Mundial-2026: Craig Gordon (Escócia) desafia o tempo aos 43 anos

Craig Gordon destacou-se no Celtic
Craig Gordon destacou-se no CelticMichael Zemanek / Shutterstock Editorial / Profimedia

Aos 43 anos, o guarda-redes escocês se prepara para quebrar barreiras no Mundial. Convocado para 2026, Gordon pode tornar-se no segundo atleta mais veterano da história do torneio, superando Faryd Mondragón e ficando atrás apenas de Essam El Hadary.

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Formado pelo Heart of Midlothian, Craig Gordon não demorou a consolidar-se como um dos guarda-redes mais talentosos da sua geração. As seis temporadas iniciais no clube, coroadas por uma participação na Taça UEFA, em 2003/04, abriram caminho para uma transferência histórica ao Sunderland, em 2007.

Na ocasião, os 10,8 milhões de euros desembolsados pelo clube inglês estabeleceram um novo recorde para a posição. Na Premier League, Gordon disputou 95 partidas em seis anos, mas sua trajetória foi travada por graves lesões no joelho, que quase forçaram uma retirada precoce. Afastado por mais de dois anos, muitos davam sua carreira em alto nível como encerrada.

Regresso triunfal ao Celtic e o renascimento

Em 2014, Craig Gordon assinou sem custos com o Celtic, iniciando um dos regressos mais impressionantes do futebol escocês. Em Glasgow, somou troféus, incluindo o título nacional de 2019, e reconquistou o lugar na seleção nacional após quatro anos de ausência. Essa volta por cima ganhou contornos heroicos diante das incertezas e do sofrimento físico enfrentados anteriormente. A capacidade de retomar o protagonismo, mesmo após o calvário das lesões, transformou-o em um símbolo de perseverança.

No verão Euro-2020, o goleiro optou por regressar ao Heart, clube que o projetou, onde segue a alto nível apesar da idade avançada. Este regresso a Edimburgo reflete uma lealdade incomum e a ambição de se manter competitivo no ambiente onde tudo começou. Aos 43 anos, Gordon permanece como um titular de absoluta confiança, fruto de uma disciplina física e mental exemplar.

Trajetória internacional de resiliência e recordes

A história de Gordon com a seleção principal da Escócia começou em 2004, após brilhar na formação. Atualmente, soma 83 convocatórias pela Escócia, tendo integrado o plantel do Euro-2020, embora não tenha entrado em campo. A caminhada internacional teve um hiato forçado entre 2010 e 2014, consequência direta dos problemas físicos. No entanto, sua resiliência trouxe-o de volta ao topo mais de uma vez.

Agora, a chamada para o Mundial-2026 carrega um simbolismo único: o de um atleta que se recusa a ser vencido pelo tempo. Caso pise no relvado, Gordon cravará seu nome na história como um dos guarda-redes mais velhos a disputar um Mundial, superando Mondragón (43 anos, em 2014) e ficando atrás apenas de El Hadary (45 anos em 2018). O feito seria a coroação definitiva de uma carreira marcada por uma resiliência fora do comum.

Modelo de longevidade

Para além das estatísticas, Gordon personifica a filosofia de nunca desistir. A sua jornada, pontuada por cirurgias complexas, regressos espetaculares e fidelidade às suas raízes, serve de inspiração para as novas gerações. Numa era em que a carreira dos guarda-redes está a prolongar-se, mantém-se como a referência máxima de que, com paixão e profissionalismo, é possível desafiar a lógica biológica.

Aos 43 anos, sua narrativa não é apenas a de um veterano que continua em atividade: é a de um homem que fez da persistência sua maior virtude. E se a Escócia procurar protagonismo na Copa, Craig Gordon certamente será uma peça fundamental nesse capítulo histórico.

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