Shakira abre o Mundial no Estádio Azteca entre festa, protestos e destaque para as mulheres

Shakira regressa ao palco de abertura do Mundial após 16 anos
Shakira regressa ao palco de abertura do Mundial após 16 anosAFP

Shakira regressa ao palco da cerimónia de abertura do Mundial, após 16 anos, e será a principal atração do evento que antecede o México - África do Sul, esta quinta-feira, no Estádio Azteca. O evento decorre num contexto de protestos de professores e da ausência da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum. A festa irá destacar a identidade mexicana e a cultura local.

O cenário na cidade do México mistura celebração e tensão. Num contexto de movimentos sociais, Shakira repete a experiência de 2010, quando o México e África do Sul também abriram o Mundial, mas em solo africano.

Siga o México - África do Sul no Flashscore

Enquanto a FIFA prepara um espetáculo para mais de 80.000 adeptos no Azteca, e milhões de telespectadores em todo o mundo, o ambiente fora do estádio está longe de ser apenas festivo.

Nas últimas semanas, a capital mexicana foi palco de uma série de manifestações organizadas pela Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE). Os professores exigem aumentos salariais e alterações nas regras de reforma.

Em determinados momentos, os protestos bloquearam vias principais da cidade e levantaram preocupações quanto à logística dos eventos ligados ao Mundial.

Perante o impasse, a presidente Claudia Sheinbaum decidiu não participar na cerimónia de abertura. Esta ausência acontece numa altura em que decorrem negociações entre o governo federal e os manifestantes.

Azteca reforça a sua história

Poucos estádios têm tanto peso na história dos Mundiais como o Azteca. Palco das cerimónias de abertura das edições de 1970 e 1986, o recinto tornar-se-á o primeiro do mundo a receber jogos em três edições diferentes do torneio.

Foi ali que Pelé conquistou o seu terceiro título mundial com a seleção brasileira e que Diego Maradona conduziu a Argentina ao título em 1986. Agora, o estádio acrescenta um novo capítulo à sua própria história ao receber, mais uma vez, o pontapé de saída da competição.

Estádio Azteca irá receber a cerimónia de abertura do Mundial-2026
Estádio Azteca irá receber a cerimónia de abertura do Mundial-2026Reuters

Cultura mexicana em destaque

A cerimónia preparada pela FIFA aposta em referências culturais mexicanas. Entre os elementos previstos estão espetáculos inspirados no papel picado, uma expressão artística tradicional do país, bem como manifestações folclóricas e a participação de representantes de comunidades indígenas.

O objetivo é valorizar a identidade mexicana antes de a competição prosseguir nos Estados Unidos e no Canadá, os outros países anfitriões do torneio. Além de Shakira, o evento contará com atuações de J Balvin, Tyla, Alejandro Fernández, Belinda, Lila Downs, Los Ángeles Azules e Maná.

O papel central das mulheres

O regresso de Shakira devolve uma artista feminina ao centro de uma cerimónia historicamente dominada por artistas masculinos.

Entre os principais nomes que desempenharam este papel nas aberturas do Mundial estão Diana Ross em 1994, a própria Shakira em 2010, assim como Jennifer Lopez e Claudia Leitte na cerimónia realizada no Brasil em 2014. Em 2018, a soprano Aida Garifullina participou no espetáculo em Moscovo.

A ligação da cantora colombiana ao torneio vai além da canção oficial de 2010. Ao longo dos anos, a sua imagem manteve-se associada ao Mundial e a alguns dos momentos mais marcantes da competição fora das quatro linhas.

Festa vs protestos

A abertura do Mundial irá recolocar o México no centro das atenções do futebol mundial. Dentro do Azteca, o destaque será para a festa, a música e o arranque do torneio. Nas ruas da capital, porém, os protestos lembram que o evento decorre enquanto permanecem questões por resolver.

A cerimónia de abertura marcará o início de um novo Mundial, mas servirá também de montra para debates que extravasam o futebol. Não será certamente a única ocasião nesta edição do Mundial em que questões sociais, políticas ou económicas ultrapassarão os limites do relvado.

Além das realidades dos países anfitriões, o Mundial poderá ainda proporcionar encontros entre nações que já viveram conflitos territoriais, colonizações ou até rivalidades económicas.