James Rodríguez colocou um ponto final na sua carreira pela seleção da Colômbia, deixando uma imagem muito diferente daquela que construiu nos seus melhores anos. A sua participação no último Mundial foi dececionante: não marcou, não assistiu e revelou dificuldades físicas para aguentar o ritmo da competição. A eliminação frente à Suíça confirmou que a equipa continuava a depender de um futebolista que já não conseguia resolver os jogos como antes.
A fotografia final, contudo, não chega para diminuir o seu legado. James despede-se após 131 encontros, 31 golos e três Mundiais, tornando-se um dos grandes referentes estatísticos da Tricolor. Durante 15 anos foi maestro, goleador, capitão e principal criador de jogo de uma seleção que atravessou diferentes ciclos, treinadores e estilos.
Brasil 2014, o seu melhor momento
A sua obra mais importante chegou no Brasil 2014. James marcou seis golos, conquistou a Bota de Ouro e conduziu a Colômbia até aos quartos de final, o seu melhor resultado de sempre num Mundial. O seu remate de primeira frente ao Uruguai ficou para a história do torneio, mas esse desempenho foi muito mais do que um golo memorável: esteve presente em todos os jogos, assumiu o comando ofensivo e atingiu um nível individual que nenhum outro colombiano mostrou com a camisola nacional.
Uma década depois voltou a ser o pilar da Tricolor na Copa América 2024. Quando a sua carreira nos clubes parecia ter entrado num declínio irreversível, recuperou protagonismo sob o comando de Néstor Lorenzo e levou a equipa até à final. Terminou o torneio com seis assistências, recorde numa só edição, e foi eleito o melhor jogador da competição. Essa exibição prolongou a sua relevância e confirmou que a sua ligação à Colômbia esteve sempre acima do seu momento profissional.
A ausência de um título será a principal dívida da sua geração, mas não pode ser atribuída apenas a James. A Colômbia deixou escapar oportunidades devido a abordagens conservadoras, erros defensivos e uma gestão deficiente de vários jogos eliminatórios. As derrotas frente ao Brasil em 2014 e à Inglaterra em 2018, além das eliminações frente à Argentina e ao Chile na Copa América, expuseram limitações coletivas que ultrapassavam a influência de qualquer figura.
A sua história também ficou marcada por desencontros, sobretudo quando deixou de ser indiscutível. James nem sempre aceitou com naturalidade a perda de protagonismo e a sua convocatória para o último Mundial deveu-se mais à hierarquia acumulada do que ao rendimento imediato. A Colômbia tinha desenhado um sistema para aproveitar a sua pausa e o último passe, mas acabou presa a essa dependência quando o 10 perdeu mobilidade e capacidade para romper linhas.

O debate com Carlos Valderrama permanecerá em aberto. O Pibe transformou a identidade da seleção e foi o símbolo da geração que se qualificou para três Mundiais consecutivos. James, no entanto, atingiu um patamar superior: foi o melhor marcador de um Mundial, brilhou em dois grandes torneios separados por dez anos e competiu na elite europeia, onde conquistou duas Champions e uma Liga pelo Real Madrid, além de duas Bundesligas pelo Bayern Munique.
A sua despedida não esteve à altura da sua história, mas poucas carreiras terminam no momento perfeito. O último Mundial mostrou um futebolista esgotado; o balanço completo revela o jogador mais determinante que vestiu a camisola da Colômbia. Valderrama abriu a porta da modernidade, Falcao representou o golo e outras figuras trouxeram longevidade ou caráter. James, por sua vez, levou a Tricolor a um nível nunca antes alcançado. Esse será o seu lugar na história.
