Mundial-2026: Henrique Jones avisa que Portugal sente problemas fora da Europa

Pauleta no Mundial-2002, onde Portugal caiu na fase de grupos
Pauleta no Mundial-2002, onde Portugal caiu na fase de gruposFPF

Portugal tem sentido dificuldades crónicas em apresentar-se ao melhor nível em Mundiais de futebol disputados fora da Europa, alerta Henrique Jones, ex-médico da seleção nacional, confiante na inversão da tendência na edição de 2026.

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Portugal é um caso de estudo. Existem há anos um lote de jogadores e condições fantásticas para a preparação, mas, sempre que temos competições fora da Europa, falhamos e eu não sei explicar porquê nem nunca vi abordar esta temática”, reconheceu à agência Lusa o antigo responsável pelo departamento clínico da equipa lusa, entre 2000 e 2014.

A 23.ª edição do Campeonato do Mundo realiza-se de 11 de junho a 19 de julho e integra pela primeira vez 48 seleções, incluindo Portugal, num total de 104 jogos, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.

Tendo pela frente uma competição com características muito particulares, há que pensar nesse aspeto para saber o que se pode juntar à preparação da seleção, no sentido de obstar a este rótulo dos maus resultados fora da Europa”, reiterou o ortopedista especializado em medicina desportiva, ao lado da seleção principal em três Europeus e quatro Mundiais - três dos quais foram disputados nos continentes asiático, africano e sul-americano.

Qualificado pela nona vez, e sétima seguida, para a fase final do principal torneio internacional de seleções, Portugal tem como melhor resultado o terceiro lugar alcançado logo na estreia, em 1966, em Inglaterra, e só se voltou a aproximar do pódio em 2006, com a quarta posição na Alemanha.

A chegada aos quartos de final no Mundial-2022, no Catar, valeu o melhor desempenho em edições realizadas fora da Europa, após três eliminações na fase de grupos - 1986, no México, 2002, entre Coreia do Sul e Japão, e 2014, no Brasil - e uma nos oitavos, em 2010, na África do Sul, tal como sucedeu em 2018, na Rússia, no último Campeonato do Mundo realizado na Europa.

Henrique Jones confia que os jogos particulares disputados em março com México (0-0), na reabertura do Estádio Azteca e a 2.240 metros de altitude, na Cidade do México, e Estados Unidos (2-0), num estádio com teto fechado em Atlanta, na 700.ª partida da história da seleção portuguesa, foram “um bom passo em termos de aclimatização, ambientação e ganho de confiança” para o conjunto orientado pelo espanhol Roberto Martínez.

Dar a volta à tradição dos maus resultados fora da Europa vai começar este ano. Acho que vamos ter uma boa prestação e chegar muito longe. Agora, é fundamental haver bem-estar, gerir expectativas e evitar conflitos intergeracionais. O resto vem com a técnica dos jogadores, sendo que, muitas vezes, a sorte também existe”, notou, convicto da importância de haver “fatores distrativos” fora da competição e adaptados a cada atleta.

No Grupo K, Portugal, detentor do troféu da Liga das Nações, vai defrontar a regressada República Democrática do Congo e o estreante Uzbequistão, ambos em Houston, e a vice-campeã sul-americana Colômbia, em Miami.

Portugal tem um grupo relativamente razoável, à exceção da Colômbia, e penso que, após estas viagens, o período inicial de instalação e a aferição de quem está melhor do ponto de vista físico e psicológico, será uma boa oportunidade de pôr a jogar atletas que, à partida, não serão titulares na mente do selecionador. Há ferramentas a nível de departamento médico e apoio fisiológico que nos permitem dizer que, no plano físico, um futebolista está melhor do que o colega da mesma posição”, referiu Henrique Jones.

Os dois primeiros classificados das 12 poules e os oito melhores terceiros avançam para os 16 avos de final do Mundial-2026, que vai ser disputado durante cinco semanas e meia, período nunca visto na história da prova, e reparte encontros por 16 cidades-sede - 11 nos Estados Unidos, três no México e duas no Canadá.

A convocatória de 26 jogadores permite ao selecionador gerir de acordo com a dificuldade da competição e dos adversários. É óbvio que, a partir de certa altura, já há uma estandardização da equipa e um maior cuidado em termos de treino e das manobras de recuperação sobre os atletas que atuarão em fases mais avançadas. A gestão tem de ser feita pela equipa técnica, com o apoio muito estreito das componentes médica e fisiológica”, anteviu.