Mundial-2026: RD Congo de regresso e a tentar apagar desastre de 1974

Chancel Mbemba, ex-FC Porto, é figura na RD Congo
Chancel Mbemba, ex-FC Porto, é figura na RD CongoReuters

A República Democrática do Congo foi a última seleção a garantir o passaporte para o Mundial-2026 de futebol, em que vai defrontar Portugal, depois de 52 anos de ausência da prova e com má memória da última participação.

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A seleção agora comandada pelo francês Sébastien Desabre precisou de três fases e 13 jogos para assegurar o seu primeiro Campeonato do Mundo desde 1974 e marcou duelo com Portugal logo na estreia no Grupo K, depois de ter deixado pelo caminho equipas como a Nigéria e Camarões e de ter apresentado uma grande resistência defensiva.

No caminho para o Mundial-2026, a República Democrática do Congo ficou com a baliza a zero em oito dos 13 jogos, e sofreu apenas sete golos, com o apuramento a ficar carimbado em 31 de março deste ano, em Zapopan, no México, na final do play-off intercontinental.

Perante a Jamaica, os africanos venceram por 1-0 no prolongamento, com um golo de Axel Tuanzebe, um das principais figuras da equipa, e fez a festa do apuramento, que não acontecia há mais de meio século.

A campanha dos leopardos começou no Grupo B da fase de apuramento africano e só não garantiu logo a qualificação por causa de uma derrota caseira com o Senegal (3-2), já na fase decisiva do agrupamento, numa partida em que a República Democrática do Congo desperdiçou uma vantagem de dois golos.

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Por ser um dos melhores segundos classificados, a equipa de Sébastien Desabre teve acesso ao play-off, mas apareceu fora do lote de favoritos, em que estavam Camarões e Nigéria, acabando por superar os dois tubarões africanos. Nas meias-finais, a República Democrática do Congo bateu os Camarões, por 1-0, e, na final, venceu a Nigéria no desempate por penáltis (4-3), após uma igualdade (1-1). Os nigerianos ainda tentaram na secretaria inverter a situação, alegando a utilização irregular de um jogador, mas a queixa acabou por não ter efeito.

Além de Axel Tuanzebe, nomes como Aaron Wan-Bissaka, Cedric Bakambu e do capitão Chancel Mbemba, antigo central do FC Porto, aparecem em destaque na equipa do segundo maior país africano, assim como Simon Banza, que passou por SC Braga e Famalicão.

Em 1974, ainda como Zaire, a campanha dos africanos foi desastrosa, com três derrotas, 14 golos sofridos e nenhum marcado, o que levou as ameaças aos jogadores por parte do regime ditatorial que existia no país.

Após o 9-0 perante a antiga Jugoslávia, os jogadores foram informados que seriam impedidos de regressar a casa e a suas famílias poderia sofrer represálias, caso perdessem na última jornada do Grupo 2 com o Brasil por mais de três golos. Isso levou a um ato de desespero por parte do defesa Mwepu Ilunga, que saiu da barreira defensiva para chutar a bola para longe, enquanto o Brasil se preparava para marcar um livre, quando o jogo estava já perto do fim e com 3-0 para a seleção canarinha. Com esta ação, o lateral tentou gastar tempo para que o árbitro apitasse para o fim da partida. O jogo acabou por ficar nos 3-0.

Eventualmente, os jogadores acabaram por ser autorizados a regressar ao Zaire, mas não receberam qualquer salário ou prémio de participação e o governo local cortou mesmo o financiamento à seleção.

O primeiro Portugal-República Democrática do Congo da história, da primeira jornada do Grupo K, está agendado para 17 de junho, em Houston, com início marcado para as 12:00 locais (18:00 horas de Lisboa).

O Mundial-2026, o primeiro de sempre com 48 seleções, vai decorrer de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

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