Recorde aqui as incidências do encontro
Bayern invicto há nove jogos em casa
Ambos os treinadores fizeram apenas uma alteração nos onzes iniciais. Algo teria de ceder entre equipas que apresentavam um registo recente idêntico: quatro vitórias, um empate e uma derrota nos últimos seis jogos em todas as competições.
Além disso, o Bayern tinha marcado 20 golos e sofrido apenas seis nos jogos em casa para a Champions em 2025/26 - vencendos todos - e estava invicto há nove jogos em casa antes deste encontro. Por outro lado, o PSG tinha vencido cinco, empatado um e perdido um dos jogos fora de casa na Liga dos Campeões, mas atravessava uma sequência de seis vitórias consecutivas como visitante em todas as competições.
Como prometido, ambas as equipas entraram com tudo desde o apito inicial. Ousmane Dembélé inaugurou o marcador logo aos três minutos, após uma assistência milimétrica de Khvicha Kvaratskhelia, a sexta na competição.
O plano de jogo dos visitantes era claro: não permitir que nenhum jogador do Bayern assentasse o seu jogo. Contudo, refira-se que os anfitriões mantiveram a calma sob pressão e, de facto, tinham seis jogadores com 100% de eficácia no passe numa fase inicial. Aos 10 minutos de jogo, porém, os bávaros ainda não tinham somado um único toque na área do PSG, embora a sua movimentação, com e sem bola - tal como a dos seus oponentes - fosse impressionante.
A influência crescente de Olise
O cartão amarelo precoce de Nuno Mendes permitiu que Michael Olise arriscasse no um-contra-um frente ao lateral-esquerdo, e a influência do francês começou a crescer. Tentou cinco duelos individuais e ganhou três, os melhores registos de qualquer jogador em campo nos primeiros 15 minutos.

Só nesse momento é que o Bayern teve uma oportunidade real de empatar a partida, com o bloqueio de Mendes sobre Olise a ser, até então, o desarme do jogo. Kvaratskhelia e Désiré Doué atacavam consistentemente pelo lado direito do ataque, acreditando que Konrad Laimer era o elo mais fraco do Bayern. O facto de o camisola 2 dos alemães não ter ganho nenhum dos três duelos individuais evidenciava as dificuldades que estava a sentir.
Kane fora do jogo
Conseguir que Harry Kane recebesse a bola também se revelava problemático: apenas dois passes precisos do capitão inglês (25% de eficácia) foram, por larga margem, o pior rendimento de um jogador de ambos os lados. Talvez mais alarmante para Kompany fosse o facto de o seu onze inicial ter tentado apenas um desarme nos primeiros 25 minutos; a imagem do PSG a projetar-se em massa no ataque em cada oportunidade dificilmente o terá agradado.
Após Nuno Mendes ter tido a sorte de não ver o segundo amarelo por mão na bola, o Bayern viu ser-lhe negado o que pareceu um penálti claro, também por mão na bola na área. Em ambas as instâncias, o árbitro terá tido margem de manobra suficiente dentro das leis do jogo para se sentir confiante na decisão. Uma defesa de classe mundial de Manuel Neuer, travando um cabeceamento fulgurante de João Neves, manteve a equipa na eliminatória, enquanto os visitantes se mostravam implacáveis no ataque e disciplinados no trabalho defensivo.
A frustração do Bayern
À medida que o intervalo se aproximava, um total de 12 alívios continuava a frustrar o Bayern, que somava 28 entradas no terço final - mais do que o PSG - além de uma posse de bola coletiva de 69% nos últimos 15 minutos da primeira parte.
Luis Díaz era o elemento mais ativo no ataque ao lado de Olise, embora alguns dos cinco toques na área tenham sido excessivos ou tenham resultado em perda de bola por tentativa de forçar o lance. Jamal Musiala fez o primeiro remate à baliza do Bayern apenas aos 44 minutos, mas foi necessária uma defesa soberba de Matvey Safonov para segurar a vantagem. A única questão ao intervalo era como é que o resultado permanecia apenas 0-1.

PSG excelente na defesa
Se surgisse outro golo após o descanso, ou sentenciaria a eliminatória a favor do PSG, ou daria ao Bayern esperança renovada. Houve certamente mais ritmo e propósito no jogo ofensivo bávaro, mas a equipa simplesmente não conseguia furar a compacta defesa parisiense, que ganhou a vasta maioria dos desarmes e somou nove alívios.
Sempre que o Bayern ultrapassava a linha defensiva, raramente atingia o nível de execução habitual. O remate torto de Aleksandar Pavlovic quando estava em boa posição - a sétima tentativa dos anfitriões desde que Mendes tinha rematado pelo PSG - foi sintomático do desperdício.

Eliminatória escapa aos bávaros
O jogo abriu-se verdadeiramente à passagem dos 60 minutos, com o desespero do Bayern a tornar-se evidente. Apesar de estarem à frente em remates (12 contra 8), toques na área adversária (24 contra 10), posse de bola (60,9% contra 39,1%) e passes precisos (308 contra 171), continuavam a dois golos de distância no resultado agregado.
Neuer voltou a salvar os anfitriões, esticando-se para desviar um remate de Doué para canto, somando a sua quinta defesa no jogo. Todas as segundas bolas eram ganhas pelos visitantes e a sensação de que a eliminatória estava a fugir fez com que o ambiente no Allianz Arena arrefecesse.
Tanto Díaz como Olise só conseguiram encontrar as luvas de Safonov quando estavam bem posicionados. A menos de 20 minutos do fim, o Bayern continuava sem conseguir bater uma equipa que tinha ganho apenas sete dos 22 desarmes tentados.
Segundos melhores no momento decisivo
Kvaratskhelia, o homem do jogo, quase sentenciou a partida, sendo travado no último momento, enquanto Doué voltou a ter azar numa tentativa inventiva. O facto de serem eles, e não o Bayern, a atacar na fase final dizia tudo.
Kompany lamentará também o facto de nomes como Olise, Pavlovic e Laimer terem ganho apenas 12 de 44 duelos disputados. O Bayern foi simplesmente inferior quando mais importava. O golo de consolação de Harry Kane nos descontos — o seu 14.º nesta edição — chegou demasiado tarde.
O PSG terá agora a oportunidade de repetir o sucesso do ano passado, enfrentando um Arsenal que procura vencer a Liga dos Campeões pela primeira vez na sua história.

