Quem é quem no Mundial: conheça a seleção do Brasil

Seleção brasileira antes do amigável contra o Panamá
Seleção brasileira antes do amigável contra o PanamáWagner Meier/Getty Images via AFP

Após um ciclo marcado por mudanças de comando, oscilações de desempenho e dificuldades para consolidar uma ideia de jogo, a seleção brasileira inicia a competição sob o comando de Carlo Ancelotti, contratado para conduzir a seleção na luta pelo hexacampeonato.

Para falar sobre o Brasil, o Flashscore conversou com Maurício Dulac, atual treinador do Al Riyad, da Arábia Saudita, e ex-integrante das equipas técnicas de profissionais como Tite, Dorival Júnior, Odair Hellmann e Abel Braga, entre outros. Ao lado de Tite, participou na campanha brasileira no Mundial-2018, na Rússia.

Para Dulac, a principal dificuldade enfrentada pelo Brasil nos últimos anos esteve justamente na falta de continuidade.

"A seleção ficou à procura de uma identidade por algum tempo. As trocas de treinadores causam alguns incómodos dentro do processo, principalmente porque na seleção não há muito tempo de treino", avaliou.

Segundo ele, a sequência de mudanças no comando prejudicou a consolidação de uma maneira de jogar. Ainda assim, Dulac acredita que a chegada de Ancelotti representa um novo começo.

"Agora com a chegada do Ancelotti, eu acho que estamos à procura de uma nova identidade, uma nova maneira de jogar durante os jogos".

Destaques do Brasil
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Seleção pode evoluir durante o Mundial?

Quando se fala em trabalho com seleções, algo inédito na vitoriosa carreira de Ancelotti, fala-se também em pouco tempo para treinar. Afinal, os jogadores, que mudam de uma data FIFA para outra, encontram-se por um período de aproximadamente 10 dias, disputam duas partidas nesse intervalo e depois regressam aos seus respectivos clubes.

Calendário do Brasil
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Com o treinador italiano há apenas um ano no cargo, Dulac vê justamente a disputa do Mundial como uma oportunidade para a seleção crescer ao longo da competição. Na avaliação de Maurício Dulac, o nível elevado dos confrontos acelera os processos de adaptação e desenvolvimento, especialmente em equipas com jogadores habituados ao mais alto nível do futebol europeu.

"Eu acredito que a seleção vai crescer muito durante o Mundial. Claro que depende muito desse primeiro jogo. Ele dá confiança, deixa o jogador mais tranquilo e ajuda a equipa a evoluir".

O que esperar do Brasil?

Uma das principais incógnitas da seleção está no onze ideal. Nos amigáveis contra Panamá e Egito, Ancelotti alternou entre um sistema com quatro avançados — que também utilizou em particulares anteriores — e uma estrutura com três médios, com Paquetá à frente de Casemiro e Bruno Guimarães.

Para Dulac, porém, a discussão vai além dos números no papel.

"Eu acho que o Ancelotti vai trabalhar em cima do adversário. A diferença de sistema para mim não é grande. É muito mais uma diferença de características dos jogadores".

A forma do Brasil
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A tendência, segundo ele, é que o treinador monte a equipa de acordo com as necessidades de cada jogo, repetindo uma característica que marcou as suas passagens pelos principais clubes da Europa.

Com a dispensa de Wesley, Ancelotti optou por chamar o médio Éderson, da Atalanta, ao invés de outro lateral-direito. A escolha aumenta ainda mais as opções para o meio-campo e pode ser um indicativo de que o treinador pretende utilizar uma formação mais equilibrada, próxima de um 4-3-3, reduzindo a utilização de um modelo com quatro avançado.

Como fica a lateral?

A lesão de Wesley também trouxe à tona uma discussão recorrente no futebol brasileiro: a escassez de laterais com características ofensivas.

Atualmente, as alternativas para o lado direito incluem Danilo e Ibañez, jogadores que atuam predominantemente como defesas-centrais nos seus clubes e podem ser utilizados na função. Para Dulac, a origem do problema está na própria formação dos jogadores.

"Nós acabámos por deixar os laterais muito presos dentro de um sistema. E depois não formámos laterais como antigamente".

Na avaliação dele, o futebol moderno reduziu a liberdade dos jogadores da posição, diminuindo o surgimento de atletas com perfil semelhante ao de gerações anteriores.

Disputa acesa no ataque

Igor Thiago foi o 2.º melhor marcador da Premier League. João Pedro, quinto da lista, não foi convocado
Igor Thiago foi o 2.º melhor marcador da Premier League. João Pedro, quinto da lista, não foi convocadoFlashscore

A disputa por vagas no ataque também movimenta o debate entre adeptos e especialistas. Um dos principais assuntos é a situação de Endrick, que chega ao torneio após boas exibições recentes. Para Dulac, entretanto, a experiência ainda pesa na definição dos titulares.

