Portugal e Argentina ainda dependem de Ronaldo e Messi: saiba como e quais os resultados

Messi e Ronaldo participam no último Mundial das suas carreiras
Messi e Ronaldo participam no último Mundial das suas carreirasNARINDER NANU / AFP/ Flashscore

O Mundial-2026 poderá ficar para a história como o último de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Aos 41 e 39 anos, respetivamente, as duas maiores figuras da última geração continuam a ser o centro do jogo das suas seleções, embora de formas bastante distintas.

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O debate de quem é o verdadeiro G.O.A.T do futebol mantém-se e tem vindo a dividir a internet nas últimas décadas, mas é inegável que estes dois nomes marcaram a história do futebol e há muito ditam as regras do jogo, desafiando limites que os próprios foram impondo ao longo dos anos.

No entanto, há um fator comum a todos os humanos, mesmo aqueles que, por vezes, parecem vindos de outro planeta. O tempo passa e muda-nos por completo. Cristiano Ronaldo e Messi não são os mesmos jogadores de outrora, mas continuam a ser as grandes referências das respetivas seleções.

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Siga o relato no site ou na aplicaçãoFlashscore

Protagonismo evidente nos números

Apesar da idade, Portugal e Argentina continuam a jogar para as suas estrelas e os dados da Opta comprovam que há, ainda, uma enorme dependência das duas seleções nos seus capitães, embora Roberto Martínez, selecionador português, e Lionel Scaloni, técnico argentino, utilizem fórmulas diferentes para tentar tirar melhor partido de ambos.

Portugal procura Ronaldo sobretudo para finalizar. Já a Argentina continua a depender de Messi para criar, acelerar e concluir os ataques.

Aos 41 anos, Ronaldo é o jogador com maior peso no xG da própria seleção entre todos os participantes que ainda se mantêm em prova. De acordo com os dados analisados pela Opta, o avançado representa 56% do xG total de Portugal, sendo o único futebolista do torneio acima dos 50%.

xG de Cristiano Ronaldo no Mundial
xG de Cristiano Ronaldo no MundialOpta by Stats Perform

Na prática, mais de metade da qualidade das oportunidades criadas pela equipa portuguesa terminou nos pés ou na cabeça do capitão. Ronaldo acumulou 2,2 xG, marcou dois golos e realizou 13 remates em 270 minutos, com uma média de 0,17 xG por tentativa.

O mapa de remates ajuda a perceber a forma como Portugal procura o seu capitão. Quase todas as ocasiões do avançado surgiram numa faixa central, entre a pequena área e a marca de penálti. Este acaba por ser um sinal positivo quanto à capacidade de Ronaldo para encontrar espaços em zonas privilegiadas de finalização, mas também pode denunciar alguma previsibilidade ofensiva por parte da seleção portuguesa.

Os adversários sabem que grande parte das melhores oportunidades portuguesas acaba por passar por Ronaldo. Apesar da quebra de eficácia do capitão, que esteve 10 jogos consecutivos sem marcar em fases finais de Europeus e Mundiais, uma atenção especial ao camisola 7 pode ser suficiente para limitar grande parte do perigo ofensivo da seleção portuguesa.

Mapa de toques de Cristiano Ronaldo
Mapa de toques de Cristiano RonaldoOpta by Stats Perform

Na Argentina, essa dependência manifesta-se de forma diferente. Messi representa 45% do xG da seleção, um valor inferior ao de Ronaldo, mas lidera de forma destacada o ranking de xG+xA: é responsável por 42% da produção ofensiva argentina.

xG de Messi no Mundial
xG de Messi no MundialOpta by Stats Perform

A diferença reside no tipo de influência. Ao contrário de Ronaldo, Messi não aparece apenas no final das jogadas e participa na criação de oportunidades, na progressão com bola e na ligação entre setores, mantendo um papel central na forma como a Argentina constrói e acelera os ataques.

O argentino marcou seis golos em 200 minutos, após 15 remates, e apresentou uma média de 0,18 xG por tentativa. Três desses golos surgiram de fora da área.

Mapa de toques de Messi
Mapa de toques de MessiOpta by Stats Perform

Os dados da Opta mostram ainda a qualidade da finalização de Messi. O argentino transformou remates avaliados em 1,9 xG num total de 2,9 xGOT, métrica que mede a qualidade do remate depois de a bola sair do pé do jogador. Ainda assim, os seis golos representam uma eficácia muito acima do esperado.

Ronaldo, pelo contrário, passou de 2,2 xG para 1,9 xGOT, o que sugere que a qualidade das suas finalizações reduziu ligeiramente o valor inicial das oportunidades.

