Acompanhe as incidências e o relato do encontro
"Os adeptos habituais não vêm devido às restrições relacionadas com o Ébola. Têm de cumprir uma quarentena de 21 dias (num país terceiro), depois passar por aeroportos específicos, onde podem ser sujeitos a testes", explica à AFP Marcus Epwo, figura da comunidade congolesa em Houston (sul dos Estados Unidos), onde os Léopards vão defrontar o Portugal na quarta-feira.
Um procedimento rigoroso ao qual a própria equipa teve de se submeter, cumprindo 21 dias de isolamento numa "bolha sanitária" na Bélgica antes de entrar em território norte-americano.
Perante estas restrições, difíceis de aplicar para os habitantes do país, a diáspora pretende assumir o papel de apoio. Em Houston, onde vivem cerca de 10.000 congoleses, e Dallas, onde são mais de 16.000, as comunidades locais querem recriar o ambiente de um grande evento mundial.
Na quinta-feira, com bandeiras, vuvuzelas e danças ao ritmo do ndombolo, género musical muito apreciado na RD Congo, receberam os jogadores congoleses no hotel em Houston, onde estes vão ficar durante a competição.
"Pensamos nas pessoas que ficaram no país. Fica-nos um aperto no coração por muitos não poderem viajar, mas isso dá-nos ainda mais responsabilidade para apoiar e aplaudir", explica Tshiunza Kalubi, adepto de 41 anos. "Apoiamos também (a equipa) por todos os de Kinshasa, todos os do país que não puderam vir", afirma.

Alguns expatriados, não sujeitos às restrições, também fizeram a viagem. É o caso de Antoinette Kayembe e das suas filhas: "Os nossos Léopards, os nossos heróis, estão aqui. Vim de Paris para os ver. Cruzo os dedos e acredito que tudo vai correr bem".
Em pano de fundo, a epidemia de Ébola, originária do leste da RD Congo, continua a alastrar-se no país, alertou na sexta-feira a OMS, que registou 676 casos confirmados, dos quais 136 mortes, associados à estirpe Bundibugyo, contra a qual ainda não existe vacina nem tratamento autorizado nesta fase.
"Enquanto muitos estão de luto e rezam todos os dias, hoje podemos celebrar o nosso regresso ao Mundial após 52 anos", sob o nome de Zaire, sublinha Furah Kashemwa, 50 anos.
Para o selecionador, Sébastien Desabre, o desafio vai além do simples aspeto desportivo: "Já há muito tempo que o país não participava num Mundial. Só o facto de estarmos presentes já é motivo de orgulho. Agora cabe-nos dar uma boa imagem".
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
Calendário e horários dos jogos | Grupos | O calendário de Portugal | O caminho de Portugal até à final | O calendário de Cabo Verde | O calendário do Brasil | Estrelas ausentes devido a lesão | Todos os equipamentos | As seleções que podem surpreender no Mundial | Prognósticos e Odds
