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A primeira má notícia chegou mesmo no final da preparação, com um timing particularmente cruel. Marcelo Flores rompeu o ligamento cruzado anterior durante a final da Liga dos Campeões da CONCAFAF a 31 de maio, apenas algumas horas depois de ter sido convocado para os 26 de Marsch. O médio ofensivo de 22 anos, que tomou a decisão corajosa de representar o Canadá depois de ter vestido a camisola do México, nunca irá disputar o Mundial com que sonhava. Esta ausência representa um verdadeiro quebra-cabeças para Marsch, que contava com Flores para trazer criatividade, mobilidade e soluções ofensivas.
Mas é na defesa que o cataclismo é mais profundo. E tem um rosto: o de Moïse Bombito. O defesa-central do OGC Nice, apontado como um dos pilares da defesa de Marsch, fraturou a tíbia esquerda em outubro de 2025 e só disputou dois jogos desde então. A sua presença no grupo já dependia mais da fé do que de certezas médicas. A realidade acabou por pôr fim a qualquer esperança durante a preparação. No particular frente ao Uzbequistão, Bombito aguentou apenas cerca de 30 minutos antes de sentir novas dores. Depois, não voltou a pisar o relvado frente à Irlanda. Um último teste foi realizado num jogo à porta fechada contra o Vermont Green FC com o mesmo resultado: meia hora e depois paragem. A equipa técnica canadiana acabou por considerar que a sua tíbia operada não estava suficientemente recuperada e que o risco de recaída era demasiado elevado para o alinhar num torneio desta dimensão.
Bombito em espera até ao fim
Marsch, no entanto, ressalvou que lhe daria "até ao último minuto" para tomar uma decisão, acrescentando: "Ele está a tentar recuperar de alguns problemas para ver se pode estar a 100%, mas vamos dar-lhe a melhor oportunidade possível". Uma fórmula simpática que parece mais uma forma de acompanhar a saída de um jogador do que uma verdadeira esperança de o ver no onze inicial frente à Bósnia-Herzegovina a 12 de junho. A equipa técnica canadiana tem até 11 de junho para oficializar a sua substituição.

À sua volta, o eixo defensivo tem de ser totalmente reconstruído. Derek Cornelius, que deveria formar a dupla com Bombito, praticamente não jogou nos últimos meses pelo Rangers na Escócia. Luc de Fougerolles, de 20 anos, teve de acumular minutos nos particulares para colmatar a ausência de Bombito, sendo titular em Edmonton e depois em Montreal frente à Irlanda. É sobre os seus ombros, e os de Joel Waterman, chamado em último recurso, que poderá recair a defesa canadiana. Richie Laryea também está em fase de recuperação, acrescentando mais um problema ao flanco esquerdo.
A situação de Alphonso Davies não é mais animadora. O capitão canadiano, que já tinha sofrido uma rotura do ligamento cruzado anterior do joelho direito no inverno passado, voltou a lesionar-se no isquiotibial esquerdo na segunda mão da meia-final da Liga dos Campeões frente ao PSG no início de maio, terminando assim a sua época pelo Bayern. Davies continua em dúvida para o primeiro jogo do Canadá e a sua eventual ausência obrigaria Marsch a reposicionar Richie Laryea ou Ali Ahmed no corredor esquerdo. Para um jogador do seu calibre, chegar a um Mundial em casa sem competir há um mês representa um desafio físico e mental considerável, mesmo que a sua simples presença continue a ser uma mais-valia simbólica e tática para o grupo.
Uma enfermaria mais do que um plantel
Mesmo os jogadores fisicamente presentes chegam ao torneio sem realmente terem brilhado nos clubes esta época. Jonathan David, apontado como a principal referência do ataque canadiano, viveu a sua primeira época dececionante em vários anos. Marcou apenas seis golos na Serie A pela Juventus, contra 16 na Ligue 1 na época anterior pelo Lille. O avançado teve dificuldades em adaptar-se ao futebol mais tático e defensivo da Serie A. Após um regresso de forma em janeiro, com quatro golos e três assistências, voltou a baixar de rendimento ao ponto de o treinador Spalletti o ter deixado várias vezes no banco. Alistair Johnston, por sua vez, regressa agora de lesão no Celtic, com muito poucos minutos nas pernas. Jacob Shaffelburg, esperado para a rotação ofensiva, treina à parte há vários dias devido a um problema numa perna.

No entanto, não se podem perder de vista os verdadeiros trunfos desta seleção. Tajon Buchanan traz profundidade ao flanco direito após uma época sólida no Villarreal. Stephen Eustáquio, emprestado pelo FC Porto ao LAFC, continua a ser um médio fiável, capaz de combinar intensidade e ligação ofensiva. E Promise David pode ser a grande surpresa desta preparação: operado à anca em fevereiro, o avançado do Union Saint-Gilloise parecia ter perdido definitivamente o Mundial até que uma chamada de Marsch o relançou na recuperação.
Mas o equilíbrio é frágil. Se a dupla central, um remendo de jogadores pouco rodados ou insuficientemente recuperados, não aguentar frente à Bósnia-Herzegovina já a 12 de junho em Toronto, o Canadá arrisca-se a viver um Mundial em casa com muito sofrimento. Ao anunciar a sua lista a 29 de maio, Jesse Marsch prometeu o melhor plantel da história canadiana. Três dias antes do pontapé de saída, vê-se a gerir uma enfermaria.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 será realizado de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio contará com 48 seleções nacionais e será disputado em 16 estádios modernos.
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