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Antigo lateral, de 50 anos, nascido em Maputo e com dupla nacionalidade, Armando Sá fez carreira como jogador em vários países, tendo passado por clubes como Rio Ave, SC Braga, Benfica, Villarreal, Espanhol, Leeds United, entre outros. Nos últimos anos, esteve ligado ao futebol canadiano, como adjunto do Pacific FC, experiência que considera decisiva na sua evolução como treinador.
“Sinto que estou num momento de grande maturidade. Tudo o que vivi como jogador e, mais tarde, como treinador no Canadá deu-me uma visão muito completa do futebol. Hoje sinto-me preparado para trabalhar a um nível mais alto”, afirmou, em declarações à Lusa.
Atualmente a tirar o curso UEFA Pro em Espanha, por falta de vagas em Portugal, Armando Sá assume que o objetivo passa por continuar a crescer e preparar-se para novos desafios na carreira técnica.
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“Continuo a aprender todos os dias e o curso UEFA Pro é mais um passo importante na minha evolução. Portugal continua a formar excelentes treinadores, reconhecidos em todo o mundo, mas existem poucas vagas para quem quer continuar a evoluir. Foi por isso que procurei uma oportunidade em Espanha”, explicou.
Sobre a seleção portuguesa, o antigo defesa fez um balanço positivo da fase de grupos, embora tenha deixado reparos à forma como a equipa tem procurado soluções durante a competição.

“Portugal fez uma fase de grupos positiva. A equipa mostrou qualidade, personalidade e confirmou o enorme talento que possui. Nem todos os jogos foram jogados da maneira que queríamos, mas nesta fase, o mais importante era garantir o apuramento e esse objetivo foi alcançado com mérito”, sustentou.
Armando Sá elogiou a gestão de grupo de Roberto Martínez, mas admitiu dúvidas no plano tático.
“O mister Roberto Martínez tem realizado um trabalho positivo, sobretudo na gestão de grupo. Mas, em termos táticos, estou um bocado confuso, porque não sei qual é a identidade de Portugal no jogo”, analisou.
O técnico deu como exemplo a utilização de Pedro Neto no corredor esquerdo, por entender que essa opção condicionou a projeção ofensiva de Nuno Mendes. Para Armando Sá, Portugal corrigiu depois alguns aspetos, com João Félix a jogar mais por dentro e a libertar espaço para o lateral do Paris Saint-Germain.
“Há muitos ajustes. Estamos a ajustar depois dos jogos. Acho que já devia estar tudo preparado para que Portugal tivesse uma identidade própria e crescesse com confiança dentro do campeonato. Parece-me que Portugal ainda está à procura da sua identidade e do seu onze. Isto pode pagar-se caro”, avisou.
Ainda assim, o antigo jogador do Benfica, Villarreal e Espanhol acredita que a seleção nacional tem argumentos para chegar longe.
“Portugal tem qualidade para discutir o título mundial. O talento existe, tanto individual como coletivo. No entanto, nestas competições, os detalhes fazem toda a diferença. É preciso manter a consistência, saber sofrer quando for necessário e ser eficaz nos momentos decisivos”, afirmou.
"Cristiano Ronaldo continua a ser uma referência mundial"
Questionado sobre Cristiano Ronaldo, Armando Sá destacou a influência do capitão português, que voltou a marcar neste Mundial.
“Cristiano Ronaldo continua a ser uma referência mundial. Para além dos golos, transmite liderança, experiência e uma mentalidade vencedora que contagia todo o grupo. Continua a fazer a diferença dentro e fora de campo”, disse.
Como antigo lateral, Armando Sá sublinhou ainda a importância dos corredores no futebol moderno, considerando que Portugal está “bem servido” nessas posições.
“Os laterais têm hoje um papel fundamental. Não defendem apenas, são também responsáveis por criar superioridade ofensiva, dar largura ao jogo e participar na construção. Portugal tem jogadores de muita competência nessas posições”, referiu.

Sobre o Canadá, país onde iniciou o percurso como treinador, Armando Sá garantiu que a campanha da seleção orientada por Jesse Marsch não o surpreende.
“Conheço bem a evolução do futebol canadiano e sinto até que faço parte deste crescimento. Trabalhei cinco anos na Liga Canadiana e vi o crescimento do jogador canadiano”, afirmou.
O treinador destacou a importância da Canadian Premier League, da aposta na formação e da presença de jogadores canadianos em grandes clubes europeus, como Alphonso Davies, Jonathan David e Stephen Eustáquio.
“O Canadá está a criar uma cultura enorme de futebol. A chegada de Jesse Marsch foi importante para juntar este país enorme e mostrar que era possível competir internacionalmente. O Canadá está num bom momento e é uma equipa a ter em conta”, concluiu.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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