Messi é o melhor marcador do Mundial, a par de Mbappé
Messi é o melhor marcador do Mundial, a par de MbappéREUTERS/Hannah Mckay/Opta by Stats Perform

Ronaldo não consegue acompanhar influência de Messi

Apesar de ambas as seleções dependerem fortemente dos respetivos capitães, os números mostram que a influência de Messi e Ronaldo manifesta-se de formas bastante distintas. Enquanto o português continua a ser sobretudo um finalizador, o argentino mantém um papel determinante em praticamente todas as fases do ataque albiceleste.

O esquerdino foi eleito melhor em campo nos dois encontros em que foi titular, com notas de 9,6 e 9,3 no Flashscore, tendo ainda alcançado 7,8 como suplente. 

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O argentino apresentou a melhor média da sua seleção no parâmetro de criação e ficou com o terceiro melhor registo em progressão. É precisamente esta capacidade de assumir várias funções no ataque de Scaolini que o separa de Ronaldo nesta comparação.

Messi na estreia frente à Argélia
Messi na estreia frente à ArgéliaFlashscore

O peso ofensivo do português torna-se ainda mais evidente quando se analisa a distribuição das oportunidades. Cerca de 72% do xG de Ronaldo foi produzido apenas frente ao Uzbequistão, encontro em que registou 1,6 xG e recebeu uma avaliação de 8,6 para o Flashscore.

Nos outros dois jogos da fase de grupos, o capitão português teve uma influência bastante mais reduzida. Diante da Colômbia, o adversário teoricamente mais exigente, conseguiu apenas dois toques na área contrária.

Mapa de toques de Ronaldo frente à Colômbia
Mapa de toques de Ronaldo frente à ColômbiaOpta by Stats Perform

“Ronaldo é responsável por mais de metade do xG total de Portugal, embora 72% desse valor tenha sido produzido apenas frente ao Uzbequistão. Esta excessiva concentração no avançado como referência ofensiva pode ser um dos principais problemas da seleção portuguesa até ao momento”, analisa Marek Kabát, analista do Flashscore.

Parte desta concentração ofensiva resulta também das opções de Roberto Martínez. Tal como aconteceu no Europeu, Portugal continua a revelar dificuldades em encontrar alternativas quando não consegue explorar o corredor central e ainda não tem conseguido retirar o máximo rendimento do trio formado por João Neves, Vitinha e Bruno Fernandes. Essa limitação acaba por aumentar, naturalmente, a importância de Ronaldo na definição dos ataques.

Ronaldo lidera ranking de remates de Portugal
Ronaldo lidera ranking de remates de PortugalIMAGN IMAGES via Reuters/Nathan Ray Seebeck/Opta by Stats Perform

O dado relativo ao xG+xA, que combina a qualidade dos remates com as ocasiões criadas para os colegas, reforça essa leitura. Ronaldo representa 30% da produção ofensiva de Portugal, enquanto Bruno Fernandes surge com 20%.

Dependência: força ou fragilidade?

Ter Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi como principal referência ofensiva continua a ser um privilégio para qualquer seleção. Ambos demonstram que, mesmo numa fase avançada da carreira, continuam capazes de concentrar uma fatia da produção ofensiva que a maioria dos jogadores não consegue alcançar. Porém, essa dependência também pode representar um risco e isso tem sido mais visível no jogo de Portugal, que apenas passou no 2.º lugar do grupo K.

"O facto de Messi ser responsável por quase metade, 42%, da produção ofensiva da Argentina, considerando xG e xA, representa um valor invulgarmente elevado. Por um lado, confirma o excelente momento que atravessa; por outro, levanta a questão sobre o que poderá acontecer se não conseguir manter este nível num dos jogos a eliminar”, explica Marek Kabát.

Messi também lidera ranking de remates da Argentina
Messi também lidera ranking de remates da ArgentinaREUTERS/Hannah Mckay/Opta by Stats Perform

Na fase a eliminar, as duas seleções têm diferentes desafios pela frente no que toca a acomodar e tirar maior partido das suas principais estrelas.

Se Portugal tem de encontrar soluções para criar perigo quando Ronaldo é afastado das zonas centrais e não recebe em condições favoráveis e já próximo da pequena área, como aconteceu frente ao Uzbequistão, a Argentina precisa de evitar que toda a construção ofensiva fique condicionada por um jogo menos conseguido de Messi.

Mapa de passes de Messi
Mapa de passes de MessiREUTERS/Kai Pfaffenbach/Opta by Stats Perform

Ronaldo continua a ser o alvo preferencial de Portugal para finalizar as jogadas e decidir partidas, enquanto Messi permanece o princípio, o meio e muitas vezes o fim do ataque argentino. Duas lendas, duas formas de carregar uma seleção e uma pergunta antes dos jogos decisivos, já frente à Croácia e a Cabo Verde, respetivamente: o que acontece quando o principal protagonista deixa de conseguir decidir?

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.

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