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"Abusos de poder": Premier League, LaLiga, Serie A e Bundesliga pedem reformas na FIFA

Gianni Infantino, presidente da FIFA
Gianni Infantino, presidente da FIFAReuters / Kacper Pempel

As quatro ligas de futebol mais poderosas da Europa pediram esta sexta-feira reformas abrangentes na FIFA, defendendo que os intervenientes devem ter um papel maior na tomada de decisões, numa altura em que aumenta o escrutínio sobre a liderança do organismo que rege o futebol mundial.

A Premier League inglesa, a Bundesliga alemã, a Serie A italiana e a LaLiga espanhola afirmaram que a FIFA precisava de mecanismos mais sólidos de controlo e equilíbrio, limites constitucionais claros e uma maior separação entre as suas funções reguladoras e comerciais.

Esta é a primeira resposta coordenada das quatro ligas desde que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, abandonou, no início deste ano, uma tentativa de avançar com um plano que envolvia investimento externo nas operações comerciais da FIFA, depois de o projeto ter provocado uma onda de contestação em todo o futebol mundial.

"O Mundial pode ser o ponto mais alto do nosso desporto, mas as bases do futebol são sustentadas semana após semana, em estádios cheios e nas comunidades locais, por jogadores, adeptos, clubes e ligas dedicados em todo o mundo", afirmaram as ligas numa declaração conjunta divulgada esta sexta-feira.

"As bases históricas do futebol têm sido ameaçadas, nos últimos anos, por um problema fundamental de governação, segundo o qual o presidente da FIFA promoveu ativamente ideias exploradoras, em vez de criar salvaguardas contra elas. E, embora os intervenientes do futebol tenham acabado por forçar a retirada do projeto FIFA Forward Enterprise, mantêm-se as condições que conduziram ao FFE", acrescentaram.

A declaração surge numa altura em que aumenta o escrutínio sobre a governação da FIFA, enquanto Gianni Infantino procura ser reeleito no próximo ano. A FIFA foi contactada para comentar.

As relações entre a FIFA e as principais ligas europeias deterioraram-se nos últimos anos, sobretudo devido a divergências relacionadas com a expansão das competições internacionais.

Os clubes e as ligas nacionais têm-se queixado repetidamente de que o número crescente de eventos organizados pela FIFA impõe uma carga adicional aos jogadores e ameaça o valor das competições nacionais.

Infantino propõe avaliação externa

Infantino procurou responder às críticas no início desta semana, numa carta enviada ao Conselho da FIFA e aos presidentes das 211 associações-membro, propondo que o Conselho considerasse a encomenda de uma avaliação externa independente do quadro de governação da FIFA para grandes iniciativas estratégicas.

Propôs também consultas com confederações, associações e outros intervenientes para reforçar a tomada de decisões, e afirmou que continuava plenamente empenhado em liderar a FIFA.

"O presidente da FIFA reconheceu agora a necessidade de reformas, mas não basta explorar alterações superficiais e processuais na sequência do FFE — é essencial uma reforma fundamental da governação para restabelecer limites constitucionais claros dentro da FIFA, incluindo a confiança de que as questões disciplinares individuais permanecem comprovadamente protegidas de interferências políticas", afirmaram as ligas na sua declaração.

Várias federações europeias rejeitaram rapidamente a iniciativa de Infantino, e o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, fez uma avaliação contundente na quarta-feira.

Presidente da UEFA, Aleksander Ceferin
Presidente da UEFA, Aleksander CeferinReuters / Manon Cruz

Ceferin não mencionou Infantino, mas os seus comentários foram uma referência clara à proposta de venda de uma participação de até 20% nos direitos comerciais da FIFA, incluindo os associados ao Mundial, a investidores privados.

O projeto foi abandonado em julho, depois da oposição da UEFA, organismo que rege o futebol europeu, da Confederação Asiática de Futebol e da confederação da América do Norte, a CONCACAF.

"Mecanismos eficazes de controlo e equilíbrio"

As quatro ligas europeias pedem à FIFA que dê aos intervenientes afetados um papel real na tomada de decisões; crie um organismo permanente que represente os principais intervenientes, incluindo associações nacionais, ligas, clubes e jogadores de todo o futebol masculino e feminino; assegure decisões baseadas em provas; e proteja a função reguladora da FIFA da sua função comercial.

"O futuro da FIFA é importante para todos os que se preocupam com o futebol, porque o nosso desporto não pode crescer a nível mundial se as suas bases forem enfraquecidas", afirmaram na declaração.

"O problema de governação da FIFA vai muito além do papel de uma única pessoa. A questão mais ampla é saber se o presidente da FIFA deve, em simultâneo, exercer tamanho poder regulador, comercial e político sem mecanismos eficazes de controlo e equilíbrio, incluindo o acordo dos intervenientes afetados. Há mais de uma década, na sequência de processos criminais que envolveram altos responsáveis do futebol, o próprio processo de reforma da FIFA procurou responder a estas questões — contudo, mais uma vez, o futebol sofreu um dos maiores abusos de poder da história da FIFA", concluiram.

Tudo o que precisa de saber sobre a crise entre Infantino e a FIFA

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