Reportagem: Em Boston, a Tartan Army já conquistou os corações dos americanos

Em Boston, a Tartan Army já conquistou os corações
Em Boston, a Tartan Army já conquistou os coraçõesREUTERS

Nos bares, nas ruas e até no Fenway Park, o emblemático estádio dos Red Sox... As dezenas de milhares de adeptos da Escócia já deixaram uma marca indelével em Boston, com as suas gaitas de foles, o seu espírito festivo e o seu entusiasmo contagiante.

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Já lá vão 28 anos, desde o Mundial de 1998 em França, que a Tartan Army – a alcunnha dos adeptos da Escócia – estava afastada dos Campeonatos do Mundo, e está decidida a recuperar o tempo perdido. Não há dúvidas de que a sua invasão ruidosa e colorida das ruas de Boston ficará como uma das imagens marcantes deste torneio.

"Oh meu Deus, eles são incríveis! Adoro vê-los a divertir-se tanto na cidade", maravilha-se Cara DiBenedetto, 54 anos, que vive no bairro de North End.

"O meu olhar sobre a minha própria cidade mudou, só de os ver a aproveitar tantas coisas que eu própria já não via", acrescentou.

Alguns meios de comunicação estimaram entre 40.000 e 50.000 o número de escoceses presentes na capital do Massachusetts no sábado, para o primeiro jogo frente ao Haiti. Espera-se um número semelhante esta sexta-feira para o segundo jogo, contra Marrocos.

O custo da viagem e o contexto político tenso nos Estados Unidos não os demoveram de atravessar o Atlântico para apoiar os homens de Steve Clarke, tal como o preço exorbitante dos bilhetes não foi obstáculo.

Rutura de stock de cerveja

"Se for preciso, minto à minha mulher", brinca Jamie Grewar, 42 anos, que veio de Edimburgo com dois amigos para o jogo frente ao Haiti, com um bilhete de 500 dólares no bolso. Sem surpresa, os 64.000 espectadores do Gillette Stadium, em Foxborough, a cerca de trinta quilómetros a sul do centro de Boston, estavam maioritariamente do lado dos escoceses, que venceram por 1-0 graças a um golo de John McGinn.

"Só quando entrei em campo é que percebi quantos adeptos estavam presentes", confessou após o jogo o médio Lewis Ferguson.

"A sua presença será eterna. Seguem-nos para todo o lado. Sempre o fizeram e sempre o farão", acrescentou.

Foi na cidade que a vitória foi depois celebrada, à moda escocesa... Alguns meios de comunicação relataram que vários bares ficaram sem cerveja.

"Eles são extraordinários, sinceramente. Sempre se mostraram respeitadores", afirmou Chris Wildt, barman de 49 anos no Black Rose: "Bebem um pouco mais do que pensávamos, mas é isso que gostamos."

E no domingo, passada a ressaca, foi um exército de adeptos de kilt que desfilou pelas ruas ao som da gaita de foles até ao Fenway Park, onde os Red Sox receberam os Texas Rangers no campeonato norte-americano de basebol.

"Cabe-nos a nós dar-lhes alegria!"

Desde então, as redes sociais estão cheias de vídeos virais do espetáculo dos escoceses nas bancadas, a entoar em uníssono os seus cânticos de apoio a John McGinn. A seleção escocesa espera que não fique apenas na memória pelos seus adeptos, mas também pelo seu percurso. Esta é a sua 9.ª participação no Mundial, e nunca conseguiu ultrapassar a fase de grupos, um registo modesto que tem dado azo a muitas piadas.

Uma vitória frente ao Haiti era obrigatória, antes de defrontar Marrocos, sétimo no ranking da FIFA e semifinalista da última edição, e depois o Brasil, que não ambiciona menos do que uma sexta coroa mundial.

"Sabemos que temos o melhor público do mundo, sabemos que nos seguem por todo o lado em grande número, sabemos há quanto tempo esperam por este momento e sabemos o quanto são entusiastas", afirmou o capitão Andy Robertson: "Cabe-nos a nós dar-lhes alegria!"