troféu europeu teria parecido um sonho impossível para os adeptos do Estrasburgo.

O clube de uma cidade que fica na fronteira da França com a Alemanha e é sede do Parlamento Europeu, foi campeão francês apenas uma vez, em 1979.

Antes desta campanha, a sua melhor participação na Europa foi em 1980, quando perdeu com o Ajax nos quartos de final da Taça dos Campeões Europeus, embora tenha conseguido uma vitória memorável contra o Liverpool na Taça UEFA em 1997.

Mas o envolvimento da BlueCo em tudo isto é um ponto de tensão para os adeptos do Estrasburgo.

"Precisávamos de alguém que nos acompanhasse para chegar a esta etapa", disse o presidente do clube, Marc Keller, um ex-jogador do Estrasburgo, à rádio RMC, depois de a equipa ter vencido o Mainz, da Alemanha, na última ronda.

Marc Keller recordou que o Estrasburgo estava a definhar no quarto e quinto escalões regionais e amadores do futebol francês há 15 anos, depois de ter tido dificuldades financeiras e ter entrado em liquidação.

Regressou à Ligue 1 em 2017, após quase uma década de ausência, e conseguiu estabelecer-se de novo na primeira divisão.

No entanto, o Estrasburgo não parecia estar a competir na Europa antes de a BlueCo assumir o controlo em junho de 2023, um ano depois de ter comprado o Chelsea.

"Estávamos conscientes de que tínhamos ido o mais longe possível com o nosso modelo atual", insistiu Keller.

Protestos silenciosos

Desde então, foi investido dinheiro significativo em novos jogadores e o Estrasburgo qualificou-se para esta edição da Liga Conferência depois de uma última campanha emocionante sob o comando do treinador inglês Liam Rosenior.

Alguns jogadores talentosos chegaram ao clube vindos do Chelsea, embora a maioria deles tenha sido emprestada, mas o que os adeptos notaram acima de tudo é outra coisa: se um jogador ou técnico se sair muito bem na Alsácia, é provável que rume a Stamford Bridge.

Em setembro, o neerlandês Emmanuel Emegha, capitão do  Estrasburgo, anunciou que iria para o Chelsea na próxima temporada, o que deixou muitos adeptos chateados.

Em janeiro, o Chelsea decidiu contratar Rosenior, cujos comentários pouco contribuíram para acalmar a ira dos adeptos.

"Espero que os adeptos se sintam orgulhosos por alguém que trabalhou aqui ter sido identificado para ser o treinador de um clube vencedor da Liga dos Campeões e atual campeão do mundo de clubes", sugeriu.

Foi substituído por O'Neil, com quem o  Estrasburgo já perdeu nas meias-finais da Taça de França.

"O jogo de quinta-feira é o mais importante da história do clube. Vamos precisar do mesmo apoio e energia que tivemos contra o Mainz", disse O'Neil.

O problema é que, desde a época passada, os adeptos mais fervorosos do clube optam por manifestar o seu descontentamento em relação aos proprietários através de um protesto silencioso nos primeiros 15 minutos dos jogos.

O que se está a passar em Estrasburgo é "o que poderá ser o futuro da grande maioria dos clubes", afirmou o Ultra Boys 90, um dos principais grupos de adeptos, numa carta aberta publicada no início deste ano.

"Serão relegados para o papel de equipas satélite, sem recursos próprios, sem alma e sem ligação ao seu local de origem".

O protesto silencioso deverá decorrer como habitualmente na quinta-feira, apesar de o Ultra Boys 90 ter apelado aos adeptos para se reunirem antes do pontapé de saída para receber o autocarro da equipa no terreno.

O estádio foi recentemente renovado, com uma enorme bancada principal que aumentou a capacidade para cerca de 32.000 espectadores.

Atualmente, a lotação está quase sempre esgotada, mas muitos dos adeptos que a enchem estão descontentes, ou pelo menos em conflito, com o rumo que o clube está a tomar.

Mesmo que o clube possa estar a caminho de uma final europeia, com a possibilidade de levantar um troféu conquistado na época passada pelo... Chelsea.