"Eu acho que como titular ainda não. Ele é alguém que pode ajudar muito ao entrar nas partidas, com juventude e força física".

Na visão do antigo adjunto, o avançado pode desempenhar um papel importante ao longo dos jogos, mas a concorrência com jogadores mais experientes ainda o deixa atrás na corrida por uma vaga entre os onze iniciais.

Endrick foi um dos principais garçons da Ligue 1
Endrick foi um dos principais garçons da Ligue 1Opta by Stats Perform

"Estamos a falar de jogadores de altíssimo nível. Para começar um Mundial, eu acho que os outros jogadores estão na frente dele".

Quem é a estrela da seleção? E a surpresa?

Durante a série, perguntamos a todos os entrevistados quem poderia ser o destaque e a surpresa das suas respetivas seleções. Com o Brasil, não foi diferente. Ao falar do principal nome da equipa, Dulac apontou para o jogador que mais mobiliza as expectativas dos brasileiros.

"O jogador de quem esperamos mais coisas é o Neymar. Nós esperamos que ele esteja em condições e possa ajudar da melhor forma possível".

Histórico de lesões de Neymar
Histórico de lesões de NeymarFlashscore

Neymar continua a tratar uma lesão de grau 2 na perna e, segundo a CBF, tem evoluído bem. Não vai jogar contra Marrocos, mas tem hipóteses de ficar à disposição para o duelo com o Haiti, no sábado.

Já ao apontar uma possível surpresa, Dulac escolheu o camisola 8 da seleção.

"Acredito que o Bruno Guimarães pode ser esse jogador, pela confiança que ele tem e pelo nível em que se encontra hoje. Acho que todos estão à espera de algo de outra pessoa, mas ele já mostrou uma boa condição nos amigáveis . De repente, ele será essa surpresa para toda a gente".

Bruno é um dos homens de confiança de Ancelotti. Esteve presente em cinco das seis convocatórias do treinador e só ficou de fora da lista de março deste ano por causa de uma lesão. Suplente no Mundial-2022, hoje reúne credenciais para ser um dos principais nomes da equipa brasileira.

Números de Bruno Guimarães
Números de Bruno GuimarãesFlashscore

Como utilizar Neymar?

Caso esteja plenamente recuperado fisicamente, Dulac acredita que o melhor caminho é utilizar Neymar numa função central, com liberdade para criar.

"É preciso dar-lhe liberdade criativa. O Neymar é uma referência técnica".

Segundo ele, o camisola 10 rende mais a atuar por dentro, próximo da área adversária e participando diretamente da construção das jogadas.

"Quer seja como o último homem, quer seja por trás desse último homem, ele vai render da melhor forma possível".

Mapa de toques de Neymar no Brasileirão 2026
Mapa de toques de Neymar no Brasileirão 2026Opta by Stats Perform

A baliza do Brasil

A convocatória de guarda-redes também gerou debate entre adeptos e parte da imprensa. Apesar das críticas, Dulac considera que Ancelotti levou os nomes mais preparados para a competição.

"Eu acho que levou. São os jogadores que estão mais preparados para isso".

Números de Alisson
Números de AlissonFlashscore

Entre eles, Alisson deve manter-se como titular na visão do antigo adjunto.

"Para mim ele é o guarda-redes da seleção. O Ederson também é um grande guarda-redes, mas o Alisson ainda me passa um pouco mais de segurança".

Weverton é apontado como uma peça importante pela experiência e liderança dentro do grupo.

Confiança no hexa

Mesmo reconhecendo as dificuldades naturais de um Mundial, Dulac demonstra confiança na capacidade da seleção de fazer uma prova competitiva.

"Eu acredito que vamos chegar longe".

Para ele, aspetos emocionais e o ambiente criado dentro da equipa podem ser determinantes para o desempenho do Brasil ao longo do torneio.

"Se nós conseguirmos o título, vai ser uma coisa muito boa para todos nós. Sempre que a seleção brasileira é campeã do mundo, todo o desporto brasileiro ganha".

Calendário de Mundial-2026: 

13/6 (sábado)

23:00 - Brasil - Marrocos (MetLife Stadium – East Rutherford, Nova Jérsia) 

20/6 (sábado)

01:30 – Brasil - Haiti (Linclon Financial Field - Filadélfia) 

24/6 (quarta-feira)

23:00 – Escócia - Brasil (Hard Rock Stadium – Miami Gardens)