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"(A minha mãe) veio aos Estados Unidos visitar a sua irmã. Tinha o bilhete de regresso, mas disseram-lhe que a gravidez já estava demasiado avançada. Por isso, nasci em Nova Iorque", conta o avançado do Mónaco num vídeo publicado esta semana no Instagram pela equipa americana. Tradicionalmente, qualquer pessoa nascida em solo americano obtém automaticamente a cidadania.
Produto genuinamente britânico, depois de ter crescido em Londres e jogado pelos Three Lions até aos 21 anos, o avançado beneficiou assim do direito de solo e optou por representar os Estados Unidos em vez da Inglaterra ou da Nigéria, país de origem da sua família.
"Estava elegível para representar a América… não seria eu a impedir que esta história acontecesse", afirmou, com o seu característico sotaque londrino.
No entanto, um percurso destes pode tornar-se impossível. Donald Trump pretende, de facto, reverter o princípio do direito de solo, consagrado pela 14.ª emenda da Constituição americana, no âmbito de um endurecimento mais amplo da política migratória.

O presidente americano quer limitar a cidadania aos filhos nascidos nos Estados Unidos cujos pais sejam, pelo menos um deles, cidadão americano ou residente permanente legal — o que não era o caso de Folarin Balogun.
Segunda nacionalidade
Segundo especialistas ouvidos pela AFP, o caso de Folarin Balogun continua a ser atípico no mundo do futebol, mas ilustra a crescente interligação das dinâmicas migratórias neste desporto. Cerca de um quarto dos jogadores deste Mundial nasceu num país diferente daquele que representa, explica Marissa Kiss, do Instituto de Investigação sobre Imigração da Universidade George Mason.
"Tal como nos Jogos Olímpicos ou no Mundial, os países competem para atrair talentos, e a política de imigração é uma ferramenta estratégica. Os países que facilitam o acesso à cidadania têm vantagem no recrutamento de talentos", afirma.
As diásporas desempenham um papel cada vez mais relevante no alargamento do leque de jogadores, acrescenta Gijsbert Oonk, professor na Universidade Erasmus de Roterdão, especialista nas ligações entre migração e desporto.
"A França tornou-se assim o principal exportador mundial de talentos futebolísticos. No Mundial-2026, cerca de 100 jogadores nasceram em França. No entanto, apenas uma minoria representa a seleção nacional", escreve num recente artigo de blogue, referindo-se a jogadores que atuam pela Argélia, Marrocos, Senegal, Mali ou Haiti — reflexo da história colonial francesa.

Este Mundial conta também com quatro pares de irmãos a jogar por equipas diferentes. É o caso, por exemplo, dos irmãos Doué: Désiré veste a camisola da seleção de França, enquanto Guéla, o irmão mais velho, representa a Costa do Marfim.
Na seleção americana, metade dos 26 jogadores tem pelo menos uma segunda nacionalidade. É o caso de Tim Weah, filho da lenda do futebol George Weah, único africano a conquistar a Bola de Ouro e que mais tarde se tornou presidente da Libéria.
O extremo do Olympique de Marselha optou por jogar pelos Estados Unidos, apesar de também estar elegível para representar a Libéria, a Jamaica ou a França.
O Supremo Tribunal americano deverá pronunciar-se sobre o direito de solo até ao final de junho ou início de julho, coincidindo com a fase final do Mundial, cuja final se disputa a 19 de julho. Uma decisão com repercussões sentidas até dentro das quatro linhas.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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